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"Indisciplinai-vos" (sempre)

por Maria Joana Almeida, em 16.09.18

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O início deste ano letivo trouxe um grande e bom desafio.

 

 

No passado dia 7 de Setembro, em conjunto com a Psicóloga Clínica Inês Marques, fui falar sobre Indisciplina no Colégio Vasco da Gama apresentando algumas sugestões e modus operandi fundamentais quando lidamos com alunos mais desafiantes dentro do contexto de sala de aula.

 

 

Quero salientar alguns aspectos essenciais como conclusões desta formação e mais especificamente deste tema:

 

 

Mesma linguagem: Há uma frase muito boa que é, no meu entender, a pedra basilar nas questões relacionadas com indisciplina: “If you aren´t in the arena also getting your ass kicked, i´m not interested in your feedback” e que quer dizer alguma coisa como isto: “A não ser que estejas também no terreno a ser bombardeado eu não estou interessado na tua opinião".

Os professores que lidam diariamente com alunos mais desafiantes e desafiadores sabem bem o desgaste físico e mental que lhes é diariamente exigido e a dificuldade empática de ouvir intervenções de quem não conhece o terreno e simultaneamente as exigências curriculares que são feitas. Já passei, durante muitos anos, por turmas muito exigentes do ponto de vista comportamental (de fim de linha) e sei qual o sentimento quando numa conferência alguém verbaliza muitos lugares comuns, como se da última descoberta mágica se tratasse e com a leveza de quem ouve casos, mas não os sente.

 

 

Equilíbrio funcional – As relações, qualquer relação precisa de investimento. Lidar com alunos desginados “mais difíceis” pode ser encarado como uma qualquer outra relação afetiva. É preciso amassar muito massa, muito “pára arranca” e “avança e recua” até encontrar um equilibro. Mais do que uma turma disciplinada, ou relação perfeita (um conceito que é absolutamente relativo, tal e qual como o conceito Indisciplina) é mais importante falar em equilíbrios funcionais. Aquele equilíbrio encontrado quando um professor se mostra disponível emocionalmente para ser líder daquele grupo, seguro dos desafios a que está exposto e do seu papel social fundamental.

 

 

Empatia: Nós somos muito mais do que só professores, somos modelos sociais. Se eu encarar uma turma apenas como um conjunto de alunos a quem me pagam para debitar matéria e estarem calados, eu vou passar uma imagem de que todos são só mais um e que não tenho mais nenhuma responsabilidade para com aquele grupo de pessoas. Negando assim os vários papéis sociais que inevitavelmente desempenho. Sem empatia, ou sem qualquer preocupação de conhecer a história e os background dos meus alunos eu não vou ter sucesso na minha profissão. Sem amor, sem paixão, ninguém ensina e ninguém aprende ponto.

 

 

Rasgar protocolos – “Pedagogia é aquilo que resulta”. Ficar preso apenas a uma forma de ensinar; às mesmas ferramentas e forma de encarar o ensino é manifestamente pouco para as exigências atuais. Flexibilidade é necessário. Não considero que “fazer pinos” e comportamentos floreados sejam a resposta para lidar com turmas difíceis, (atitudes não sentidas são automaticamente sentidas pelos alunos). O professor tem de estar ciente, dentro da sua “mala de ferramentas” e sem desvirtuar a sua própria personalidade, da sua turma e daquilo que resulta mostrando quem é e o que pretende. Qual o seu “regulamento interno” independentemente de existir um regulamento interno na escola. Um murro na mesa e uma liderança forte que não nivele por baixo, cumplicidade bem como uma boa dose de sentido de humor podem fazer milagres.

 

 

Quadrados, círculos, rectângulos… - Ter a consciência que quando planeamos uma aula e imaginamos o “quadrado” perfeito que é essa aula (porque os alunos não são os que imaginamos mas aqueles que temos) esquecemo-nos que, numa metáfora “cubista” à nossa sala, há várias formas de assimilar informação. Há círculos, triângulos, quadrados, rectângulos e outras formas muito próprias. Encaixar quadrados em todos não é possível.

É importante perceber que, por exemplo, quando um aluno se recusa a fazer um trabalho ou vai para debaixo da mesa, ou arranja uma forma “indisciplinar” de boicotar esse trabalho não tem como objetivo atingir o professor, o aluno pode, não saber fazer esse trabalho e sendo-lhe difícil verbalizar publicamente, um comportamento disruptivo é para si uma solução. 

 

 

Conversa de bastidores: Os minutos que um professor fica no final da aula ou nos corredores, recreio (bastidores), uma vez, duas vezes, as vezes que forem precisas está, ao invés de perder tempo (como já ouvi alguns professores verbalizarem),  a ganhar tempo na relação afetiva que é necessária nos alunos mais desafiantes. E está, claramente a passar uma mensagem de que aquele aluno não é mais um. Que não estão em equipas opostas. E que conhece-lo e conhecer as suas motivações interessa-lhe.

 

 

Isto dá trabalho. Dá. Dá muito trabalho. Qualquer relação para ser boa, suficientemente boa dá.

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publicado às 14:15



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