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Breve reflexão sobre T.P.C

por Maria Joana Almeida, em 29.11.17

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“Tempo perdido para casa”, a frase com a qual apelidávamos, carinhosamente, a sigla T.P.C no Secundário, já lá vão uns anos.

 

Uma recente discussão, numa formação que frequento atualmente sobre tutorias, veio relembrar-me este tema que reúne poucos e diferentes consensos.

 

Há quem, convictamente, coloque os trabalhos de casa na prateleira da aberração pela “violência para as crianças” que deixam de ter tempo em casa e obrigam os pais a delegar tempo para ajudar os filhos, ou a realizá-los em modo automático, sem reflexão em Centros de Estudo. Ouvi, inclusivamente, frases como; “Deve ser o Ministério da Educação a terminar com os trabalhos de casa”. Existe, por outro lado, outra perspetiva que defende a utilização dos T.P.C como uma absoluta necessidade de “reforçar os conteúdos dados em sala de aula”

 

Vejamos: Apelando à minha atitude, sempre muito pouco fundamentalista, não consigo, em primeiro lugar, entender esta perspetiva dos TPC como se de um saco se tratasse em que implica, sempre, exercícios já feitos na aula, leituras, e afins.

 

Não tenho absolutamente nada contra os TPC precisamente porque não os consigo conceber apenas num único estilo, formato e propósito.

 

Os TPC podem e devem ser variados num momento, ou em momentos específicos da semana. Podem sim, em muitos casos, servir como uma complemento de reforço e também como um momento de partilha de uma atividade a dois entre pares ou entre pais e filhos porque, na perspetiva que considero a mais correta, o trabalho de casa pode consistir em ver um filme; trazer algum objeto de casa, ler um pedaço de um livro. Não tem de ser apenas e sempre uma página, ou vários de exercícios formatados, todos os dias da semana. Nem muito menos tem de se tornar um bicho papão e fonte de stress para crianças e pais.

 

Encaro os TPC como uma atividade que pode, quando adequados, trazer benefícios a vários níveis que não se prendem apenas com o clássico “mais do mesmo”. A verdade é que a sigla TPC ganhou, ao longo dos anos um rótulo pesado, desmotivante, um pouco perpetuado por alguns professores ou escolas que, de antemão, colocavam (colocam) um peso muito formal e com uma componente “castigo” ainda que inconscientemente.

 

Uma das questões mais importantes a ter em consideração é perceber as possibilidades de tempo, disponibilidade dos alunos e respectivas famílias para assim conseguir adaptar o trabalho. Esta necessidade não se prende apenas com os trabalhos de casa mas com todo o trabalho desenvolvido. E é por esta razão, para mim das mais importantes, que a realização de TPC não se prende, nem se deve prender com diretrizes do Ministério da Educação. A escola tem de ter (é esse o objetivo futuro) flexibilidade curricular e mais autonomia que lhe permita uma organização mais individual e coerente com o meio onde está inserido podendo assim, cada professor, decidir o seu modus operandi, focado no aluno.

 

O Ministério da Educação tem outras responsabilidades que em nenhum momento deve passar, naturalmente, por este tipo de restrições.

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publicado às 19:59


1 comentário

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De Anónimo a 30.11.2017 às 15:49

Excelente artigo, que espero que seja lido por muitos colegas.

A aplicação "tradicional" dos TPC é de uma grande pobreza pedagógica, que quase nada acrescenta aos alunos. Podendo ser, isso sim, uma estratégia, um recurso rico e diversificado não só para reforçar conteúdos como até para antecipar-los. Vivendo-se num mundo digital como actualmente, não se justifica os TPC das "fichas e das páginas", ou o aberrante "terminar as fichas em atraso". Porque não, o ler um determinado capitulo de um livro (à escolha do aluno) e fazer um resumo, aprofundar ou antecipar conteúdos programáticos através do visionamento dos inúmeros vídeos disponíveis na Khan Academy, ver um jogo de basquetebol na TV para se abordar as estatísticas, etc etc…

Continuação do bom trabalho,

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