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A escola educa e/ou ensina?

por Maria Joana Almeida, em 07.04.19

bicla.jpg

A propósito de um texto de uma amiga minha (que partilho aqui no final deste texto) tive uma discussão/reflexão sobre a dicotomia entre a escola que educa e a escola que ensina. Se há algum tempo atrás considerava que existia uma linha clara de separação entre ambas atualmente acho muito pouco provável ou se não impossível colocar ambas em caixas absolutamente separadas.

 

Há atividades que são da escola e não da família? Há. Há atividades que são da família e não da escola? Também. Mas também há um espaço onde inevitavelmente ambas se tocam e não há nenhum problema com isso.

 

Um dos projetos mais interessantes implementados nas escolas é o Desporto Escolar. Este projeto permite a todos os alunos a possibilidade de poder experimentar vários tipos de desporto. Modalidades que, em muitas situações, milhares de alunos não poderiam experimentar. Não seria bom serem experiências em família? Sim. Mas se por um lado permitem vivências que poderiam não ter espaço no seio familiar  permite, por outro lado, criar o gosto por determinada modalidade e continuar através da família.

 

Aprender a andar de bicicleta faz parte das memórias infantis de muitas crianças. Eu aprendi a andar de bicicleta com o meu pai. O meu tio tinha-me oferecido uma BMX encarnada e cansava o pai rua abaixo, rua acima. Não foi fácil, ainda tive de usar quatro rodas por algum tempo, até que duas finalmente bastaram. Recordo-me destes momentos e recordo-os em família. Mas eu tive a sorte de me terem oferecido uma bicicleta, dos meus pais o poderem fazer e de saberem a importância de promover esta aprendizagem e de outras sem ser preciso o empurrão da escola.

Na escola lêem-se histórias e isto não retira os momentos de ler histórias em família, complementa, e em muitos casos promove esta atividade. Recordo-me bem da reciclagem, a escola foi o principal meio de educar para uma utilização mais responsável e trouxe para casa de muitas famílias esta consciencialização.

 

A escola é responsável, por inerência, de educar para uma sociedade mais responsável devendo ser cada vez mais um espaço de reflexão e pensamento crítico (tenho dificuldade em pensar a escola num espaço que apenas transmite conhecimentos). Não pretende, nem deve pretender sobrepor-se a momentos que devem ser de família mas sim a potenciar e a complementar aprendizagens que também são em família.

 

Numa sociedade que apregoa mais sustentabilidade, uma forma de vida cada vez mais saudável e onde em cada vez mais locais se fomenta a utilização de bicicletas como meio de transporte diário, inclui-la no currículo não nos deverá chocar ou fazer achar que rouba aprendizagens que devem ser no seio familiar. Por essa ordem de ideias quantas atividades e experiências teria a escola de se negar a fazer diariamente por poderem ser consideradas atividades de família. E quem traça o limite? Não existe porque há, naturalmente, um espaço comum. Aquele espaço que coloca escola e família de mãos dadas pois são ambas, no seu equilíbrio e complementaridade que educam uma criança.

 

(https://www.publico.pt/2019/03/31/sociedade/opiniao/criancas-bicicletas-escola-liberdade-1867458)

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publicado às 23:31



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