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5 perguntas, 5 respostas com David Santos (Noiserv)

por Maria Joana Almeida, em 06.11.20

david santos certo.JPG

 

Ouve Radiohead todos os dias. Dire Straits e Pink Floyd em momentos de maior ansiedade para aligeirar os tempos pandémicos. É muito comunicativo nos concertos e ainda bem. É pragmático, mas emotivo, tem em conta a volatilidade do seu meio. Responde a todos os mails e mensagens que recebe. Faz questão. Três cidades na Turquia fazem parte das lista das cidades que mais ouve Noiserv, facto curioso para o qual não tem explicação . Há sempre um certo nervosismo e insegurança (normal) que o ajuda a equilibrar a sua carreira. Sente mais responsabilidade do que qualquer vaidade. Não projeta sonhos nem o futuro mas vai atrás da vida a acontecer. Tem uma sonoridade melancólica, bonita, cativante, profissional e já amplamente conhecida.

É o David Santos. Tem 38 anos, estudou no Técnico em no Curso de Eletrotécnica e computadores mas este entusiasmo pela música e por compor paralelo foi ganhando mais terreno e importância e é hoje Noiserv.

 

Obrigada David

 

1 – Não te vou perguntar porquê Noiserv, já o deves ter explicado várias vezes noutros espaços (eu depois procuro). Mas interessa-me que fales deste projeto. A música, foi-se desdobrando e acontecendo em paralelo na tua vida de estudante na faculdade. Neste caminho paralelo houve um momento onde decides seguir só a música. Quando foi o click?

 

Existiram vários momentos na verdade. A vida vai acontecendo, e dia-a-dia vamos tomando pequenas decisões que anos mais tarde parecem enormes. Talvez essas pequenas decisões tenham tomado um peso mais sério quando algures em 2007 pedi à minha “chefe” na Siemens, onde trabalhava, para ficar apenas em part-time porque precisava de tempo para gravar um disco, queria ter um disco nas lojas, pelo menos tentar. Na altura, ela disse-me que isso era contra as regras da empresa e que não seria possível, optei por me despedir. Voltei à faculdade, fiz o mestrado, segui na faculdade com uma bolsa de investigação. Algures em 2012, não renovei a bolsa e fiquei apenas com a música.

 

 

2 – Tu sentes-te artista? Ou sentes-te artista numa definição muito própria tua? Como é que te defines?

 

Não te sei responder em concreto. Acho que sou uma pessoa que gosta de fazer coisas, e de lutar por elas. Gosto de estar sempre a pensar e inventar qualquer coisa. Gosto de me entusiasmar e concretizar. Gosto muito de música e de me emocionar com ela.

 

 

3 – Disseste-me uma coisa muito interessante durante o tempo que conversamos, qualquer coisa como “uma pessoa que tira tempo da sua vida para me escrever merece que eu responda” Quando ouvi lembrei-me de pensar que tu tens os pés bem assentes na terra. É uma afirmação importante e revela muito sobre ti. A música mudou-te ou, pelo contrário, o que tu levaste para este projeto é o que faz dele o que é?

 

A única coisa, e que grande coisa, que a música me mudou foi um sentimento de concretização, até de algum orgulho maior em mim próprio e naquilo que as pessoas dizem gostar que faço. De resto, sou igual, nunca deixaremos de ser humanos, não voamos, não somos maiores que ninguém, podemos, ou não, ter a sorte de nos darmos mais às pessoas, mas só depende de nós.

 

 

4 – Não te pergunto sobre o futuro, sonhos e ambições, pois tal como eu, afirmaste não o conseguir fazer. Como está o teu presente? Estás onde queres estar?

 

Musicalmente falando, cada disco novo é um enorme “teste” para quem o fez, por todo o feedback que tenho tido, acho que este disco passou o teste e isso deixa-me inevitavelmente muito feliz. O futuro será sempre o mesmo, continuar a fazer o que mais gosto enquanto faça sentido para mim e para quem me ouve. E mais importante que tudo, nunca deixar de tomar as pequenas decisões que daqui os anos parecerão gigantes.

 

 

5 – Esta última pergunta é inevitavelmente ligada à Educação. Confesso que andei aqui um pouco às voltas para fazer um cruzamento entre a música, como arte educativa e o estado da Educação, mas não o vou fazer. Pergunto-te diretamente: da tua experiência e do que observas, o que achas da Educação em Portugal? Qual a tua sensibilidade sobre o assunto?

 

Teria de estar mais por dentro do assunto para te dar uma opinião objectiva. Apenas te consigo dizer, que ainda hoje me lembro dos “melhores” professores que tive enquanto adolescente, e acho que foram cruciais para tudo aquilo que sou hoje. Sou contra os modelos fechados de educação, o que torna cada professor especial é a sua forma única de chegar a cada aluno. Sobre a cultura na educação, acho que peca por pouco, não é suficiente uma peça de teatro por ano, a cultura são emoções e é isso que todos precisamos de valorizar para sermos mais dedicados a nós e a todos os que nos rodeiam.

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publicado às 22:16


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