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Sobre o ciclo "30 portugueses, um país" com Luís Osório

por Maria Joana Almeida, em 04.06.19

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O Luís Osório é um dos escritores que mais gosto de ler e de ouvir. 

Foi moderador de um Ciclo intitulado "30 portugueses, um país" um momento de conversa com várias personalidades do nosso país que contou com presença de nomes como António Barreto,  Bruno Nogueira, Ana Moura, Mário Centeno, Teodora Cardoso, Assunção Cristas e António Costa, entre outros.

Obrigada Luís por me concederes de novo o privilégio de uma nova entrevista.

 

 

 

1 – Terminaste recentemente um ciclo intitulado “30 portugueses, um país” do qual foste moderador. Qual foi o seu principal objetivo?

- O espaço das grandes entrevistas, de uma maneira ou de outra, deixou de fazer sentido. A força da atualidade, do que é notícia ou é capaz de influenciar, tornou-se predominante e ultrapassou as boas conversas, as conversas sem propósito. Gosto de conversar por conversar, de conhecer, viajar para dentro da outra pessoa, ter curiosidade, conhecer sem a ditadura do que interessa às agendas mediáticas. Diria que o principal objetivo foi esse. Desafiar as agendas com uma outra agenda onde pudéssemos estar por estar e aprender. 

 

 

2 – Na maior parte dos casos já conhecias pessoalmente os convidados? Como foi o processo de preparação e quais respostas que te marcaram ou que mais te surpreenderam?

- Não fiz as contas, mas diria que sim. Na maior parte dos casos já conhecia os convidados. O processo de preparação foi muito livre, limitei-me a ler sobre cada umas das vidas e a conversar com cada um deles. Não me marcou nenhuma resposta em concreto, já sou velho o suficiente para não me encantar com uma árvore por mais frondosa que pareça.

 

 

3 – Trinta portugueses que detém um espaço dentro do nosso país e trouxeram, no geral, uma ou várias visões e posições inovadoras e, dos quais, naturalmente, não é possível escolher um como “o” mais influente, mas a pergunta é esta: De que influências e de que visões precisa o nosso país?

- O mundo precisa de uma visão que seja construída a partir de uma ideia de futuro. Precisa de resgatar um espaço de intervenção e pensamento das elites – não subordinado à soberania do consumidor e aos desejos do povo. Precisa de encontrar um novo sentido para a democracia e para a representatividade dos que são eleitos. Precisa de uma comunicação social que não dependa exclusivamente do dinheiro dos que compram jornais ou veem os canais de informação. Precisa de não ter medo, de erradicar novos fascismos. Precisa de um modelo que proteja o trabalho num tempo de automação em que milhões de postos de trabalho serão extintos. Perguntas-me pelo país, respondo-te com o mundo. Porque dependeremos sempre em primeiro lugar do que acontecerá lá fora. E eu tenho tendência para acreditar, citando Bertrand Russell, uma espécie de desejo de federalismo.  

 

 

4 – Como jornalista, como escritor, muito ativo nas redes sociais, especialmente no facebook (no fundo como Português), qual sentes ser, digamos, a tua missão neste espaço que ocupas? Qual a tua influência real ou desejada?

- A influência do Facebook é mais expressiva noutros países, como provam os escândalos dos últimos anos. Não tenho nenhuma missão, não sinto que a tenha. Estou no FB com o mesmo espírito com que escrevo livros ou tudo o resto, fazer o melhor possível e construir um caminho. Que no final das contas será reconhecido (ou não) pelos outros. Não tenho influência nenhuma. Apenas pessoas que gostam do que escrevo. Mas isso vale pouco no sentido que dás à palavra influência. Se para mim isso fosse um desejo estaria noutros lugares, teria aceitado um convite para dirigir um jornal ou um lugar numa lista de deputados. Recusei uma e outra coisa. 

 

 

5 – Que perguntas faltam fazer e que portugueses faltam entrevistar?

- As perguntas que ainda não foram feitas o tempo encarregar-se-á de as mostrar. Há sempre perguntas a nascer na medida em que novas respostas surgem. Cada nova resposta a uma pergunta desencadeia 10 novas questões que não existiam. E claro permanecem as de sempre, as irresolúveis, a começar pela “onde vamos quando nos vamos?”

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publicado às 20:34



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