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Para os amigos (especialmente os meus)

por Maria Joana Almeida, em 13.01.18

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Tinha pensado em fazer um texto sobre a eliminação de certos produtos alimentares em hospitais e escolas, assunto delicado para mim porque os doces têm uma dimensão de grande importância na minha vida, mas vou deixar para outro texto.

 

Hoje quero falar sobre amigos, os meus amigos, uma base de segurança tão, ou por vezes mais forte, do que a família.

Tenho amigos maravilhosos (todos irão dizer que isto é um cliché porque também têm) mas para mim, e como acontece com os filhos, os meus vão ser sempre os melhores.

 

 

Tenho amigos que tomavam conta de mim à noite quando íamos sair e me acompanhavam quer fisicamente ou por whatsapp até à porta da minha casa para me certificar que estava bem.

 

Tenho amigos que me pagaram todos os custos de um fim-de-semana fora, numa altura mais apertada de dinheiro, porque não havia opção de eu não ir com “o pessoal todo” para o festival de música.

 

Tenho amigos que se levantaram a meio da noite e foram ter comigo porque estava triste.

 

Tenho amigos que analisaram os meus namorados, ou possíveis namorados, para terem a certeza que eu não me iria magoar.

 

Tenho amigos que me oferecem canecas a dizer “wake up and make up” porque um dia viram a minha cara lavada de manhã e pensaram que eu estava doente.

 

Tenho amigos que me levaram de manhã ao hospital quando tive o maior susto da minha vida com os meus olhos.

 

Tenho amigos que vão à casa da outra margem buscar-me a correspondência.

 

Tenho amigos que no meu casamento me diziam, entre a convicção e o bom humor, que estavam ali para tudo: para me vestir, para me abraçar, para me levar à casa de banho para levantar o vestido, para me levar ao altar e para agarrar no carro se eu mudasse de ideias à última da hora e quisesse fugir. (Não quis, foi, para mim, o casamento mais bonito de sempre e um dos dias mais maravilhosos da minha vida)

 

Tenho amigos que se enfiaram num estúdio e preparam uma música, escrita inteiramente por eles (que permaneceu nos ouvidos de todos durante muitos e muitos meses após) e que ensaiaram uma dança que nos envolveu durante o casamento, num dos momentos altos daquele dia.

 

Tenho amigos que me fizeram um livro com fotos da minha despedida de solteira, completamente à minha medida, com as fotos e dedicatórias de amor, daquele amor que só os amigos, como estes, nos podem dar.

 

Tenho amigos que, mesmo com filhos, me atendem o telefone às altas horas da noite por estar a passar um mau bocado e dizem que vão apanhar um táxi para vir ter comigo.

 

Tenho amigos que sabem o que se passa comigo, mesmo sem eu falar, e ficam ali, só ali ao lado sem falar, só para me abraçar.

 

Tenho amigos que vibraram e choraram de felicidade quando souberam que estava grávida e que me encheram a casa com tudo o que possa precisar.

 

Tenho amigos que querem elaborar um plano de ajuda e vigilância para as noites que ficar sozinha com a bebé.

 

Tenho amigos que me disseram que se for preciso são eles a darem-me a mão no dia em que a Maria Luísa nascer.

 

Tenho amigos que torcem por mim e pelo Mário, sempre.

 

A família é a base incontornável da nossa vida, das mais importantes. Sou muito grata pela família que tenho e por tudo o que fazem, no que estiver ao seu alcance, para me fazer feliz. Os meus pais em especial.

Ter amigos que se igualam a uma família é uma dádiva. É um complemento. Não são de sangue, mas é como se fossem. São irmãos que nunca tive.

 

Alguns, há mais de 25 anos que crescemos e "vivemos" juntos.

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publicado às 18:21

“Gostei muito da tua postura”

por Maria Joana Almeida, em 05.01.18

 

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Encerradas as festividades é altura de retorno à rotina ou a diferentes rotinas.

 

Numa das idas à escola, onde lecciono, neste novo ano, uma professora que conheci recentemente numa reunião veio desejar um bom ano e verbalizou, apontando para mim: “Gostei de ti, gostei muito da tua postura na reunião, estiveste muito bem. Às vezes os outros professores esquecem-se do que é a Educação Especial.”

 

É sempre simpático receber um elogio, mas a parte que quero salientar e, para mim a mais importante, é a frase: “Às vezes os outros professores esquecem-se do que é a Educação Especial.”

 

Há 13 anos que vou a reuniões de conselhos de turma e, naturalmente, vamos evoluindo e percebendo dinâmicas, ganhando autoconfiança e ajustando o discurso e postura aos diferentes momentos. Já conseguimos antecipar comportamentos, atitudes e o nosso discurso fica mais fluído e assertivo.

 

Assertividade é um aspeto fundamental, ao mesmo tempo que necessário por diversos motivos. É verdade que a Educação Especial encontra um espaço reduzido em muitas escolas o que se reflete em algumas reuniões de conselho de turma. Ainda existem alguma incogruências na definição do papel do professor de Educação Especial e na legislação que, por enquanto, continua em vigor e que é pública,  bem como temas e procedimentos que se misturam e que cabe também ao professor de Educação Especial ajudar a clarificar.

 

Existem professores fantásticos, genuinamente interessados no sucesso dos alunos que partilham e ouvem todos os intervenientes e onde encontramos no seu discurso soluções, atitudes construtivistas e honestidade intelectual para identificar pontos fortes e fragilidades como base para traçar um plano de sucesso.

Professores que não ficam presos num modus operandi e gostam de arriscar. Professores das várias áreas com uma sensibilidade que lhes permite bom senso e sensatez no seu funcionamento e que valorizam e compreendem o trabalho de todas as áreas. São aqueles professores que estão atentos e colocam questões relevantes no sentido de ajudar e aumentar as potencialidades dos alunos. Especialmente dos alunos que manifestam algum comprometimento e querem, por isso, trabalhar em conjunto com a Educação Especial olhando para esta área como uma mais valia e um instrumento valioso para continuar a construir ao invés de colocar entraves. Tenho tido a sorte de conhecer muitos professores assim ao longo do meu percurso e com os quais muito aprendi.

 

Quando gostam da minha postura o que me interessa essencialmente é que eu tenha conseguido passar uma mensagem, da melhor maneira possível, e esclarecer todas as dúvidas que me são possíveis de esclarecer levando todos a querer participar ativamente neste trabalho que não é, em nenhum momento, um trabalho isolado. E isso sim faz-me feliz.

 

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publicado às 22:32


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