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1 ano.

por Maria Joana Almeida, em 12.02.19

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Aconteceste e foi muito bom. Uma notícia muito feliz.

A mãe assustou-se um pouco. O pai muito.

A mãe não disse nada durante três dias. Estava a pensar.

Estava a pensar naquilo que parecia um milagre e que vinha como um tremor de terra, daqueles que abanam o nosso corpo, especialmente a nossa cabeça.

O pai foi fazer surf no dia em que soube. O mar sempre foi para ele um amigo. Num determinado sítio mais distante da terra, sempre ajudou a encaixar peças mais devagarinho.

A mãe ficou na areia a olhar o mar. O sol também ajuda a encaixar peças.

A barriga foi crescendo assim como o coração que ora aumentava ora encolhia. Estava confuso.

O pai também. O coração dele andava acelerado e a cabeça também.

 

 

A mãe estava bonita diziam. Cabelo forte, pele brilhante, barriga bonita e sorriso gigante.

O pai continuava confuso. A mãe estava diferente.

 

Mexeste pela primeira vez. Era Setembro. A mãe estava sozinha num mês em que o coração estava pequenino. Mas esse dia foi o dia de Setembro em que o coração ficou grande, muito grande. O pai tinha de saber. A mãe gostava de dizer ao pai quando o coração estava muito grande porque ficávamos felizes.

 

Os meses foram passando. Era quase Fevereiro. E tu, estranha criatura (estranha porque não nos conhecíamos ainda) arrancavas muitos sorrisos e algumas noites sem dormir (a barriga já era muito grande).

Ainda na barriga sentiste tudo isto e sentiste muitas peripécias. Sentiste o coração ora grande ora pequeno da mãe. Muitas vozes. Muitos silêncios também…

 

 

No final de janeiro começaste a dar sinal.

 

Dia 11 de Fevereiro a mãe ligou ao pai. O pai era do surf mas também do BTT. O pai arrancou a grande velocidade. Caiu e tudo (está filmado na GoPro) e fomos ao hospital.

Ainda não era. “Vai ser no dia de Carnaval” dizia a enfermeira.

E foi.

 

 

Houve duas Joanas que te ajudaram a nascer e uma médica, a Graça, com antenas de joaninha (porque era Carnaval) que te tirou.

E tu pequena-estranha-criatura-muito-bonita-desde-o-momento-zero, vinhas de olhos bem abertos com a inevitável expressão esbugalhada “O que é isto?”.

Eras uma pequena estranha criatura bonita (estranha porque nos íamos agora finalmente conhecer), muito bonita de cabelo farto e olhos grandes.

E começou a aí outra história. O samba de Maria Luísa.

O coração que passava de grande a pequeno (mas sempre grande) muitas vezes ao dia, durante vários dias, encontrou uma nova forma.

 

 

 És a Maria Luísa a cabeluda, que já tem um ano. Que faz beicinho quando dizemos “não”, que diz “gato” com uma uma total convicção nas duas sílabas, que não aguenta ver o outros comer e ela não, que mais houvesse e comeria. A que não passa sem a fralda no rosto para dormir, que já dorme a noite toda (graças a Deus!) a que abana o corpo e a cabeça ao som da galinha põe o ovo, a que durante meses foi igual ao  velhote do filme UP quando começava a chorar, a que faz as delicias dos avós e a que fez a mãe gostar de cor de rosa e escrever textos como este.

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publicado às 15:16

Às vezes é de loucos.

por Maria Joana Almeida, em 10.02.19

 

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Dificilmente poderia encontrar imagem que melhor ilustra o “forrobodó” (eu sabia que iria conseguir usar pelo menos uma vez esta expressão que tanto estimo num texto) que pode ser uma escola, especialmente uma sala de aula. Não falo de indisciplina que já se tornou um lugar comum em todas as escolas e inunda textos da especialidade onde habitam já vários receituários. Falo das situações caricatas, das situações que colocam episódios do Seinfeld ou do Gato Fedorento a um canto.

 

As coisas que aprendemos nos livros são meramente orientadoras, gerais e tendem, naturalmente, a responder a padrões específicos. Tentam ser cientificas em algo que é, na maior parte das vezes, um caos aleatório. A quantidade de vezes que visitamos sítios novos dentro de nós para tentar no imediato responder com sentido ao que está a acontecer torna-se quase a norma. É como quando estamos habituados a ver filmes com um caráter intelectual muito elevado que só nós é que percebemos. Habituados a compreender a linguagem de Manuel de Oliveira deparamo-nos de repente com o universo do Bucha e Estica e dos filmes de série Z que confundem mais o cérebro do que um filme de Emir Kusturica ou David Lynch.

