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A minha visão sobre Educação. As várias visões sobre Educação e todas as suas (e nossas) variáveis.

Não, não é um texto sobre o 25 de Abril. Primeiro porque já passou e depois porque não me reconheço com propriedade suficiente para escrever acerca deste dia. O meu entendimento vem de memórias de outros, das memórias da minha mãe, de livros que li e filmes que vi. Construi sentidos e imagens muito bonitas desse dia.
No entanto há cravos nas fotos porque foram tiradas no dia 25 de Abril e porque este é um texto sobre liberdade.
Quando era pequena ouvi vezes sem conta a frase “A nossa liberdade acaba quando a dos outros começa”. Soou durante muito tempo na minha cabeça até que fizesse sentido. Era demasiado abstrata para poder perceber o seu significado.
O conceito de liberdade é provavelmente dos mais difíceis de “ensinar”. Eu já cresci num tempo de liberdades óbvias, conquistadas. O meu mind set nunca conheceu outra forma de ser (sentir na pele é outra coisa). Por ser tão difícil de explicar e de uniformizar, dilui-se em várias conceções. Aqueles cujo a liberdade não se limita no outro: digo por ter a liberdade de o dizer, mesmo que tenha repercussões negativas no outro. Aqueles cuja a liberdade é condicionada pelo grau de confortabilidade do outro: sujeito-me sempre à liberdade do outro. Aqueles que escolhem a liberdade empática: saber escolher o que dizer e a maneira como dizer porque sei ler o outro e reconhecer quando é que a sua liberdade começa e a minha termina.
As liberdades esbarram em diferentes entendimentos, em diferentes formas de educação. Nunca será consensual, porque nenhum contexto é igual. Se passo nos corredores de uma escola há liberdades a serem usadas mesmo que a minha esteja a ser posta em causa. E já sem pensarmos, todos acabamos por compactuar com esta liberdade unilateral. Porque aceitamos que são os (uns) novos tempos. Tempos assim que trazem boas e más liberdades. E há liberdades que dão trabalho. (Até 25 de Abril de 1974 bem sabiam o trabalho que deu)
E ainda assim, pode a liberdade ter limites? Tem inevitavelmente.
Há liberdades sentadas à espera de poderem ser usadas; liberdades que estão bem seguras pela mão e liberdades a preto e branco - aquelas que já se desvaneceram. E nestas liberdades, está aquela (necessária) de escolher alertar para todas as liberdades, que vão para além das individuais. A de quem diz e faz e de quem ouve e sente.