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A minha visão sobre Educação. As várias visões sobre Educação e todas as suas (e nossas) variáveis.

A minha professora de EVT – Educação Visual e Tecnológica (na altura em que ainda era só uma disciplina) de 5º e 6ºano dizia-nos com frequência a seguinte frase “A nossa liberdade termina quando a dos outros começa”. A frase intrigava-me sempre. Lembro-me que não conseguia perceber bem o que queria dizer e lembro-me que a devo ter usado, nessa altura, em algumas ocasiões porque soava bem e porque fazia-me parecer mais entendida acerca de tudo em geral.
Demorou algum tempo (não sei precisar) até que ela fizesse sentido. Foi preciso algumas vivências e conversas para que percebesse o seu verdadeiro significado.
Recordei-me desta frase a propósito de uma das maiores antíteses que vivi nos útlimos tempos: assistir ao documentário Mulheres do meu pais de Raquel Freire e no domingo ter tropeçado num verdadeiro lixo televisivo, daqueles que de tão boquiaberto que nos encontramos, mal temos forças para carregar noutro botão do comando esquecendo-nos, por momentos, que temos um incontável número de canais.
O documentário Mulheres do meu país faz um retrato contado na primeira pessoa sobre várias mulheres que lutaram contra o preconceito e contra uma definição de mulher que tem vindo a ser desconstruída (e bem) ao longo dos anos. Como tive oportunidade de já ter escrito assistir a este documentário é um dever cívico e partilha-lo um ato de cidadania. Está muitíssimo bem feito. Recompõe-nos e atira-nos com uma total dignidade e com um conceito de amor-próprio que se sente na pele. Senti tudo isto talvez por ser mulher pensei, mas não, não é filme só sobre mulheres para mulheres, é um filme sobre liberdade. Uma prisão que termina quando a nossa liberdade começa.
E depois temos a SIC e temos a TVI e temos todo a antítese do que é a liberdade pela qual tanto se luta e se apregoa. Ao mesmo tempo que queremos educar para uma sociedade mais equitativa através da desconstrução de crenças e hábitos ainda enraizados na nossa sociedade em relação à mulher, surgem, em horário nobre, programas que perpetuam o que tanto se tenta repudiar.
Assiste quem quer, é um facto, mas mexeu com a minha liberdade. E só posso desejar e esperar que a única e unânime reação que possa ter é essa mesma, a constatação que mexe, contorce e aperta liberdades.