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A minha visão sobre Educação. As várias visões sobre Educação e todas as suas (e nossas) variáveis.
"Eu só sei desenhar aquilo que vejo" - Luís
“ Desenhos estereotipados são um entrave no desenvolvimento da criatividade de crianças de educação infantil. Inibem a possibilidade de expressão subjetiva; tiram, muitas vezes, a única oportunidade que a criança tem de expressar o que sente e percebe de si e do seu entorno. E estes desenhos existem aos milhares na internet, ou seja, uma situação cada vez mais difícil de “fugir”. Se não é a escola quem oferece estas imagens estereotipadas, é a família que nem percebe que isso é desaconselhável.” EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires - Año 19 - Nº 193 - Junio de 2014
Tenho escrito sobre Educação alertando para situações que carecem de mudança; congratulando medidas e profissionais que admiro e que devem ser divulgadas(os). Hoje decidi escrever sobre um tema, ao qual muitas vezes não é dada a devida importância e que traz, no meu ponto de vista, consequências muito negativas.
É comum entrarmos numa escola, especialmente no Pré-escolar e 1ºciclo, e vermos espalhados, em fila, nas paredes das escolas, desenhos ora sobre a primavera, ora sobre o são Martinho, ora sobre outro tema que faça sentido fazer um desenho. Criar um desenho é provavelmente dos trabalhos mais pedidos em sala de aula e os mais imediatos. O desenho, como forma de expressão subjetiva, faz parte do crescimento físico e, principalmente, do desenvolvimento cognitivo e emocional da criança. O seu poder e capacidade de desenvolvimento pessoal e social vai muito para além do que é hoje, no meu entender, valorizado pela escola.
Sou uma defensora da utilização de processos de expressão através de vários canais de comunicação: artes plásticas, música, expressão dramática, entre outros. Tive a oportunidade de realizar formações na área e perceber o impacto positivo que têm nos indivíduos e especialmente em crianças com ou sem NEE que encontram, através de outros canais de comunicação, uma forma de expressão e de diálogo que nos permite chegar até si.
Não sou apologista e considero antipedagógico o uso excessivo de bonecos e desenhos estereotipados onde o único ato expressivo da criança é pintar dentro de contornos desenhos iguais, todos iguais, para personalidades e vivências diferentes.
Quando entregamos a uma criança o contorno de uma boneca, ou um boneco com caraterísticas muito “perfeitas” com um determinado tipo de pele, determinado tipo de roupa e feições, estamos, subliminarmente, a passar mensagens perigosas. Estamos a criar ou a cristalizar estereótipos sociais passando a imagem de que a menina e o menino deverão ser assim. Da mesma forma quando pedimos para desenhar uma nuvem entregando uma forma pré estabelecida e usando a cor azul, estamos a assumir um único formato e cor possível para representar uma nuvem. Ao encararmos assim este processo estamos a condicionar a expressão individual obrigando a criança a corresponder a uma imagem criada que não é a sua. Em última instância não estamos a responder a um dos papéis fundamentais do professor/educador que deve ser, também, a quebra de estereótipos ajudando os seus alunos a olhar o mundo através dos seus próprios olhos criando um espaço na sociedade onde possa agir e comunicar com a sua própria identidade sem o fechar em contornos.
Em muitas ocasiões, sem quase nos darmos conta, entramos no jogo das competições entre os trabalhos desenvolvidos pelos alunos. Os pais, muitas vezes massacrados com o pedido de desenhos e trabalhos manuais, não querendo defraudar as expetativas do professor ou até mesmo do filho, acabam por realizar quase todo o trabalho. Apressam o processo pela falta de tempo colocando elementos que o possam valorizar ainda mais boicotando, ingenuamente, um momento de comunicação, de partilha de ideias e estimulação da criatividade onde reside o verdadeiro valor destas atividades.
É importante não esquecer que o nosso posicionamento em sociedade revela as ideias e princípios de que nos vamos apropriando ao longo do nosso crescimento. Se nos é vedada a possibilidade de também crescermos através da nossa expressão individual, dificultamos o desenvolvimento de um pensamento divergente, essencial para a nossa capacidade de inovar.
PS: Quero agradecer a Aurora Torrodão e Maria Socas por me terem ensinado, através de maravilhosos exemplos, esta necessidade de permitir que a criança se expresse por si. “Não faças tu o modelo único para a criança, deixa-a criar” Obrigada