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"Rankings" (8 da série Ilustra)

por Maria Joana Almeida, em 24.05.21

Screenshot_20210521_215635.jpg

 
Hoje, nas notícias, alguém gritou pela manhã "a minha escola é melhor do que a tua". Hoje alguém quis, novamente, deixar plantada, consciente ou inconscientemente, a ideia de que a escola melhor é a escola de um único critério. O critério da seriação.
 
Hoje alguém gritou que a escola que se preocupa com o João porque a mãe sofre de violência doméstica e coloca as notas na caixa dos palavrões não é uma boa escola.
 
Hoje alguém gritou que a escola em que os professores protegem alunos de agressores e voltam a colocar as notas na caixa dos palavrões não serve.
 
Hoje, mais uma vez, deixou-se crescer a erva daninha que teima em enganar o que pode ser uma boa escola. Que teima em perceber que às vezes, tantas vezes, é preciso parar e tempo para curar e voltar a tirar as notas da caixa.
 
#martanunesilustra

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publicado às 22:05

Dia da mãe (há 3 dias)

por Maria Joana Almeida, em 06.05.21

mae.jpg

 
O meu pai (fiel e orgulhoso leitor dos meus textos) pediu-me para escrever no dia da mãe.
 
 
Comprei este livro numa livraria maravilhosa em Bruxelas quando estava grávida da Madalena e quando ainda tinha a minha primeira casa. Não era uma casa. Foi uma fortaleza. Em tudo.
 
Num dos dias da mãe, almoçamos no Avillez no Chiado. Provamos os seus croquetes e disseste, com uma certa evidência vaidosa no olhar: "os meus ainda são melhores". Sorrimos triunfantes. 
 
Jantamos num Goês e amaste. Estavas sempre pronta a experimentar tudo. A comida era, é, um universo de amor.
 
Não te poderei oferecer nenhum presente hoje. E este dia é particularmente filho da mãe porque não posso sentir-me em casa. É como se estivesse numa rua vazia, sem nada para me conter, sem um espaço para me sentar, sem um rosto para olhar. Sem o meu colo para me deitar.
 
Talvez, acredito que certamente, o maior presente que te poderei dar, aquele que me pode ajudar a manter a casa mais preenchida é o amor e a vontade perante a vida que sempre tiveste. A maneira como te deixavas arrebatar pela vista nas Azenhas do mar, no Douro, na Madeira. Como quase choraste no ballet contemporâneo a que te levei no Teatro Camões (queria ter-te contado como me senti na peça que fui ver há pouco tempo no Dona Maria). Como te emocionavas perante a beleza. Era absolutamente inspirador e reconfortante.
 
Já doente, disseste: "Dava-me algum jeito morrer agora, tenho mais que fazer!" 
Este amor à vida (que Camus tão bem escreveu). O sentido de humor perspicaz, às vezes cáustico, às vezes negro, mas sempre pronta para pôr a vida em sentido. Olha-la nos olhos, para a enfrentar. 
 
Tenho tudo isso mãe. É de ti.
 
E quando chega o final do dia, numa espécie de dever cumprido, sinto-me um pouco em casa. Oiço o "És tão bonita" e imagino o teu olhar a brilhar.
 
Este é o presente que te posso dar.

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publicado às 09:21


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