 

A primeira vez que se pisa uma sala de aula é equiparado a tapar a cara num filme de terror, mas a espreitamos curiosos por entre os dedos. É exactamente isto. A exposição, as inseguranças, o processo do pára-arranca, equilíbrio-desequilíbrio até encontrar o começo leva-nos a lugares desconfortáveis e a interpretar papéis que não queremos e com os quais não estamos familiarizados. É tudo normal. É mesmo assim.

 

É neste ponto de equilibiro que começa o ponto de partida, quando as defesas baixam e quando começamos a desempenhar o papel que nos carateriza. É também neste momento que começamos a ser todos atores do mesmo filme. E cada final de ano é um novo livro que poderia ser trabalhado na Universidade.

 

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publicado às 00:22

Eu sou uma pessoa que... Não sou racista mas...

por Maria Joana Almeida, em 23.01.19

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Inúmeras vezes usei a expressão “porque eu sou uma pessoa que..” é muitas vezes inevitável e de fácil acesso, numa conversa, para individualizar um determinado comportamento. Como se o facto de ser uma pessoa teimosa, assertiva, de colocar os pontos nos “is”, muito amiga dos seus, de pavio muito curto fossem caraterísticas inteiramente pessoais e intransmissíveis. Qualquer pessoa “é uma pessoa que” em determinadas circunstâncias e em determinados contextos.

 

Há um outro clássico muito comum. Quando alguém pergunta: “Sempre foste assim?”, “Sempre quiseste cantar?” ouvem-se as mais inesperadas respostas: “Sabes que eu já vestia a roupa da mãe do pai e já cantava e dançava Pina Baush quando era pequena. Já falava chinês, já falava japonês, já me punha em bicos de pés.” porque estas experiências parecem ser, de repente, raramente comuns na infância. Há uma necessidade de nos querermos sentir especiais e aproveitar determinados momentos para nos remetermos a um espaço de tempo onde tudo o que fazíamos era único.

 

E depois há a outra frase. “Eu não sou racista mas..” igualmente usual (infelizmente): “Eu não sou racista mas que mereciam mereciam”, “Eu não sou racista mas não queria que o meu filho/a namorasse um preto.” “Eu não sou racista mas que roubam roubam”.

 

Dizer que é preciso travar o racismo e educar os nossos alunos para o erradicar é quase tão sensaborão como ouvir a Miss Universo dizer que quer paz no Mundo. Claro que é preciso. Mas também é preciso assumirmos os nossos preconceitos mais do que fazer de conta que não os temos. Porque a verdade é que só conseguimos travar aquilo que conhecemos bem e quando deixamos de mascarar as nossas fragilidades.

 

Numa sociedade onde ainda precisamos de um Manual para a Inclusão percebemos o quanto ainda estamos longe de aceitar o que achamos ser diferente.

 

É mais fácil combater o racismo quando eu assumo o preconceito mas me mostro disponível para conhecer e desconstruir estas ideias pré concebidas. Porque, num panorama politico, é tão perigoso quem diz “Eu não sou racista mas..” de quem sentado num espaço imaculado e propositadamente longe de qualquer bairro multicultural afirma “O racismo é inadmissível e  tem de terminar”

 

Só quando tomarmos consciência de nós, sem medos, mas cientes do valor humano, do valor social acima de qualquer outro valor, é que deixaremos de ouvir “porque eu não sou uma pessoa racista, eu já desde pequenina que brincava com meninos de cor “ e passaremos, mais do que a ouvir, a observar em paz, a pluralidade sem fronteiras.

 

 

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publicado às 00:46

Um dia eu apareço

por Maria Joana Almeida, em 31.12.18

 

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Penso que tinha 17 anos, andava na Cidade Universitária (já não existe) e caminhava perto do mercado de Alvalade. Do lado direito do mercado havia uma passagem para a rua que vai dar à Escola Eugénio dos Santos, minha antiga escola também.

 

Lembro-me que caminhava triste nesse dia, sei disso pelo impacto que tem, até hoje, a frase que li na parede ao fundo dessa passagem: “Um dia eu apareço”. Recordo-me perfeitamente de parar e sorrir. Se acreditasse em sinais divinos ali estava um (acho que no fundo acredito).

 

Com possibilidade de me repetir, há efetivamente frases que ouvimos ou lemos em determinados momentos e ficam guardadas a maturar. Frases a que recorremos ao mínimo sinal de poderem fazer sentido e por norma (porque é praticamente de lei) fazem sentido quando menos esperamos. “A vida resolve-se sozinha” é uma dessas frases. Quantas ginásticas mentais são feitas ano após ano na tentativa de resolver problemas e responder a perguntas difíceis. A verdade é que a vida acontece e tudo se resolve.

