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Tu

por Maria Joana Almeida, em 30.09.19

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Quando me abraças é como se fechassem todas as caixas de Pandora. Quando sorris para mim é como se derretesse internamente e tomasse todas as doses de oxitocina do mundo. Quando não te vejo por dois segundos no exterior é como se caísse em queda livre para debaixo do chão. Quando te volto a ver é como se me deitasse na areia quente depois de um banho de mar. Quando fazes beicinho é como se te quisesse engolir num abraço. Quando estou mais de um dia sem te ver é como se o meu corpo fosse a definição viva da palavra inquietação como a música de José Mário Branco.

 

Quando ralho contigo de manhã por estar atrasada e logo após te deixar na escola sinto remorsos. É como se ficassem em falta todos os beijos que te quero sempre dar. Quando te imponho limites e não te deixo fazer tudo o que queres não sinto remorsos porque sei que não vou estar sempre perto de ti e mais convictamente sei que um dia não estarei mesmo.

 

Quando desarrumas tudo por um ainda pouco auto controlo motor ou só porque tem piada, meço a minha reação pelo meu cansaço. Ou ralho ou junto-me a ti no chão criando um pequeno caos. Quando chamas ininterruptamente "Mamã" por 30 segundos, que para mim são longos minutos, é como se acabasse um treino de ginásio. Quando não chamas, sinto falta do meu outro nome.

 

Quando apregoo, também convictamente, que ser mãe não é claramente a única coisa que me define e que o meu trabalho e carreira é o que fazem o equilíbrio saudável digo-o enquanto penso em ti. Este equilíbrio é o que me faz feliz, o que te faz feliz, mas em caso de dúvida, corro para ti. Sempre.

 

Quando não era mãe era como se vivesse numa bolha muito racional com pouco espaço para dissertações emotivas, agora que sou assumo esta “irracionalidade” e gosto.

 

(Este blog faz quatro anos. É um blog sobre Educação, não sobre maternidade, mas como forma de comemorar nada melhor do que um texto sobre um dos maiores momentos educativos de uma vida: Ser mãe da Maria Luísa).

 

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publicado às 23:05


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