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A mulher é para estar onde mesmo?

por Maria Joana Almeida, em 05.03.19

Assembleia.jpg

"A mulher gosta de se sentir útil, de ser a retaguarda e de criar a estabilidade familiar, para que o marido possa ser profissionalmente bem sucedido. Esse sucesso é também o seu sucesso! Por norma, não se incomoda em ter menos rendimentos que o marido, até pelo contrário. Gosta, sim, que seja este a obtê-los, sendo para si um motivo de orgulho. Porquê? Porque lhe confere a sensação de protecção e de segurança. Demonstra-lhe que, apesar de poder ter uma carreira mais condicionada, pelo facto de assumir o papel de esposa e mãe, a mulher conta com esse suporte e apoio do marido, para que nada falte." Disse Joana Bento Rodrigues num artigo para o Observador.

 

Sem qualquer exagero li o texto na íntegra três vezes na esperança de encontrar o momento em que Joana Bento Rodrigues ia, no meu entender, começar a falar a sério.

 

Começar por dizer “o que mais me chocou” num texto que a todo o momento só nos deve chocar é estar a ser simpática. Mas no meio de um manancial digno do livro dos anos 50 “A perfeita dona de casa”, chocou-me verdadeiramente o discurso repleto de assunções absolutas num relato quase semelhante ao National Geographic. A autora descreve a mulher como um exemplar único, unilateral, de costumes e rotinas bem definidas.

 

O texto avança com um contínuo de incredulidade (da minha parte) para finalizar com uma opinião relativamente à lei da paridade que implica, por exemplo, a utilização de quotas para facilitar a existência de uma maior representatividade dos “dois géneros” em cargos políticos.

 

Aqui chegamos a um ponto onde conseguimos encontrar algum consenso, não que ache que a Lei da Paridade seja disparatada, mas pela excelente descrição do escritor Nelson Nunos (Público) “(…) tenho as minhas reservas em relação à Lei da Paridade, apenas por achar que pode ser pouco meritória. Mero exemplo: se uma equipa tiver dez mulheres talentosíssimas e dez homens que ficam a dever fortunas à inteligência, temos de despedir cinco mulheres apenas para que os sexos fiquem igualmente representados? Estaremos a abdicar de talento em prol de representividade.”

 

Mais preocupante do que este discurso de Joana Bento Rodrigues é o momento em que surge. Não bastava estar com 50 anos de atraso como também evoca a exclusividade de uma única definição de mulher numa atualidade marcada por inúmeras denúncias de violência doméstica na maior parte dos casos contra as mulheres. Não Joana. Não há problema nenhum em a mulher estar em casa, ser só mãe, viver dependente do marido se essa for sua escolha, consciente, assim como não há problema nenhum em a mulher não querer ser mãe, querer ter uma carreira e ser uma mulher independente. Neste nosso reino, quando a decisão é consciente, há espaço para tudo.

 

Concluo este texto com a contra resposta, também no Observador de Ruth Manus. Este sim. Este vale a pena ser partilhado. “Acho realmente inacreditável que haja mulheres que estudam, que trabalham, que votam, que se filiam a partidos, que escrevem em jornais, que podem se divorciar quando quiserem e que, ainda assim, se digam “anti-feministas”. Quem conquistou todos esses direitos para vocês? O Mickey Mouse? Minha querida, se você tem uma carreira consolidada e espaço para se manifestar, você está usufruindo de conquistas feministas. Caso contrário você ainda estaria fritando croquetes em casa.”

 

 

PS: A foto escolhida não tem qualquer aspiração a nada, nem qualquer tipo de presunção. Nada. É apenas uma óptima imagem do título deste texto.

 

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publicado às 13:50


12 comentários

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De Tudo Mesmo a 05.03.2019 às 14:00

A sério?! Quem é esta Senhora Joana Bento Rodrigues? De todo desconhecida para mim. E, pelo discurso que faz, não perdi absolutamente nada. Tive que ir à net ver quem é. Li algum texto de "corrida" e, na minha opinião, ela estaria melhor em casa a fritar croquetes do que tentar relevar um discurso que no mínimo está super fora de contexto. Estaria bem enquadrada no tempo da pré-história!
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De Cristina a 05.03.2019 às 16:42

Como mulher, obrigada por este post.
Ele foi destacado, mas o link está a dar erro. Fica o alerta.
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De Maria Joana Almeida a 06.03.2019 às 10:01

