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Que não se repudie por completo o online.

por Maria Joana Almeida, em 01.03.21

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“Nas escolas ainda continuamos a pedir aos alunos para deixar o século XXI à porta” disse João Couvaneiro, o nomeado português para o “Nobel da Educação” (Global Teacher Prize) em 2017, relativamente à utilização de tecnologias. Em 2020, ironicamente, um vírus não inviabilizou computadores, mas transpôs portas inviabilizando relações humanas.

 

Desde março de 2020 que a expressão online invadiu as casas e as escolas como uma espécie de tábua de salvação. Neste novo paradigma existem vários lados da barricada: Os optimistas que encaram esta fase como uma necessidade ao mesmo tempo que refletem sobre as suas potencialidades; Os pessimistas que encontram apenas lados absolutamente negativos. Há espetros de cinzento que se encontram no espaço da razoabilidade e será sempre sobre estes cinzentos que fará sentido refletir.

 

“Nada substitui o presencial” é uma frase que se tornou num absoluto lugar comum. Esta premissa é, naturalmente, um facto. É também um facto que o presencial adotado desde maio de 2020 é um lugar muito distante do desejado. Não há espaço para toques nem reconhecer expressões faciais. É um presencial enviesado.

 

Neste confinamento parte II partimos com algumas vantagens. Já o vivemos, já identificamos os problemas, já nos preparámos. E há surpresas muito interessantes. Houve tempos de adaptações e este ensino à distância, atual, teve tempo de aprender com os erros do primeiro.

 

No universo da educação há alíneas de decretos que promovem a diversificação de instrumentos quer como medidas universais quer como medidas seletivas. São essenciais na categoria da diferenciação pedagógica. Mas por defeito de reflexão ou por memória muscular tendemos a reproduzir um modus operandi repetitivo e protocolar. O ensino à distância obrigou-nos a sermos esta alínea do decreto e a torná-la universal, todos os dias.

É estranho afirma-lo, e estranho escreve-lo, mas há efetivamente alunos que têm beneficiando com o ensino online. Conhecemos todos os constrangimentos desta metodologia. Conhecemos a desigualdade desta medida. Sim. São factos. Mas será, também, importante refletir sobre o que de interessante e benéfico tem trazido. Houve hiperatividades e dislexias que “desapareceram”. O défice de atenção baixou os níveis de dispersão e de repente usámos diversificação de instrumentos como se todo o ensino dependesse disso (tantas vezes depende). Tornou-se a norma. E quando se tornou a norma, alguns milagres têm, efetivamente, acontecido.

 

A falta de autonomia dos alunos é um dos aspetos mais mencionados ao longo de todos os ciclos de ensino e, mais flagrantemente, no ensino secundário. Nas avaliações descritivas realizadas é, provavelmente, a palavra mais vezes mencionada como um aspeto negativo e que dificulta tudo o resto. Poderíamos teorizar sobre de onde vem, ou onde começou esta falha, esta necessidade. “Os pais protegem e dão pouca autonomia”; “Os professores dizem exatamente o que é para fazer sem espaço para criar”; “Os professores seguram os alunos com notas para não ficarem retidos”; “A palavra inclusão, com objetivos nobres na sua essência, é demasiada vez deturpada como lógica de levar meninos ao colo”. São estas as hipóteses, ou todas as hipóteses juntas ou nenhuma delas. Cada um terá a sua crença.

 

Pensar a educação num modelo misto (presencial e online) como forma de cruzar e fortalecer competências, principalmente a autonomia, tornou-se, neste momento, absolutamente imperativo.

As plataformas digitais saíram dos armários da escola, das utopias de alguns pensadores, dos papéis e protocolos bafientos. Pensar num modelo presencial direto e um modelo online indireto poderia aproximar mais do que afastar. Poderia responder mais às necessidades individuais e menos a estatísticas e percentagens. No entanto a conta teria de ser bem certa. Para que todos os ingredientes resultassem, em nenhum momento, quase como um nível, um se deveria sobrepor ao outro nas intencionalidades.

 

O mundo é, neste momento (arrisco o sempre) um tabuleiro de xadrez. As jogadas são feitas consoante os números. É um jogo longo, com adiamentos, raramente com empates, onde se tenta encurralar o vírus que é rei. Após o cheque mate, o jogo deverá ser analisado, estudado. Deitar fora os erros depois de os compreender e resgatar as jogadas certeiras para que as portas não se voltem a fechar.

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publicado às 16:06


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