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Breves considerações sobre avaliações pedagógicas

por Maria Joana Almeida, em 01.06.17

 

 

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A internet dispõe de inúmeras páginas com exemplos de avaliações pedagógicas bem como teses que demonstram quais os pontos essenciais e de que forma deve ser construída.

 

Na realização de uma Avaliação Pedagógica existem três pontos que considero fundamentais e que estão assentes na premissa de a tornar absolutamente individual. O objetivo será (sempre) realizar uma avaliação o mais completa e detalhada que nos permita obter uma imagem, o mais fidigna possível, do aluno. É muito fácil cairmos nas disposições gerais e nas áreas mais globais arriscando-nos a criar avaliações que poderiam tanto do Manuel como da Maria.

 

Quando entramos no campo das Necessidades Educativas Especiais e de forma a respeitar a lei em vigor é necessária a utilização da CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade) em que “(…)o objectivo geral da classificação é proporcionar uma linguagem unificada e padronizada assim como uma estrutura de trabalho para a descrição da saúde e de estados relacionados com a saúde. A classificação define os componentes da saúde e alguns componentes do bem-estar relacionados com a saúde (tais como educação e trabalho)” http://www.inr.pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf

No momento da avaliação através deste instrumento é, no meu entender, imprescindível uma descrição detalhada do comportamento da crianças em cada área referente a cada código.  A mera atribuição de códigos, como tenho vindo a referir em outros textos, desumaniza a avalição fechando alunos em números sem conteúdo.

 

Outro ponto a ter em atenção são os atos perlocutórios na avaliação. Observar e registar quais as reaçóes, expressões, verbalizações efetuadas pelo aluno avaliado. São estes detalhes que permitem compreender e espelhar de uma forma única aspectos importantes para uma posterior intervenção.

 

O terceiro ponto prende-se com a utilização não só de instrumentos formais, mas de exercícios, ou mesmo objetos familiares com relação afetiva para o aluno. Uma avaliação baseada apenas em documentos muito estruturados retira toda a espontaneidade e interesse de quem é avaliado o que torna a avaliação inócua.

 

A realização de uma anamnese – recolha de informação pessoal e escolar é, também, fundamental para poder compreender o background bem como algumas verbalizações e comportamentos observados. É através da recolha destes dados que se torna possível selecionar e construir instrumentos de avaliação mais adequados. Esta é, no entanto, uma metodologia ambígua. Existem professores apologistas de não conhecer a anamnese antes de avaliar uma criança com o argumento de que este conhecimento prévio vai “contaminar” as crenças em relação ao aluno no momento de avaliação e criar ideias preconcebidas, tornando assim a avaliação menos “natural”.

 

Refletindo sobre qual o procedimento mais correto, direi que não existe. Ambas metodologias são legítimas contendo argumentos pertinentes. Por um lado conhecer o passado pode ajudar na preparação de uma avaliação mais estruturada, por outro lado este conhecimento prévio retira alguma espontaneidade ao momento de avaliação.

 

Penso que são metodologias que podem coabitar e a escolha deve ser deixada ao critério de quem procede à avaliação. A premissa que deverá ser sempre essencial é a de encarar este momento de avaliação como um momento recíproco. Um momento onde devemos estabelecer uma relação de confiança, aquela que permite retirar alguma formalidade que (sim) pode contaminar todo o processo.

 

 

 

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publicado às 22:38



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