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Dia da mãe (há 3 dias)

por Maria Joana Almeida, em 06.05.21

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O meu pai (fiel e orgulhoso leitor dos meus textos) pediu-me para escrever no dia da mãe.
 
 
Comprei este livro numa livraria maravilhosa em Bruxelas quando estava grávida da Madalena e quando ainda tinha a minha primeira casa. Não era uma casa. Foi uma fortaleza. Em tudo.
 
Num dos dias da mãe, almoçamos no Avillez no Chiado. Provamos os seus croquetes e disseste, com uma certa evidência vaidosa no olhar: "os meus ainda são melhores". Sorrimos triunfantes. 
 
Jantamos num Goês e amaste. Estavas sempre pronta a experimentar tudo. A comida era, é, um universo de amor.
 
Não te poderei oferecer nenhum presente hoje. E este dia é particularmente filho da mãe porque não posso sentir-me em casa. É como se estivesse numa rua vazia, sem nada para me conter, sem um espaço para me sentar, sem um rosto para olhar. Sem o meu colo para me deitar.
 
Talvez, acredito que certamente, o maior presente que te poderei dar, aquele que me pode ajudar a manter a casa mais preenchida é o amor e a vontade perante a vida que sempre tiveste. A maneira como te deixavas arrebatar pela vista nas Azenhas do mar, no Douro, na Madeira. Como quase choraste no ballet contemporâneo a que te levei no Teatro Camões (queria ter-te contado como me senti na peça que fui ver há pouco tempo no Dona Maria). Como te emocionavas perante a beleza. Era absolutamente inspirador e reconfortante.
 
Já doente, disseste: "Dava-me algum jeito morrer agora, tenho mais que fazer!" 
Este amor à vida (que Camus tão bem escreveu). O sentido de humor perspicaz, às vezes cáustico, às vezes negro, mas sempre pronta para pôr a vida em sentido. Olha-la nos olhos, para a enfrentar. 
 
Tenho tudo isso mãe. É de ti.
 
E quando chega o final do dia, numa espécie de dever cumprido, sinto-me um pouco em casa. Oiço o "És tão bonita" e imagino o teu olhar a brilhar.
 
Este é o presente que te posso dar.

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publicado às 09:21

"Empatia" (6 da série Ilustra)

por Maria Joana Almeida, em 18.04.21

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Não queria que o toque se transformasse propriamente em ouro. Mas há muitos nomes no ouro. A minha ideia de Midas transformaria a ignorância, a displicência, a justiça, os dogmas.
Na minha ideia de toque não transformaria todos os escuros que nos iluminam, mas iluminaria quem se encontrasse apenas no escuro. No lugar onde não há pitada de ouro, de empatia, e onde se vive na ideia de um soberanismo provinciano.
Na minha ideia de toque de Midas tirava finalmente a máscara e a venda. Iluminava a verdade.
 
 
Ilustração: #martanunesilustra

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publicado às 20:56

Raízes (5 da série Ilustra)

por Maria Joana Almeida, em 14.04.21
 

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As minhas sustentam-se em corações. Corações que me bombeiam e me suportam. São casas, são nomes, são memórias, são danças e canções. Às vezes são maiores outras vezes mais pequenas. Dançam ao meu som. Ao som do que preciso. Estão lá. Não me deixam cair. Curam-me, recentram-me, desafiam-me. Cada raiz tem um nome. Um coração. Danço sempre na vida ao som de cada uma.
 
 
Ilustração de:

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publicado às 21:47

"Amor" (4 da série Ilustra)

por Maria Joana Almeida, em 07.04.21
 

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Soubesse eu dizer alguma novidade sobre o amor. Aquele que vale a pena. O Nick Cave descreveu-o como gostaria em Carnage. Que desce as montanhas como um comboio na chuva. Veloz, fugaz, que trespassa o peito. Aquele que vale a pena não se rende, não obedece, não se curva, não cede. É feroz e implacável. O amor que vale a pena não se segura. Quando habita no nosso colo não estamos ali. Habitamos outro espaço.
 
 

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publicado às 17:29

"Saudade" (3 da série Ilustra)

por Maria Joana Almeida, em 06.04.21
 

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Mandei vir a saudade.
 
Instalou-se sozinha, faz sala comigo. Não perguntou legitimidade ou permissão. Não obedece às minhas regras ou desejos. É plena de si.
 
Às vezes conversa. Às vezes chora e ri. Não sonha. Relembra.
 
Esta saudade instalou-se na minha sala, na minha parede.
 
