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A minha visão sobre Educação. As várias visões sobre Educação e todas as suas (e nossas) variáveis.

Experimentei várias vezes fazer surf. De vez em quando ainda tento. Não me recordo de experimentar (não é que conte com um vasto conhecimento de todos os desportos) algo tão exigente como este desporto. Conseguir nadar para passar a rebentação, acertar no momento de nadar quando se vê a onda e colocar-me em pé na prancha. Para mim é claramente um acontecimento francamente distante.
Li no intervalo de dois dias duas notícias sobre duas crianças que atingiram um patamar de topo com este desporto, a Marta Paço e o Davizinho. A Marta é invisual e o David Teixeira (Davizinho) tem síndrome da banda amniótica, uma má formação nos braços e nas pernas. A Marta ganhou a medalha de bronze no surf adaptado e o Davizinho é vice-campeão mundial nesta modalidade.
Há muito a dizer sobre estes acontecimentos fantásticos e ao mesmo tempo nada a dizer.
Quem costuma ler os textos que escrevo neste blogue conhece a minha aversão à condescendência, especialmente nos casos de deficiência. É a condescendência que nos faz estar no chão e nos impede de levantar. É a diferença entre estar deitado na prancha ou conseguir erguer-se mesmo num meio adverso. E é uma valente bofetada de luva branca (não encontro expressão melhor) olhar para estes incríveis atletas. Atletas que tiveram a sorte de ter vivências e referências que lhes permitiram perceber que o seu potencial não se define ou não se esgota em ter um corpo (em teoria) 100% funcional.
Há um momento no vídeo onde a mãe de Davizinho diz: “Uma vez uma mãe disse-me: Eu nunca deixaria o meu filho ir para o mar fazer surf porque eu amo-o muito. E eu respondi: É por amar muito o meu filho que eu o deixo fazer surf.” e podia fechar este texto com esta frase. Este é um bom exemplo de mãe que eu gostaria de ser: Apesar do medo, corajosa. Porque o amor e amar é um ato corajoso.
Vou fechar este texto com uma frase de Marta Paço: “O mar é justo. No mar sinto-me igual aos outros.”
Seremos uma sociedade mais completa quando a escola, a empregabilidade, a casa, for mais justa. Quem se esforça, quem luta com mais ou menos comprometimento tem de ser reconhecido. Isto é justiça.
Vídeo David Teixeira: https://www.facebook.com/ZLocalHeroes/videos/the-radical-surfer/2158658961115110/