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Do lápis ao Ipad

por Maria Joana Almeida, em 14.05.18

wordle_technology.jpg

 

 

 

“Hoje pedimos aos nossos alunos que, quando entram na sala desliguem, saiam do nosso tempo e entrem na Idade Média" foi uma das frases de João Couvaneiro no último encontro sobre Educação que estive presente.

 

É uma frase bastante sugestiva sobre o uso de tecnologias em sala de aula. Embora seja cada vez mais comum a utilização de tecnologias nas escolas (não falo só dos computadores, quadros interativos e livros digitais mas também na utilização de telemóveis como atividade pedagógica e de ipads ao invés de caderno e caneta) sabemos que existem alguns profissionais da velha guarda que não vêem como uma mais-valia a utilização de algumas tecnologias resistindo à sua utilização apelidando-as de desnecessárias, distratoras e contraproducentes para a atenção e concentração necessária que uma aula exige. A verdade é que, não colocando de parte em nenhum momento as competências importantes por detrás da continuação da utilização do papel, livros e caneta e lápis, não é de todo possível negar a evolução constante das novas tecnologias (lembremo-nos que estamos na era em que é possível imprimir casas) e que negá-las, ao não serem incorporadas na dimensão escola renegando-as para alguns momentos e como disciplinas de 45minutos é, numa metáfora pertinente, chamar para dentro da sala de aula uma nova idade média que não tem continuação nem reflexo nas nossas sociedades, nem nos constantes novos desafios que o futuro trará.

 

A propósito deste tema, o jornal Público publicou recentemente uma notícia onde podemos ler: “Uma previsão do Fórum Económico Mundial diz que quatro em cada cinco crianças que entram hoje na escola terão empregos que ainda não existem.” a primeira pergunta (e bastante pertinente) do meu sogro quando leu este pequeno parágrafo foi: “Como se preparam crianças para empregos que não existem? O que trabalham?” Pensei imediatamente na necessidade de trabalhar o pensamento crítico por ser, na minha perspetiva, a competência mais importante e transversal não só para o mundo laboral, mas para a nossa capacidade de ultrapassar dificuldades em geral. A notícia continuava: “Não sendo possível prepara-los com base num currículo para um conteúdo que nem sequer existe, como se faz? Trabalhando-lhes a resiliência, o pensamento crítico, a capacidade de organizar, construir e discernir. “

 

É nesta resposta que reside aquilo que de mais importante a escola tem de oferecer e uma das suas maiores competências e desafio atual.

 

A capacidade do ser humano para produzir e reinventar parece ser ilimitada resultando em infindáveis “possibilidades tecnológicas” e tem de ser papel central da escola responder e acompanhar este desafio. Por um lado preparar os alunos para esta realidade ao mesmo tempo que ajuda a refletir sobre as duas faces da mesma moeda, relembrando de onde vimos, o que evoluímos e o que pretendemos para o nosso futuro. Um futuro que será escassamente feito de papel, caneta e lápis mas sim através de constantes novas tecnologias que vão redesenhar o nosso mundo com um novo tipo de comunicação e desafios.

 

Notícia Público: (https://www.publico.pt/2018/05/14/sociedade/noticia/gulbenkian-tem-25-milhoes-de-euros-para-chegar-as-organizacoes-do-portugal-real-1829662) 

 

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publicado às 21:06


2 comentários

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De P. P. a 14.05.2018 às 22:27

Excelente artigo.
Excelente mesmo. Parabéns!

Como gostava de ter um tablet por mesa por forma a levá-los, por exemplo, a usar o Geogebra. Vejo o ensino, nos nossos dias, numa associação entre as tecnologias, que não podemos ignorar, e o caderno/lápis/caneta. Estimulemos as diferentes formas de aprender!

Sapo blogs eis um artigo que merece destaque.
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De P. P. a 14.05.2018 às 22:32

Sapo Blogs eis um excelente artigo para destaque.

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