 
 
(A ilustração maravilhosa é da martanunesilustração)

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publicado às 17:09

"Fila de espera" (2 da série ilustra)

por Maria Joana Almeida, em 04.04.21
 

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Estamos sempre em fila de espera para alguma coisa, quase sempre sem saber que estamos. "Um dia eu apareço" vi escrito numa parede perto do liceu há 20 anos. Nessa fila de espera apareceram muitas coisas, trabalhos, amores, filhas, dor (uma dor muito grande). Senti-me dentro de corações e fui (a) oficina(s) de corações.

A nossa vez aguarda-nos, não nos deixa esquecer. A senha para viver foi tirada quando nascemos e aguarda os nossos passos. Mas como diz um amigo meu "Mesmo quando chove para mim é sempre Primavera", seguimos de senha em senha desejando sempre o amor. No fundo é o que sempre esperamos. A nossa vez.

 
(ilustração #martanunesilustra)

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publicado às 17:30

"Até já" (1 da série ilustra)

por Maria Joana Almeida, em 04.03.21

 

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1 da série ilustra

 

Costumamos dizer um "até já" à morte. Um "até já" que se situa no espetro da evidência, da nossa senha de espera. Usamo-lo simultaneamente com medo e coragem. É projetado como certeza que queremos longínqua.
No jogo de xadrez que é a nossa vida tentamos adiar o "até já". Há peças que saltam e recuam, mas nós os peões seguimos em frente. Às vezes conseguimos o cheque-mate e o "até já" adia-se, outras vezes ficamos encurralados e a vida nem sempre é misericordiosa. Quem fica procura sempre aquele ponto no céu. O nosso peão amado que a vida não poupou, o "até já" que no jogo não se adiou.


Ilustração #martanunesilustra

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publicado às 11:58

Que não se repudie por completo o online.

por Maria Joana Almeida, em 01.03.21

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“Nas escolas ainda continuamos a pedir aos alunos para deixar o século XXI à porta” disse João Couvaneiro, o nomeado português para o “Nobel da Educação” (Global Teacher Prize) em 2017, relativamente à utilização de tecnologias. Em 2020, ironicamente, um vírus não inviabilizou computadores, mas transpôs portas inviabilizando relações humanas.

 

Desde março de 2020 que a expressão online invadiu as casas e as escolas como uma espécie de tábua de salvação. Neste novo paradigma existem vários lados da barricada: Os optimistas que encaram esta fase como uma necessidade ao mesmo tempo que refletem sobre as suas potencialidades; Os pessimistas que encontram apenas lados absolutamente negativos. Há espetros de cinzento que se encontram no espaço da razoabilidade e será sempre sobre estes cinzentos que fará sentido refletir.

 

“Nada substitui o presencial” é uma frase que se tornou num absoluto lugar comum. Esta premissa é, naturalmente, um facto. É também um facto que o presencial adotado desde maio de 2020 é um lugar muito distante do desejado. Não há espaço para toques nem reconhecer expressões faciais. É um presencial enviesado.

 

Neste confinamento parte II partimos com algumas vantagens. Já o vivemos, já identificamos os problemas, já nos preparámos. E há surpresas muito interessantes. Houve tempos de adaptações e este ensino à distância, atual, teve tempo de aprender com os erros do primeiro.

 

No universo da educação há alíneas de decretos que promovem a diversificação de instrumentos quer como medidas universais quer como medidas seletivas. São essenciais na categoria da diferenciação pedagógica. Mas por defeito de reflexão ou por memória muscular tendemos a reproduzir um modus operandi repetitivo e protocolar. O ensino à distância obrigou-nos a sermos esta alínea do decreto e a torná-la universal, todos os dias.

É estranho afirma-lo, e estranho escreve-lo, mas há efetivamente alunos que têm beneficiando com o ensino online. Conhecemos todos os constrangimentos desta metodologia. Conhecemos a desigualdade desta medida. Sim. São factos. Mas será, também, importante refletir sobre o que de interessante e benéfico tem trazido. Houve hiperatividades e dislexias que “desapareceram”. O défice de atenção baixou os níveis de dispersão e de repente usámos diversificação de instrumentos como se todo o ensino dependesse disso (tantas vezes depende). Tornou-se a norma. E quando se tornou a norma, alguns milagres têm, efetivamente, acontecido.