 

Um dia eu acabei a licenciatura; um dia arranjei o meu primeiro trabalho; um dia tive o meu primeiro carro; um dia o Mário apareceu; um dia fiz o meu mestrado; um dia tive novos desafios profissionais; um dia criei o meu blog; um dia abri o blog e ele estava nomeado. Um dia, vários dias, tive muitas desilusões, um dia portei-me muito mal; um dia portaram-se muito mal comigo; um dia fiz tantas perguntas; um dia, vários dias, vivi muito intensamente; um dia várias respostas apareceram e um dia, um dia em 2018 a Maria Luísa nasceu. Apareceu.

 

Não vou escrever sobre ser mãe. Já o fizeram de várias maneiras e feitios, só me iria repetir. É muito bonito. Muito mesmo.

E 2019 será, certamente, de mais momentos que me vão ligar eternamente aquele mural. Foi e será sempre essa a frase: "Um dia eu apareço".

 

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publicado às 14:10

Isto não é para meninos

por Maria Joana Almeida, em 20.12.18

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Experimentei várias vezes fazer surf. De vez em quando ainda tento. Não me recordo de experimentar (não é que conte com um vasto conhecimento de todos os desportos) algo tão exigente como este desporto. Conseguir nadar para passar a rebentação, acertar no momento de nadar quando se vê a onda e colocar-me em pé na prancha. Para mim é claramente um acontecimento francamente distante.

 

Li no intervalo de dois dias duas notícias sobre duas crianças que atingiram um patamar de topo com este desporto, a Marta Paço e o Davizinho. A Marta é invisual e o David Teixeira (Davizinho) tem síndrome da banda amniótica, uma má formação nos braços e nas pernas. A Marta ganhou a medalha de bronze no surf adaptado e o Davizinho é vice-campeão mundial nesta modalidade.

 

Há muito a dizer sobre estes acontecimentos fantásticos e ao mesmo tempo nada a dizer.

 

Quem costuma ler os textos que escrevo neste blogue conhece a minha aversão à condescendência, especialmente nos casos de deficiência. É a condescendência que nos faz estar no chão e nos impede de levantar. É a diferença entre estar deitado na prancha ou conseguir erguer-se mesmo num meio adverso. E é uma valente bofetada de luva branca (não encontro expressão melhor) olhar para estes incríveis atletas. Atletas que tiveram a sorte de ter vivências e referências que lhes permitiram perceber que o seu potencial não se define ou não se esgota em ter um corpo (em teoria) 100% funcional.

 

Há um momento no vídeo onde a mãe de Davizinho diz: “Uma vez uma mãe disse-me: Eu nunca deixaria o meu filho ir para o mar fazer surf porque eu amo-o muito. E eu respondi: É por amar muito o meu filho que eu o deixo fazer surf.” e podia fechar este texto com esta frase. Este é um bom exemplo de mãe que eu gostaria de ser: Apesar do medo, corajosa. Porque o amor e amar é um ato corajoso.

 

Vou fechar este texto com uma frase de Marta Paço: “O mar é justo. No mar sinto-me igual aos outros.”

 

Seremos uma sociedade mais completa quando a escola, a empregabilidade, a casa, for mais justa. Quem se esforça, quem luta com mais ou menos comprometimento tem de ser reconhecido. Isto é justiça.

 

Vídeo David Teixeira: https://www.facebook.com/ZLocalHeroes/videos/the-radical-surfer/2158658961115110/

Marta Paço: https://www.dn.pt/edicao-do-dia/20-dez-2018/interior/marta-paco-cega-e-campea-de-surf-no-mar-sinto-que-sou-igual-aos-outros--

 

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publicado às 11:39

A Maria leu hoje uma frase

por Maria Joana Almeida, em 10.12.18

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Já tinha escrito algo semelhante no primeiro texto que fiz no meu blogue. Há frases que aparecem na nossa vida que servem para validar uma convicção e sem nos apercebermos, condicionar a nossa ação e pensamento.

 

Acordei de manhã e enquanto fazia a viagem até um dos meus trabalhos li a seguinte frase que apareceu em pop-up nas redes sociais “Students don´t need a perfect teacher. Students need a happy teacher, who´s gonna make them excited to come to school and grow a love for learning” que é qualquer coisa como isto “Os alunos não precisam de um professor perfeito. Os alunos precisam de um professor feliz que os consiga entusiasmar para a aprendizagem”

 

Fazia todo o sentido. Conseguia rever-me no meu presente e no meu futuro.

 

Durante a manhã, na minha turma do curso de alfabetização, trabalhei com o mesmo entusiasmo de sempre. Aquele entusiasmo de quem trabalha para permitir ferramentas base do dia-a-dia. Dar liberdade, autonomia a adultos que ainda fazem parte do 5% de analfabetos que herdámos dos 26% em 1974. Mas também aquele entusiasmo de quem trabalha com uma equipa com o mesmo foco, com uma atitude construtiva, sensível e persistente. E acima de tudo uma equipa que encara cada indivíduo como singular com a sua história, fragilidades e comprometimentos que merecem, por respeito a cada perfil, um plano e um trabalho individual.