Olá Cristina. Pois, ainda não percebi o que aconteceu. Quis partilhar no meu facebook mas ao que parece alguém denunciou o conteúdo como abusivo..e a partir daí o post foi apagado. Tive de criar outro com um título diferente. Já contactei ambas instituições para perceber exatamente o que se passou. Obrigada!
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De Pedro Neves a 06.03.2019 às 13:44

Olá Maria Joana,
O destaque ficou partido porque quando agendámos o destaque o post apresentava outro endereço (o endereço é alterado quando o título do post é editado). Atualizámos o destaque quando percebemos que o endereço do mesmo estava partido :)
Em relação ao Facebook, este serviço tem vindo a bloquear nas últimas duas semanas vários blogs alojados no SAPO, por motivos que desconhecemos. Ou seja, o seu blog não é o único nessa situação. Recomendamos entrar em contacto com a equipa de apoio ao cliente do Facebook para saber mais sobre esta questão.
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De Anónimo a 06.03.2019 às 19:43

Obrigada pelo esclarecimento🙂

Assim o farei.
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De Maria do Carmo Gomes da Silva a 11.03.2019 às 18:37

Já vi que a avisaram do que se está a passar. O face não está a bloquear apenas blogues do sapo , o meu é do wordpress e foi bloqueado. Acho que anda gente organizada a denunciar blogues de professores que criticam o que se anda a passar em relação à contagem do tempo de serviço. Só pode. O meu blogue foi entretanto desbloqueado. Comentei noutro artigo , no artigo delicioso intitulado "Um ano" mas esqueci-me de me identificar ficou anónimo., mas expliquei o que pode tentar fazer.
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De Maria Joana Almeida a 11.03.2019 às 22:57

Olá Maria do Carmo, muito obrigada pelas suas palavras e pelo aviso.

Pois de facto já contactei o facebook para perceber o que poderia ter acontecido. Vou fazer o que me disse.

Mias uma vez obrigada.
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De Maria do Carmo Gomes da Silva a 12.03.2019 às 22:36

Boa noite, felizmente já foi desbloqueada. Continuação de bom trabalho. Gosto muito do seu blogue.
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De Anónimo a 05.03.2019 às 20:03

Maria Joana Almeida, veja lá a vida da senhora e verificará que é tudo menos o que ela descreve. Essa história da mulher gostar de ganhar menos que o marido, e tal e coisa, e outras coisas, são tudo menos a vida dela. Ela é a mulher dos 7 instrumentos: assistente na Faculdade, política, empresária (ganhou recentemente um concurso público), médica à distância, médica em presença em várias instituições, aceite recente para um doutoramento... o marido é medico de clínica geral numa unidade de saúde.
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De Maria Joana Almeida a 06.03.2019 às 10:02

Então nesse caso ainda mais estranho o que escreveu. Muito honestamente não compreendo e acho um discurso muito perigoso. Se a mensagem a passar não era essa então errou redondamente.
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De Amarelinha a 06.03.2019 às 22:15

Tive que recorrer ao Google, para saber quem é Joana Bento Rodrigues. Não sabia.
Alguém que se formou em 2007, é jovem demais para as afirmações que faz. Estará a debitar o que a mãe lhe ensinou? Mesmo para a idade da mãe dela, uma tal opinião é significativo afastamento da realidade. Costumo ser mordaz com as Senhoras Finas. Coloco-as numa gaveta para "dondocas". Eu sou mulher de trabalho. Mal paga. Mulher, mesmo.
Regressando à Dra. Joana, e ao seu currículo, parece-me alguém que tem sido capaz de aproveitar todas as oportunidades que lhe bateram à porta - uma mulher de carreira - alguém que é a antítese dos conceitos que debita.
Detive-me sobre a sua vertente ortopedista, e a sua pós-graduação em Avaliação do Dano Corporal. Neste tempo de assassinatos domésticos, e violência sobre as mulheres, parece-me que o que ela pretendeu transmitir foi um "portem-se bem, para eles não vos baterem". É apoucar as mulheres. É tristinho e lamentável.
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De Anónimo a 11.05.2019 às 09:56

"Estará a debitar o que a mãe lhe ensinou?"

Não. Está a cumprir a agenda política do TEM:

- Cristas votou a favor das quotas. Este ataque é-lhe dirigido 1º que tudo.
- Não será coincidência a demissão de Mesquita Nunes passado pouco tempo.
- Manuel Monteiro precisava desta visibilidade, se quer voltar a ser líder. Tem dado frequentemente o seu apoio ao TEM. Convém que o TEM cresça dentro do partido.

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