 

A falta de autonomia dos alunos é um dos aspetos mais mencionados ao longo de todos os ciclos de ensino e, mais flagrantemente, no ensino secundário. Nas avaliações descritivas realizadas é, provavelmente, a palavra mais vezes mencionada como um aspeto negativo e que dificulta tudo o resto. Poderíamos teorizar sobre de onde vem, ou onde começou esta falha, esta necessidade. “Os pais protegem e dão pouca autonomia”; “Os professores dizem exatamente o que é para fazer sem espaço para criar”; “Os professores seguram os alunos com notas para não ficarem retidos”; “A palavra inclusão, com objetivos nobres na sua essência, é demasiada vez deturpada como lógica de levar meninos ao colo”. São estas as hipóteses, ou todas as hipóteses juntas ou nenhuma delas. Cada um terá a sua crença.

 

Pensar a educação num modelo misto (presencial e online) como forma de cruzar e fortalecer competências, principalmente a autonomia, tornou-se, neste momento, absolutamente imperativo.

As plataformas digitais saíram dos armários da escola, das utopias de alguns pensadores, dos papéis e protocolos bafientos. Pensar num modelo presencial direto e um modelo online indireto poderia aproximar mais do que afastar. Poderia responder mais às necessidades individuais e menos a estatísticas e percentagens. No entanto a conta teria de ser bem certa. Para que todos os ingredientes resultassem, em nenhum momento, quase como um nível, um se deveria sobrepor ao outro nas intencionalidades.

 

O mundo é, neste momento (arrisco o sempre) um tabuleiro de xadrez. As jogadas são feitas consoante os números. É um jogo longo, com adiamentos, raramente com empates, onde se tenta encurralar o vírus que é rei. Após o cheque mate, o jogo deverá ser analisado, estudado. Deitar fora os erros depois de os compreender e resgatar as jogadas certeiras para que as portas não se voltem a fechar.

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publicado às 16:06

Uma carta ao Hospital de Santa Marta (Aos hospitais).

por Maria Joana Almeida, em 02.02.21

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Esta carta tardou. Mas é provavelmente a carta mais obrigatória que já escrevi.

 

Aqui não sei bem como começar. Há sensações às quais não sei dar um nome, um único nome, ou um único texto.

De maio a dezembro conheci três hospitais. Um trio que cercou a minha vida, a vida da minha mãe, a vida de uma família e amigos que não podendo estar presentes conheciam os seus cantos quase graficamente, telefonicamente.

Em São José a minha mãe ficou durante dois dias numa fila de camas à espera de exames e diagnósticos. Em Santa Marta a minha mãe ficou internada e soube o diagnóstico. Em Santa Marta a nossa vida parou.

Nos Capuchos teve as consultas de quimioterapia, poucas. Em Santa Marta a minha mãe partiu, minutos depois de eu sair. Mas segurei-lhe a mão, até ao fim, como havia prometido para mim mesma, porque nunca haveria outra hipótese.

 

Há uma espécie de construção que nasce depois dos cacos espalhados, uma espécie de normalidade paralela, inevitável, vital para seguir em frente, uma assunção de trocar as voltas à morte.

 

A minha mãe passou a maior parte do seu tempo doente no Hospital de Santa Marta, numa altura absolutamente ingrata, dentro da maior ingratidão da vida. Era difícil visitá-la, era difícil ficar o tempo que desejaríamos. Mas este hospital é dotado de uma humanidade inspiradora.

Lembro-me da minha mãe dizer como é que era possível as pessoas criticarem o Sistema Nacional de Saúde. Existia (existe) um carinho, um cuidado, um empenho, um entusiasmo (possível) permanente, constante.  

Há um segredo que desvendo aqui: Houve uma enfermeira muito especial, uma enfermeira que se tornou amiga da minha mãe, que se tornou minha amiga, que conseguiu um impossível. Uma enfermeira e uma médica que, num cenário de proibições, num momento de dúvida se a minha mãe sairia ou não daquele hospital, acederam a que as netas pudessem visitar a avó. Esta ato de humanidade permanecerá intacto na memória para sempre.

 

Em Santa Marta houve um médico que eu não conhecia que se sentou horas comigo para explicar tudo, para definir tudo. O médico que me disse que a minha mãe era muito querida por todos, a quem recorri quando a minha mãe foi para as urgências de São José. Um médico que me ligou quando saiu do hospital, fora do seu expediente. Um médico que a abraçou. As auxiliares que paravam o trabalho para se despedir da minha mãe quando saia. Uma médica que, no momento em que já não havia nada a fazer se emocionou comigo e partilhou também a história da sua mãe. A enfermeira que no final do seu turno, pelas 00h, naquela que viria a ser a última noite, não me deixou sair sozinha. Levou-me no seu carro para casa. Eu não conhecia estas pessoas. Estas pessoas não conheciam a minha mãe. Estas pessoas trataram a minha mãe com uma dedicação que vai para além do protocolo, que vai para além da função, da simpatia. Foram a nossa família de apoio direto durante meses.