 

A Maria é nova nesta turma e à semelhança de muitos formandos nunca foi à escola e a sua vontade de aprender é inspiradora. Quer tanto aprender que quando erra por vezes quase chora porque a sua força de vontade contamina toda a racionalidade que nos diz que é a errar que aprendemos e que é passo a passo nunca imediato.

 

Hoje, passado dois meses de formação, a Maria leu uma frase. Não há palavras para a sua expressão perante os aplausos dos seus colegas e as palavras de motivação.

 

E a Maria, no seu modo ingénuo, dizia-me enquanto eu lhe dava, também, os parabéns: “Mas professora, não sei como hei-de explicar, mas a professora tem assim muito gosto em ensinar e assim é mais fácil”. E naquele momento regressei à frase. Condicionou, de uma forma muito positiva aquele dia.

 

A alfabetização de adultos tem sido encarado como um problema menor, muitas vezes com uma intervenção paliativa, pela rama, sem se permitir a conhecer as histórias de cada aluno. Há dois aspetos que determinam o sucesso desta intervenção: a consciência de que 5% é a percentagem mais elevada na Europa (ainda me recordo da expressão de admiração de um amigo alemão que não acreditava que ainda havia pessoas analfabetas) e que, em pleno século XXI, é inaceitável e tem de ser combatido; e de que ensinar um adulto a ler e a escrever tratando-o como mais um, fechando os olhos a um passando de vivências muito próprias e negando-lhes assim um futuro, é perpetuar a percentagem existente.

 

Num futuro, quando me perguntarem por um dos momentos mais significativos na minha vida profissional, este será, sem dúvida um desses momentos.

 

Estou longe de ser perfeita, mas convictamente certa de que sem amor, sem paixão ninguém ensina e ninguém aprende ponto.

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publicado às 22:07

5 perguntas, 5 respostas com Joana Sá Machado

por Maria Joana Almeida, em 18.11.18

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Há pessoas na vida que basta conhecer uma vez para criar uma empatia enorme. Há pessoas que ficamos anos sem ver e quando vemos nada mudou e mais se construiu. A Joana Sá Machado é assim.

Conhecemo-nos através do seu primo, meu colega na Faculdade, no cinema para ver o “Torre Bela”. Estivemos vários anos sem ter contacto até que há cinco anos atrás foi como se retomássemos a relação de amizade que ali tinha começado.

É difícil encontrar pessoas que são peças do nosso puzzle. Pessoas com o mesmo sentido de humor que nós: nonsense, acutilante e por vezes cáustico. Pessoas que numa sala, quando em pontas opostas, olhando uma para a outra sabemos exatamente o que estamos a pensar. É por isto e por muito mais que a Joana é das minhas pessoas, do meu círculo.

A Joana tem um percurso muito rico. Um exemplo de que o que escolhes como percurso na Universidade não tem que definir a tua vida mas pode servir de ferramenta para chegares ao teu lugar feliz.

 

 

1 – Joana Maria, minha querida capicua, ambas temos um blog, eu sobre Educação e tu sobre Lisboa aliada à fotografia. À partida parece que não existem pontos em comum mas este tema (educação), de tão vasto que é, alberga tantos outros. E as artes, como uma forma de Educação, estão muito presentes no teu dia-a-dia.

 Tendo em conta o teu percurso, desde a tua base académica, que acontecimentos na tua vida pessoal e profissional te trouxeram até este projeto (fotografia)?

 

Desde tenra idade que a sensibilidade para a Cultura e a Educação foram uma constante.

E isso veio de casa, veio dos meus pais, ou seja fui crescendo sempre com a noção que estudar era um privilégio mas que quando chegava à escola muita da minha bagagem vinha de casa.

A educação para mim foi sempre vista desses dois lados Casa Versus Escola e Escola Versus Casa. A assunção que estudar era um privilégio e que deveria estudar e formar-me consolidou-se no secundário quando me percebi que eu era muito mais das palavras do que das componentes técnicas. Formei-me em Direito, e hoje quase 20 anos depois dessa tão tenra decisão, continuo a achar que foi a decisão mais certa da vida, pois o meu curso de Direito é a ferramenta maior que tenho para entender esta Sociedade e tudo o que me rodeia. Mas se o Direito era uma certeza, e como sou humana, muitas mais certezas se instalavam na minha vida, no meu trabalho e na minha formação. Aí entra o meu pai, Produtor na RTP, do início de uma estação pública e de um sonho. A Imagem existiu sempre. Sempre. Não me lembro da vida sem fotografias, sem câmaras à volta e sem a RTP de pano de fundo. O Direito é em certos aspectos um espartilho e é também uma forma de estar (com muitos carreirismos com os quais não concordo), e os últimos 20 anos desta nossa Humanidade já nos mostrou que somos muito mais do que apenas uma coisa. Corri para a Fotografia, lancei um projecto sobre fotografia em Lisboa e estou até hoje, passados 7 anos a trabalhar em imagem. A minha vida é sobre as imagens, sobre a criatividade e sobre o valor da palavra.

