Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Honestidade Intelectual

por Maria Joana Almeida, em 01.02.17

BLOG IMAGEM.jpg

 

És professora e não sabes isso?” ou “És advogado e não sabes isso?” A lista é interminável..

 

Existe uma assunção generalizada de que “aquele” conhecimento é absolutamente unânime a partir do momento em que “vestimos aquela” profissão.

 

Recordo-me de ouvir muitas vezes: “Nunca digas que não sabes” porque o não saber no imediato parece ter-se transformado numa imagem de fracasso. A teoria de que o conhecimento é uma construção e que não fica retido num determinado tempo ou espaço nem numa determinada profissão é recorrentemente deitada por terra quando queremos respostas imediatas.

 

Existem, obviamente, um conjunto de conhecimentos que devem ser a base para o funcionamento de uma profissão, de um trabalho. O crescimento e ampliação destes conhecimentos são determinados pelas vivências de cada um e pelo seu processo individual de pesquisa e vontade de aprender.

 

Naturalmente não é legítimo que (por exemplo) um professor de História ao abordar um determinado tema não tenha conhecimentos consolidados. No entanto, é natural que não conheça todos os detalhes de todos os temas que eventualmente os alunos possam questionar. A diferença reside entre o redirecionar essa pergunta porque não sabe e não quer demonstrar, ou assumir que não tem a certeza e por isso pesquisar juntamente com os alunos (partindo assim dos seus interesses).

 

Há uns anos atrás o meu Coordenador (quando falávamos da idade como sinónimo de mais ou menos experiência) dizia: “Depende. Se ter mais experiência quiser dizer que andou toda a vida a perpetuar um erro, essa experiência não é tão válida”. E sem dúvida é neste aspeto que difere o processo de aprendizagem: A vontade de evoluir e responder aos desafios diários ao invés de fechar os olhos e viver numa pequena redoma de conhecimento, porque foi assim que fez toda a vida, negando o processo de evolução.

 

Existe um certo poder em não assumir fragilidades, erros, falhas ou incertezas. A máscara da parede inabalável protege-nos e cria distâncias de segurança. No entanto, embora por vezes necessárias, não nos tornam reais nem humanos. Tenho a forte convicção de que a verdadeira segurança e auto-conhecimento reside em ser genuíno. É esta genuinidade (não confundir com ingenuidade) que nos permite criar empatia, porque é real. E é na empatia que se inicia o processo de relação e de conhecimento.

 

É na nossa honestidade intelectual que reside o poder. O poder de ser livre e de, como qualquer outro ser humano, agarrar e trabalhar as suas fragilidades. De se soltar de uma redoma de conforto e dizer um redondo e seguro “Não sei” Mas quero saber. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:50



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D