Não há espaço mental regular que consiga encaixar a resiliência, o empenho, a vontade de estar presente, holisticamente, de médicos e enfermeiros. Quer num cenário quase de guerra nos claustros de São José, um espaço graficamente pesado, desolador, mas que puxa pela vida, quer nos canais de comunicação que rapidamente se abriam em Santa Marta, houve pequenos milagres que aconteceram.

 

A minha filha de 3 anos disse-me que tinha saudades da avó “Fama”. Pediu-me para ir ao céu buscá-la.

O Hospital de Santa Marta, todo o corpo humano deste Hospital, foi muitas vezes ao céu buscar a minha mãe. Aquele era o céu no meio dos hospitais.

 

Obrigada. Obrigada à equipa deste hospital.

 

Uso poucas vezes a palavra gratidão por ser muitas vezes um lugar comum. Em nenhum outro momento ela encontra o sítio certo e ecoa como aqui.

 

 

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publicado às 20:21

Ainda não há estudos que expliquem isto.

por Maria Joana Almeida, em 30.01.21

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"A expressão “Os estudos indicam que” fazem, recorrentemente, parte do léxico dos ambientes informativos e podem ter tanto de científico como de entediante e bacoco. A sua utilização massiva permite, também, enviesar ideias e fundamentar todos os argumentos. Na mercearia da Ciência existirá sempre um estudo que serve o meu propósito. Será sempre o mais viável e o correto.

 

Um estudo é uma carta na manga, um passe vip para a obtenção de credulidade e de continência. Dependendo de quem o usa fica no mesmo patamar das miss que querem paz no mundo e das pessoas que apregoam “Porque eu sou uma pessoa que...”. É frequentemente esquecido que é preciso analisar o estudo para o envergar.

 

Há estudos para todos os gostos nesta dicotomia “Escola aberta vs escola fechada”, e dentro da minha gaveta da moralidade, que dança ao som dos casos diários, seleciono o estudo que melhor serve o estado emocional daquele dia. É assim que nos encontramos.
As opiniões mais equilibradas são bombardeadas com estudos até que os estudos entrem pela nossa gaveta e nos convertam.

 

Em momento de assunção das falsas promessas de um arco iris antigo, todos sabemos que não vai ficar tudo bem. Ninguém sairá incólume no processo. Ninguém sairá triunfante.

 

Não tenho opinião formada sobre se as escolas se deveriam manter abertas ou não. E não tenho porque não detenho os estudos sérios, as variáveis, o que tirar e pôr para melhor equilibrar, todo um conjunto ideal que me possa levar a tomar decisões o mais acertadas possível. E o que pode ser uma decisão acertada no meio do caos? Não só aquele que reina nos hospitais, mas também o caos espartilhado nas diferentes emoções à flor da pele, nas diferentes histórias de cada um que nos fazem aventar disparates e crenças individuais, de contextos tão específicos, que não podem ser o único exemplo e resposta correta. Ainda não há estudo certeiro para minimizar e acabar com a intolerância.


Como mãe facilitaria que a escola estivesse aberta, mas aceito e compreendo. Como professora sei as lacunas e as fragilidades que ficaram do ensino à distância e por isso não é de ânimo leve que encaro o fecho das escolas. Mas é fácil compreender esta inevitabilidade. Não sou especialista e por isso parece-me ser necessário, mais do que atirar, de uma forma cega, opiniões e estudos do meu quintal, ouvir e perceber as razões.  
Não colocar o ensino à distância nestes quinze dias parece me sensato, nada se perde. Baixam-se os níveis de ansiedade e aproveita-se para refletir sobre a necessidade de criar competências para a autonomia, mais do que massacrar, pelo medo de falhar e deixar para trás algo bombardeado os alunos com fichas, fichas e atividades “para ser o primeiro a entrar na faculdade.”


Há muito ruído. Um ruído que tem toldado o discernimento, a calma e a inteligência. Sem qualquer referência católica, os vazios descritos recentemente por Tolentino Mendonça são a base deste ruído. Disparos constantes que não são mais do que gritos de revolta e pedidos de ajuda. Tudo é quase percetível, mas nem tudo pode ser acatado.

 

“Os estudos indicam que” é uma frase perigosa porque tanto é usada pelos preguiçosos e impostores como pelos que estudam. Pelos que se informam de facto. E por detrás de muita assertividade e segurança residem perigosos chacais que se alimentam da ignorância alheia."

 

in Público 27/01/2021

https://www.publico.pt/2021/01/27/opiniao/opiniao/nao-ha-estudos-expliquem-1948046

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publicado às 22:55


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