 

 

2 – A nossa educação é fruto dos exemplos e referências, primeiro com os pais como role model, depois amigos e um conjunto de espaços e vivências que nos vão moldando. Que bagagem (valores) trazes dos teus pais, da tua família, de casa?

 

Sem me dar conta já fui respondendo a esta segunda questão, na primeira.

Mas de facto todos os meus comportamentos e atitudes a nível escolar eram um espelho que tinha em casa.

Estudei até ao nono ano em colégios privados, era um universo sempre mais protegido, lembro-me que quando fui para o público era tudo muito mais barulhento. Nos colégios era tudo mais controlado e silencioso. Eu era uma menina sossegada, sempre com sagacidade e sem grandes conflitos à minha volta. Os meus pais deram-me educação através de vários prismas. Primeiro a Humana, isso de estar próxima do outro, de ser boa colega, e principalmente não chatear os outros com problemas que pudesse estar a viver. Depois a educação do Bom Dia, do cumprimentar toda a gente. Repito: toda a gente. E depois os valores, o da aceitação sem me resignar, o de não concordar sem fazer um conchavo e principalmente de entender desde criança que a educação traz valores e a Cultura é uma grande base de generosidade para olhar para o mundo à nossa volta.

Nunca fui fã da obra de Salvador Dali, mas sempre o achei genial. Sentava-me sempre na igreja do Colégio ( das Doroteias) em frente da Imagem da Nossa Senhora, não porque a entendia, já que eu era uma menina entre uma infância feliz, mas essa mesma Imagem era lindíssima, e isso de alguma forma moveu-me. Não fossem os meus pais e a sua simplificação da vida em relação a mim e ao meu irmão e a minha vida teria sido claramente muito diferente. Era feliz na minha infância, e sem me questionar, eu era feliz porque sim, porque a base e o colo estavam lá.

 

 

3 – De que forma é que a fotografia, que no teu caso são uma forma de relações humanas, te tem feito evoluir enquanto pessoa e profissional? E de que forma se insurge como uma arte educativa?

 

A fotografia é um belíssimo espelho da matéria humana, não só pela sua questão temporal e pelo que nos faz sentir na memória, mas pelo património que me trouxe.

Já fotografei, tanta, tanta, tanta gente. Já vi tanta coisa através da minha lente que muitas vezes me questiono onde vou guardar tudo isso. Trabalhar em fotografia, e eu essencialmente fotografo mais pessoas do que produto, faz-me antes de mais ter uma capacidade relacional efectiva porque preciso que as inseguranças, as reservas e por vezes desabafos não apareçam nas minhas fotografias. Aí o desafio é gigante, e eu dou por mim a ser um veículo de algo que apesar de ter a minha autoria, não me pertence.

A imagem de cada um de nós é o nosso primeiro cartão de cidadão. E a cidadania e a sua assunção é tão importante. Obviamente que tudo isto me fez evoluir bastante, em parte acalmou-me e fez-me traçar um caminho mais concreto e posicionar-me na fotografia a 100%. Como arte educativa e agora que o spectrum da fotografia está tão alargado sinto-me a viver um grande desafio da fotografia não ser banalizada e a reserva da vida privada não seja um motor veiculado por fotografias (e vídeos). Mas as fotografias são na sua base relações humanas, não me imagino a fotografar sem estabelecer de imediato uma sintonia com a pessoa que estou a fotografar.

 

4 – Quem te conhece sabe que és uma pessoa informada, consciente dos problemas do nosso pais e com um discurso estruturado e equilibrado acerca dos diversos temas quentes da nossa sociedade. Ambas, como forma de retirar o peso negativo das várias notícias que surgem diariamente, costumamos aligeirar o ambiente com algumas piadas, mas conscientes dos problemas sérios que assolam a nossa atualidade.

Enquanto cidadã e utilizadora diária das redes sociais, o que vês do outro lado da tua lente que te preocupa?

