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A minha mãe, a Fátima, faz anos hoje.

por Maria Joana Almeida, em 30.09.18

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O escritor Luís Osório escreveu recentemente um livro chamado “mãe, promete-me que lês”. Achei muito bonito. E acho também que, se possível, as homenagens devem ser feitas enquanto estamos juntos. E que as pessoas não têm naturalmente apenas lados maravilhosos e na maior parte dos casos não faz mal.

 

 

A minha mãe é muita coisa e são muitas as coisas que sinto com ela. É possível num momento ambas chorarmos a rir com algo que fazemos ou dizemos, como noutros momentos discordarmos convictamente de pequenas coisas. Há ainda outros momentos onde sentimos uma enorme preocupação, maior do que nós e que nos leva de novo a juntar tudo o que há de bom e esquecer aquilo que efetivamente são: pequenas coisas.   

 

A minha mãe chateia-me muitas vezes e eu a ela. Só que eu acho sempre que é unilateral, que eu nunca a chateio.

Às vezes zangamo-nos. E às vezes não me apetece atender-lhe o telefone. Mas se a minha mãe não me ligar um dia, eu ligo a pedir satisfações porque o dia já não é igual. No fundo ligo porque se tornou, inconscientemente impossível, não sabermos diariamente uma da outra, mesmo que a conversa seja 10 segundos porque estou a tratar da Maria Luísa.

 

A minha mãe tem muita gente que gosta dela. Muita mesmo. E isso deixa-me feliz. Porque a minha mãe, apesar de muitas contradições que temos (naturais), tem um coração do tamanho do mundo. Também tem o coração muito perto da boca o que por vezes causa alguns dissabores. Às vezes tem de se lembrar de o pôr no lugar dele.

 

A minha mãe é vaidosa e era uma mulher muito bonita. Para mim ainda é.

 

A minha mãe é parecida com a minha avó. Não faltará nada a ninguém enquanto estiver por perto. E a quem vem por bem ainda menos.

 

A minha mãe é muito engraçada a contar histórias. Especialmente a mim e ao meu pai e com quem se sente à vontade. Sente-se confiante e consegue fazer-nos rir muito. Ao ponto de eu ter de partilhar as mesmas histórias com as minhas amigas que conhecem bem a D. Fátima e a sua habilidade na cozinha. Rimos muito. E eu fico orgulhosa, de coração cheio.

 

A minha mãe preocupa-se muitas vezes, demais. Mas eu sei que é porque ama demais. Uma vez perguntei-lhe. “Como é ser avó?” ao qual me respondeu “É maravilhoso, mas sinto sempre duas coisas que não sei separar, uma enorme felicidade e ao mesmo tempo uma enorme preocupação”.

 

Às vezes acho (muitas vezes) que a minha mãe devia valorizar-se mais e não ter medos. Tem muito de bom para dar e todos nós sabemos. Às vezes demasiado bem.

 

A minha mãe é muito importante para mim, e ela sabe. Podia nunca dizer nada disto (do que escrevi) e no entanto eu sei que ela sabe que é verdade.

 

Um dia, depois de estarmos alguns dias chateadas (demora pouco tempo sempre) escrevi-lhe uma mensagem “Se um dia a Maria Luísa gostar tanto de mim como eu gosto de ti ficarei muito feliz”.

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publicado às 13:00


2 comentários

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De P. P. a 01.10.2018 às 15:03

Muito bonita a tua mãe.
Felicidades a ambas.

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