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A minha visão sobre Educação. As várias visões sobre Educação e todas as suas (e nossas) variáveis.

A frase: “É preciso uma aldeia para criar uma criança.” foi perdendo força e sentido pelas mudanças, inevitáveis, ao longo dos anos. As aldeias são agora cidades que têm outros ritmos e prioridades impostas que dificultam um sentido de comunidade que permita um maior olhar e cuidar do próximo.
A atualidade reveste-se de um panorama muito desolador. Imagino que a primeira curiosidade (legítima) quando acordamos de manhã é saber o número de infetados com Covid 19, em Portugal e no Mundo. Não é uma curiosidade mórbida, apenas um ato que nos permite algum controlo, com um pé dentro e outro fora da realidade, fora deste isolamento profilático ou quarentena.
O que era tão distante tornou-se numa realidade ao lado de casa. Aquilo que poderia parecer, à partida, ficar confinado a um espaço, galopou fronteiras, invisivelmente, deixando um rasto de caos pessoal, social e económico.
Neste momento de total reorganização de mentalidades há quem não ceda ao pânico, ao medo, mas também quem não ceda ao bom senso. A verdade é que não conhecemos isto. Não reconhecemos este espaço em que vivemos, uma espécie de ensaio sobre a cegueira, aqui, à porta de nossa casa. No entanto, no meio de tantos erros que podemos apontar aos dirigentes governamentais, o momento é absolutamente apartidário, e é também um momento de construção, mais do que crítica gratuita, um momento de humanidade, de comunidade e introspeção que nos passa habitualmente ao lado, a reboque do passo apressado diário. E é quando tudo pára que deve ser só isto que resta.
É por isso que para cada pessoa que leva amplamente mais do que a sua despensa pode armazenar, que existem 10 que levam as compras essenciais e em conta aos seus vizinhos que se encontram limitados e nos grupos de risco. Por cada pessoa que vai a um bar no Cais do Sodré, existem 10 que utilizam os seus alojamentos locais para que profissionais de saúde possam fazer o seu corajoso trabalho (não há melhores palmas do que estas). Por cada pessoa que assobia para o lado existem 10 médicos de outras áreas que se disponibilizam, aos seus amigos e conhecidos, publicamente para tirarem dúvidas de modo a não entupir a linha saúde 24 e por cada pessoa que critica cegamente todas as medidas tomadas publicamente existem inúmeras que reinventam ideias, iniciativas num total processo de construção para melhor lidarmos com este isolamento. E por cada notícia falsa, existem cadeias criadas para repor a verdade.
Não temos por hábito falhar nestes desafios da reinvenção e adaptação. É algo que também nos carateriza. É também tempo de pegar na frase: “É o país que temos” e resgata-la para este momento dando-lhe a volta ao sentido a que habitualmente é apregoada. Portugal não é perfeito, mas tenho a certeza que sabe ser a aldeia comunitária sempre que necessita.