 

Vivemos uma altura a meu ver mais complicada do que desafiante. As redes sociais, a exposição, a rapidez do “passa a palavra”, os hashtags, os grupos de whatsapp, tudo nos faz estar em contacto e nos faz passar informações. Comunicar passou a ser o lenitivo maior desta Humanidade, mas a pergunta que me coloco todos os dias é justamente essa: será que temos que comunicar tanto? Será que temos que nos expor tanto? Faz sentido fotografar o meu filho no banco da escola e “instagrar” o momento? A minha resposta é não. Uso redes sociais, Facebook e Instagram, sei que há mais, mas não tenho capacidade para mais, na minha conta que é pessoal de Instagram público fotos do meu dia-a-dia, para mim isso é pacífico, mas deixo o alerta: não sei fazer stories, não uso hashtags e tremo quando me dizem “vamos criar um grupo de whatsapp!”. No Facebook onde tenho páginas profissionais comunico o meu trabalho, e faço-o com todo o empenho. O Facebook permite-me ter acesso a muito do que se passa a nível de notícias no mundo, e isso é inspirador até para os posts que vou escrevendo sobre política e que tantas críticas merecem. Agora acho que devemos reavaliar muita coisa.. Se antigamente aparecer na televisão era algo quase impossível hoje no banho fazes um vídeo a dizer que usas um gel de banho fantástico, está demais, está efectivamente de mais. E no que toca à educação, não é isto que quero para os meus filhos. É necessário mais consciência e perceber que as fotos, os vídeos e as palavras que escrevemos nas redes sociais deixam de ser nossas a partir do momento em que são publicadas. E eu questiono: será que queremos entregar ao mundo esse património? Que a reserva das opiniões volte a estar na Moda, seja um statement. Democracia é ter Opinião e fazer uso dela para melhorar o mundo, não para fomentar exposições, juízos e até mesmo violência.

 

 

 

5 – Esta última questão tem sempre a sua tónica mais ligada à Educação na vertente “escola”. Pegando no final da pergunta anterior como encaras o futuro da Educação em Portugal?

 

O Futuro da Educação em Portugal!  Fica o desabafo que é e pergunta mais difícil desta entrevista. Antes de mais há duas coisas que têm que ser transversais numa sociedade. Um Governo quando constrói o seu Orçamento do Estado, e entra na baliza dos cortes tem que perceber que cortar na saúde e na escola pública, é cortar nas duas maiores importâncias da vida de um cidadão. Vivemos nos últimos anos (2011/2015) tempos muito difíceis com a estadia da Troika no nosso país, e sinceramente se as coisas tivessem continuado, a escola pública teria sido extinta, porque dentro deste liberalismos que em parte o mundo ocidental vive há a assunção que mais vale teres dinheiro para pagar um colégio, do que ter um ensino gratuito.

O futuro da Educação passa pela requalificação do papel da Escola na sociedade, passa pelos pais perceberem que o trabalho escolar começa aos 3 anos quando vamos por os nossos filhos na pré-primária. Passa pela assunção que um Professor não é “pau para toda a obra” e que o respeito começa na hora em que em concurso público, estes são colocados. Passa por entender que um professor ensina, não está ali a educar. Mas passa principalmente pelo poder Legislativo: de entender que acesso a uma escola seja ela pública ou privada deve ser um direito inabalável, e que estudar deve ser efectivamente a fase mais tranquila da vida de um cidadão. E fica a sugestão: preparem os nossos estudantes para o mercado de trabalho de forma consciente. A longo prazo esta ideia fará de nós, um país mais desenvolvido em todas as frentes de uma sociedade.

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publicado às 21:19

O dia em que abri o blog e estava nomeado

por Maria Joana Almeida, em 15.11.18

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Foi uma surpresa muito agradável abrir o blog e este ser um dos nomeados para o blog do ano, na plataforma blogs.sapo, na área da Educação.

 

Como ja tive oportunidade de dizer eu não lia blogs, nem nunca me tinha ocorrido fazer um blog. Mas gosto muito da minha profissão e gosto acima de tudo de pensar e refletir sobre Educação. Nunca numa perspetiva de saberes consolidados e dados adquiridos, mas sempre numa lógica construtivista. E só assim faz sentido.

 

Este é tambem um blog de partilha. Da partilha de práticas e saberes de várias personalidades ligadas, de uma forma direta ou indireta, à Educação e com os quais muito tenho aprendido.

 

Obrigada pela nomeação. É uma valorização muito importante.

 

SIte de votação:

https://saposdoano.blogs.sapo.pt/sapos-do-ano-2018-os-finalistas-e-a-15030?fbclid=IwAR3cYQk4gfZqBrYcOBaVPtVSEjSebI5Pqr8RIsvtMHNLcOX5w-5V7xuKpcE

 

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publicado às 19:03

Ainda precisamos de um Manual para a Inclusão

por Maria Joana Almeida, em 15.11.18

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Da minha rubrica no  blog ComRegras: http://www.comregras.com/ainda-precisamos-de-um-manual-para-a-inclusao/

 

 

"Estamos em pleno século XXI. Passámos paulatinamente de esconder e não olhar como parte integrante da nossa sociedade pessoas com deficiência, para perceber os seus direitos e deveres enquanto cidadãos. Mas à revelia do que a evolução nos poderia dar, ainda precisamos de um Manual para a Inclusão.

