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Sobre os (um) Colégio de Educação Especial.

por Maria Joana Almeida, em 08.11.16

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Assumo-me como suspeita sobre este tema. Absolutamente suspeita.


O meu percurso profissional iniciou-se num colégio de Educação Especial. Espaço que moldou o princípio da minha profissão e que me levou a descobrir as Necessidades Educativas Especiais, mas acima de tudo uma forma de relação com a escola com a qual me revejo totalmente – a compreensão em vez da mera punição, o ouvir e conhecer ao invés de rotular e enumerar.


O Colégio Eduardo Claparède foi o palco de muitas aprendizagens, mas principalmente de muitos desafios. Foi, e é, um espaço privilegiado para compreender a diferença e a possibilidade de criar um lugar de transição para alunos com comportamentos severos que não conseguiram, pelas suas características, um lugar na escola regular. Vamos ser diretos: a Escola tem de ser para todos, mas não há omeletes sem ovos e a mudança de mentalidades, por muita legislação que exista demora. E neste impasse os bodes expiatórios não podem ser as crianças e jovens.


Sei que este é um assunto sensível a todos os defensores acérrimos da inclusão. Mas para além de me assumir como suspeita neste assunto, assumo-me primeiramente como intransigente em relação à inclusão. Tem de ser óbvia. Mais do que óbvia. Como disse Isabel Tordo: “A inclusão não se decreta. Constrói-se com o envolvimento de todos e na luta pela melhor resposta para cada aluno.”


Os colégios de educação especial desempenham um papel fundamental. Fundamental porque assumem na sua essência um princípio de aceitação de todos e esta é mais do que óbvia (Inclusão). Porque muitos dos jovens, e com conhecimento de causa falo, que não encontraram o seu lugar numa escola regular, conseguiram-no encontrar neste espaço. Um espaço onde é respeitado e onde consegue encontrar uma abordagem mais individual pensada para o aluno e não sob a custódia de um currículo; onde existe tempo e lugar para compreender os comportamentos; compreender as problemáticas e estar dotado de um corpo de docentes, psicólogos e terapeutas que trabalham diariamente para o mesmo objetivo; um local onde as reuniões são um espaço sem grelhas, sem trabalho burocrático onde o centro e a principal preocupação é: Como chegar até este aluno? Como conseguir que corresponda ao que a sociedade lhe exige? Um espaço que não é escravo de um currículo, mas sim de um princípio fundamental - criar uma relação afetiva, uma auto-regulação que permita ao aluno um novo caminho e em muitos casos uma reintegração na escola regular. Este é o verdadeiro projeto e trabalho dos colégios de educação de especial e o verdadeiro projeto do Colégio Eduardo Claparède de onde guardo muito trabalho árduo, anos difíceis, mas muitas aprendizagens, muito boas recordações e amizades inabaláveis.


Creio que todos os intervenientes educativos pais, terapeutas, profissionais da saúde, professores, escolas e Ministério da Educação reconhecem o seu valor e o seu papel na sociedade. Creio também que compreendem a mais-valia destas instituições cujo encerramento não ajuda a promover um trabalho pedagógico e terapêutico basilar junto de muitas crianças e jovens.


Não creio que a defesa da coabitação destas instituições possa ser considerada um “ataque” à inclusão, pelo contrário, estas devem ser encaradas como um espaço complementar para que este conceito – Inclusão – tão usado verbalmente, mas tantas vezes pouco sentido, possa fazer parte da “nossa memória muscular”.

 

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publicado às 23:35



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