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Mulheres do meu país no cinema, na SIC e na TVI

por Maria Joana Almeida, em 13.03.19

 

paisfb.jpg

A minha professora de EVT – Educação Visual e Tecnológica (na altura em que ainda era só uma disciplina) de 5º e 6ºano dizia-nos com frequência a seguinte frase “A nossa liberdade termina quando a dos outros começa”. A frase intrigava-me sempre. Lembro-me que não conseguia perceber bem o que queria dizer e lembro-me que a devo ter usado, nessa altura, em algumas ocasiões porque soava bem e porque fazia-me parecer mais entendida acerca de tudo em geral.

 

Demorou algum tempo (não sei precisar) até que ela fizesse sentido. Foi preciso algumas vivências e conversas para que percebesse o seu verdadeiro significado.

 

Recordei-me desta frase a propósito de uma das maiores antíteses que vivi nos útlimos tempos: assistir ao documentário Mulheres do meu pais de Raquel Freire e no domingo ter tropeçado num verdadeiro lixo televisivo, daqueles que de tão boquiaberto que nos encontramos, mal temos forças para carregar noutro botão do comando esquecendo-nos, por momentos, que temos um incontável número de canais.

 

O documentário Mulheres do meu país faz um retrato contado na primeira pessoa sobre várias mulheres que lutaram contra o preconceito e contra uma definição de mulher que tem vindo a ser desconstruída (e bem) ao longo dos anos. Como tive oportunidade de já ter escrito assistir a este documentário é um dever cívico e partilha-lo um ato de cidadania. Está muitíssimo bem feito. Recompõe-nos e atira-nos com uma total dignidade e com um conceito de amor-próprio que se sente na pele. Senti tudo isto talvez por ser mulher pensei, mas não, não é filme só sobre mulheres para mulheres, é um filme sobre liberdade. Uma prisão que termina quando a nossa liberdade começa.

 

E depois temos a SIC e temos a TVI e temos todo a antítese do que é a liberdade pela qual tanto se luta e se apregoa. Ao mesmo tempo que queremos educar para uma sociedade mais equitativa através da desconstrução de crenças e hábitos ainda enraizados na nossa sociedade em relação à mulher, surgem, em horário nobre, programas que perpetuam o que tanto se tenta repudiar.

Assiste quem quer, é um facto, mas mexeu com a minha liberdade. E só posso desejar e esperar que a única e unânime reação que possa ter é essa mesma, a constatação que mexe, contorce e aperta liberdades.

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publicado às 23:31


3 comentários

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De Maria Araújo a 24.04.2019 às 10:34

Programas que em nada dignificam a mulher, pelo contrário, exigem dela subserviência.
Participa no programa quem quer, provavelmente à procura de uns momentos de fama...negativa.
Vi um ou dois programas, foram suficientes para me afastarem dos canais.
Já agora, pode ,por favor dizer onde viu essa reportagem "Mulheres do Meu País"?
Obrigada.
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De Maria Joana Almeida a 24.04.2019 às 12:02

Olá Maria.

Assisti à antestreia no cinema São Jorge e aguardo que vá para o cinema regular. Mas não lhe sei dizer se sim ou quando. Ainda não fiz uma pesquisa no Youtube para ver se é possível vê-lo por lá. Mas aconselho bastante sim!
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De Maria Araújo a 24.04.2019 às 12:23

Obrigada.
Vou procurar, também, no youtube.

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