Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
A minha visão sobre Educação. As várias visões sobre Educação e todas as suas (e nossas) variáveis.

Não gosto do politicamente correto. As expressões desta “política correta” são provavelmente das poucas expressões que mais me incomodam e com as quais tenho extrema dificuldade em assimilar e acomodar, precisamente porque considero ser um desequilíbrio. Um desequilíbrio entre ação e pensamento. Somos politicamente corretos porque queremos pertencer a um determinado espaço dentro da sociedade, ou porque queremos assumir uma posição que pareça bem mesmo que não genuína, mesmo que não fazendo parte de nós. Ou porque simplesmente temos medo de represálias.
Existem atualmente e sempre existirão ações que pretendem não melindrar e entrar num círculo cómodo, diria, esterilizado. Comportar e guardar tudo em caixinhas que nos permitam viver e convencermo-nos de que é assim que deve ser. Porque de alguma forma esta forma de funcionar traz-nos uma capa protetora e passível de poder criticar os outros no alto dos nossos pensamentos “irrefutáveis” e ações “trabalhadas” e não sentidas.
O mundo da Educação também não escapa. Está igualmente inundado pelo politicamente correcto. Sindicatos que dizem o que os professores querem ouvir; professores que transitem uma mensagem que os pais anseiam escutar, mesmo que falsa, escolhendo todas as palavras e acabando por não transmitir a realidade; pais que se agarram a teorias de internet e repreendem tudo o que não compreendem ou não encaixe na poção mágica lida. O politicamente correto vagueia e inunda os discursos quer na educação, quer no mundo político, quer nas pequenas e grandes empresas. Aparece como uma tirania educada. É a ditadura dos ofendidos.
Um dos expoentes máximos desta “política” revela-se na forma como tratamos os deficientes físicos nas diversas dimensões da sua vida. Na escola escolhemos as palavras para não melindrar; munimo-nos de toda a condescendência para agir de uma forma que soa tanto a artificial quanto as nossas ações, lembrando-lhes sempre, desta maneira, das suas limitações.
No fundo não há nada mais constrangedor do que não ser genuíno e criar uma personagem. A Educação, especialmente no mundo da Educação Especial, precisa de humor, precisa de tratar as coisas pelos nomes, precisa de murros na mesa mesmo que o menino esteja numa cadeira de rodas, precisa de respeito e tratar o outro como capaz.
Venha o politicamente incorreto para que possamos evoluir.