 

Trabalhei ainda com o Dec.Lei 319/91, com o Dec.Lei 3/2008 e com o agora Dec.Lei 54/2018. Participei na discussão das fragilidades do anterior decreto (Dec.Lei 3/2008) e, dez anos depois, olho com esperança para a mudança que esta nova legislação quer trazer. Um paradigma (retirem aspetos económicos, rótulos, teorias economicistas) e filosofia de base que é, no meu entender, intocável. Pelos menos em pleno séc. XXI é. Se é absolutamente exequível na realidade atual? Isso já é outra história..

 

Têm sido apontados muitos motivos para (e já tive a oportunidade de ler e ouvir várias críticas a este novo documento) boicotar, por princípio, esta nova forma de encarar a Educação e as “Necessidades Educativas Especiais”. “Porque os alunos deixam de ter necessidades educativas especiais”. “Porque o que é pedido não é exequível”. “Porque vêm os exames”. “Porque em termos de estrutura da escola não é possível aplicar as medidas universais que vêm no manual.” É do senso comum que qualquer nova mudança traz otimistas e arautos da desgraça. No nosso tempo, mais arautos da desgraça.

 

Sou favorável a esta nova legislação, com a salvaguarda de que devem continuar a existir, como solução possível e não descentralizadora, outras estruturas e instituições que possam continuar a responder a casos de fim de linha. Encará-los como desnecessários não é fechar os olhos à Inclusão mas sim fechar os olhos à realidade.

 

Sou favorável a um novo paradigma que responsabiliza toda a comunidade escolar por todos os alunos não se fechando em gabinetes, em salas e em departamentos. Favorável a que não seja necessário alguém ou um papel que indique o que deve um professor, que lida diariamente com um aluno na sua sala de aula e o conhece melhor do que ninguém (muitas vezes melhor do que os próprios encarregados de educação) fazer, como e quando avaliar. Que fique à espera de medidas seletivas ou adicionais sem antes ser professor.

 

Esta legislação vai resultar? Não sei. Tem erros? Muito provavelmente. É economicista? Não quero saber. É uma mudança extremamente significativa na forma como encaramos a Escola e a Educação? É. E é isso que me interessa.

 

Esta legislação tem um Manual…(no meu entender bem feito). Mas tem um Manual.. O que não deixa de ser uma metáfora muito interessante para a atualidade do conceito Inclusão.

 

Ainda estamos no século onde a Inclusão tem de ser decretada e ensinada. Mas esperemos que, à semelhança de tantas evoluções, paulatinamente venha a ser cada vez mais sentida e menos decretada."

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publicado às 18:21

5 perguntas, 5 respostas com Inês Afonso Marques

por Maria Joana Almeida, em 08.11.18

 

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A Inês Afonso Marques foi a primeira pessoa que entrevistei no meu blog há três anos. É uma amiga e uma referência na área de paretalidade e dos seus desafios.

A Inês lançou o seu primeiro livro a título individual "Crescemos Juntos 365+1 Inspirações Para Uma Parentalidade Feliz." e não podia estar mais orgulhosa do seu trabalho. Um trabalho que assenta na observação e interação diária com pais, crianças e escola. Um trabalho consciente dos reais problemas e desafios nesta tríade nem sempre fácil e clara: escola - alunos - pais.

 

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A entrevista fala por si.

 

Obrigada Inês:)

 

 

1 – Inês, foste a primeira pessoa que entrevistei no meu blog. Digamos que iniciaste esta rubrica. Três anos depois lanças o teu primeiro livro a solo. Como nasceu este projeto?

 

Escrever o Crescemos Juntos surge da vontade de “tocar” mais pessoas, além das que me procuram diariamente no consultório. Há temas transversais à maioria dos pais: dúvidas, medos, angústias que não os levam necessariamente a agendar uma consulta e que não faria grande nexo ficarem “só comigo”. Fui sentindo que algumas das reflexões feitas no contexto do consultório poderiam fazer sentido noutros formatos. Quis partilhá-los. Escrever este livro constitui uma forma de comunicar sobre temas da parentalidade com mais pais, mais famílias, mais educadores. É uma espécie de abraço contentor e uma enorme homenagem a todos pais que procuram dar o melhor de si todos os dias.

