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A minha visão sobre Educação. As várias visões sobre Educação e todas as suas (e nossas) variáveis.

Não tinha sido um dia fácil. Daqueles inundados de inseguranças. Como quase todas as sextas, naquela idade, íamos sair ao nosso bar de eleição no Bairro Alto. Sentia-me triste. Liguei a um dos amigos que mais me “aturava” nesta altura e que se encontrava no outro lado do bairro. Ele, preocupado vem ter comigo, e digo-lhe as seguintes palavras: “Ó Mike, eu sou gira?” Não há palavras para a reação dele e para as gargalhadas que demos a seguir. “Mas venho eu do outro lado do bairro para tu me fazeres uma pergunta destas?” Escusado será dizer que quando estamos juntos, ainda hoje, entre amigos é inevitável falarmos deste episódio, o qual, eu ainda nego sempre dizendo que ele está exagerar.
Exagera sempre um pouco, mas não deixou de ser verdade.
Há inseguranças determinadas em cada idade, há inseguranças intemporais e há inseguranças pontuais.
Já escrevi uma vez sobre os meus amigos. Para mim são os melhores do mundo. É impagável ter amigos que nos aturam com carinho em situações que podem ser facilmente apelidadas de ridículas (sim, mereci alguns insultos – queridos – por parte do Mike depois dessa noite). Não fossem os amigos, ou as relações que estabelecemos e se calhar ainda duvidava hoje se era gira ou não (o que quer que isso queira dizer). São o nosso espelho, o nosso ombro e o nosso wake up call para nos chamarem à razão ou para simplesmente nos ouvirem nas nossas inseguranças pontuais ou intemporais.
Devo muito aos meus amigos. Quer dizer não devo, eles sabem o quanto eu gosto deles e o quanto sempre estive, e estou presente, também, para ouvir se eram giros(as) ou não.
E sim, a incredulidade dele foi também perante a pergunta descabida e descontextualizada, porque para ele era óbvio que sim. E às vezes bastam perguntas descabidas e respostas positivas para seguir noite dentro a rir.