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Hoje quero falar sobre a Fátima.

por Maria Joana Almeida, em 11.10.17

 

Fátima.jpg

 

É também o nome da minha mãe, mas hoje o texto é sobre outra Fátima. A que conheci em 2014.

 

A Fátima foi (é) a auxiliar de ação educativa numa sala de ensino estruturado para autismo onde trabalhei. Foi a minha primeira experiência como professora de educação especial neste contexto. Embora segura da minha capacidade adaptativa, as dúvidas e inseguranças eram, naturalmente, bastantes no início.

 

O apoio e a rede de segurança numa escola é fundamental para quem chega de novo e dá os primeiros passos numa nova realidade. Os anos vão trazendo conhecimento, resiliência e mais estabilidade, aquela que nos permite olhar para os novos desafios com mais certezas e menos inseguranças.

 

Os auxiliares de ação educativa, também conhecidos por assistentes operacionais (termo que não gosto) são pessoas fundamentais numa escola. A sua função pode ser a que permite, em muitos casos, estabelecer uma relação de maior proximidade entre escola, pais e alunos. São um elo de ligação e um braço direito incontornáveis e absolutamente indispensáveis. A prova disto é a instabilidade criada em muitas escolas quando há falta de auxiliares de ação educativa.

 

A Fátima é, de longe, a melhor auxiliar de ação educativa que conheci. Desempenha um papel que vai para além das suas funções porque a Fátima é mesmo assim: extremamente profissional, extremamente dedicada. A Fátima já conhecia estes adolescentes desde que frequentaram o 1ºciclo. Já havia iniciado o trabalho com eles. Sabia o que tinha de ser feito e não cruzava braços em momento algum. O respeito e admiração destes jovens pela Fátima era inabalável. Uma relação de confiança há muito tempo criada, principalmente porque eles sabiam o quanto a Fátima gostava deles e o quando se preocupava com eles. Os encarregados de educação confiavam plenamente na Fátima. Professores iam e vinham, mas a Fátima ficava. Fica. E esta é uma segurança impagável para pais e familiares que inúmeras vezes têm de se deparar com dificuldades, inseguranças e decisões constantes.

 

Repito, a Fátima é (foi) muito mais do que se pode pedir de uma auxiliar de educação. É um ser humano extraordinário, dotada de grande sensibilidade, caráter e uma força da natureza. Correta, atenta, pronta para ouvir e aprender. Aquele braço direito que antes de falarmos ou pedirmos algo já tudo está a acontecer.

 

Foi, sem dúvida, pelas mãos  da Fátima que também muito aprendi sobre a relação e onde construi seguranças.

 

Obrigada

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publicado às 18:16


4 comentários

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De Anónimo a 13.10.2017 às 12:23

Foi um olhar assertivo e uma verdade que necessitava de ficar registada porque não existe muitas formas de agradecer o que fez e o que continua a fazer por todos os meninos(as) que se cruzam com ela....um beijinho e obrigada
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De Anónimo a 14.10.2017 às 21:49

A Fátima é mesmo muito especial:)

Obrigada.
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De Anónimo a 14.10.2017 às 21:51

Obrigada:)
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De PP a 13.10.2017 às 19:31

Belíssimo post.
Eu tive uma Zita e uma Sónia que tanto me ensinaram. Um trabalho conjunto. Reforço todas as palavras acerca da importância dos auxiliares numa Escola, sobretudo quando empenhados. Todos nós somos Escola.

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