 

 

2 – Sou uma mãe recente e portanto, naturalmente mais desperta para esta viagem da parentalidade. Há dúvidas constantes que vão sendo ultrapassadas no momento pelo improviso, pelas nossas referências, pelo nosso “mapa emocional” (uma imagem muito ilustrativa mencionada por Catarina Beato). Quais são os maiores desafios da parentalidade?

 

Creio que o tema da “perfeição” é um desafio. Pais que procuram ser os melhores e que incitam os filhos a ser os melhores, por oposição a dar o melhor. Há uma espécie de competitividade latente, muitas vezes induzida pela própria sociedade, que gera imensa pressão sobre as famílias… Roubando-lhes espaço, tempo e genuinidade. Espaço para se relacionarem, sintonizarem e conhecerem verdadeiramente. Tempo de qualidade. Genuinidade para seguirem os seus corações, sem ceder a pressões exteriores.

Portanto, há muitas vezes a questão das pressões externas, fazendo as famílias andarem um pouco à deriva sem estarem conectadas com aquilo que valorizam e desejam verdadeiramente para elas. Há também a questão do tempo, dos horários e das rotinas. Mas eu coloco a tónica na qualidade do tempo. Ele pode muitas vezes não ser todo aquele que seria desejável. Mas o que existe é vivido em qualidade? Pais e filhos passam tempo conectados, em relação, em sintonia? Verdadeiramente, a qualidade do tempo que pais e filhos passam juntos é prioritária.

 

 

3 – Da tua experiência como têm andando os “nossos pais”, os pais desta atual sociedade? Há valores, inspirações que são transversais ou algumas muito específicas da realidade que habitamos?

 

Não quero, nem posso generalizar. Falo apenas daquilo que vou observando e refletindo com colegas, amigos e algumas famílias com quem trabalho. Acho que “os nossos pais” se sentem muitas vezes desorientados, sem forças, a precisar de “colo”, de encorajamento… Como tenho dito, de recalibrar as suas bussolas da parentalidade, de redescobrirem os seus valores enquanto pais, de voltarem a sintonizar com eles e de redescobrir as suas forças e qualidades.

Das 365+1 inspirações do “Crescemos Juntos” muito poucas serão específicas a algumas realidades. Elas são transversais à missão que é acompanhar o crescimento de um filho. Baseiam-se em partilhas que foram sendo feitas comigo, em reflexões pessoais e, obviamente, naquilo que a investigação na área da Psicologia e do Desenvolvimento Infantil no diz. Todas as inspirações estão formuladas numa linguagem simples, que convida à reflexão e à ação.

 

 

4 – E como andam os “nossos filhos” que inspirações necessitam? Por quê e por quem “gritam” eles?

 

Esta é mais fácil. J Os “nossos filhos” gritam por atenção, nas mais variadas formas. As crianças querem sentir-se especiais na relação que têm com os seus pais, querem brincar com eles, falar dos seus temas (que vão muito além do estudo), conhecer o mundo dos pais, passar tempo de qualidade com eles. Tantas e tantas crianças e adolescentes no consultório deixam cair frases como… “Os meus pais não sabem o que faço nos intervalos. Só querem saber o que almocei e quando é o próximo teste.” “De certeza que queres ouvir a minha música preferida? Os meus pais nunca a ouviram.” “Quem me dera que os meus pais se sentassem assim no chão comigo a fazer um jogo.” “Que bom sentir que me queres conhecer e que tens em consideração as minhas opiniões.” “Acho que os meus pais nunca foram falar com a minha Diretora de Turma.”

 

 

5 – Esta última pergunta tem sempre uma ligação mais estreita e direta com a Educação e Escola e sendo tu muito consciente das nossas escolas, de que inspirações precisa o nosso sistema educativo? E enquanto pais como podemos ajudar nesta construção?

 

Pegando na última frase, da resposta à pergunta anterior, pais e escola precisam de se inspirar mutuamente, de se valorizarem mutuamente, de comunicar mais. Havendo maior interligação entre escola e família, todos “crescem”. Todos poderão sentir-se mais confiantes, mais seguros, mais motivados nos seus múltiplos papéis. Infelizmente a escola é muitas vezes tema de conflito em casa e não faz sentido que assim seja. De parte a parte, famílias e escolas, respeitando os papéis únicos e especiais de cada sistema, devem procurar comunicar mais em prol dos mais novos.

Não sei se será uma visão demasiado utópica mas brincando um pouco e pegando nalgumas inspirações do “Crescemos Juntos” o sistema educativo…

“Poderia” valorizar mais os processos e menos os resultados.

“Poderia” abraçar mais os interesses das crianças.

“Poderia” respeitar mais os ritmos diferenciadores das crianças.

“Poderia” valorizar mais o ser, em vez do ter.

“Poderia” apostar mais no elogio e menos nos “resmungos”.

 

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publicado às 17:53


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