Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



5 perguntas, 5 respostas com Rodolfo Castro - "O pior contador de histórias do mundo"

por Maria Joana Almeida, em 16.03.16

 

rodolfo.jpg

 

“Quando comprovei que não podia ser o melhor decidi ser o pior..”

 

Tive o privilégio de ter uma  formação com o Rodolfo e não podia deixar de lhe pedir um breve contributo sobre a importância das histórias.

 

 

Rodolfo Castro nasceu em Buenos Aires e formou-se no México. Intitulou-se como “O pior contador de histórias do mundo”, uma designação que revela uma interessante antítese. Aos primeiros cinco minutos de ouvir Rodolfo, qualquer pessoa se apercebe que estamos perante um dos melhores contadores de histórias de sempre.

Começou a contar histórias profissionalmente em 1993, antes disso passou por várias atividades. Trabalhou como pedreiro, carteiro, sapateiro, vendedor ambulante. Passou pela atuação, pelo futebol, pela música e foi professor do Ensino Básico.

É escritor e formador creditado na área de literatura e contos vivendo atualmente me Portugal. Faz parte da editora GATAfunho e conta já com várias obras da sua autoria.

Podemos encontrar o Rodolfo aos domingos de manhã na Livraria GATAfunho em Oeiras para ouvir uma das suas histórias.

 

 

1- Crescemos a ouvir histórias continuamos a ouvir e contar histórias ao longo da nossa vida. Qual é o seu grande impacto no nosso crescimento?

 

Somos as nossas histórias. Contar e ser contados é essencial para o ser humano. As histórias são a nossa intuição do outro e a nossa memória do que nunca aconteceu e do que ainda acontecerá. Um ser humano em qualquer etapa da sua vida constrói o seu mundo através de histórias que se conta a sim próprio e aos outros.

 

 

2- Como se tornou contador de histórias, qual foi a principal motivação?

 

 A supervivência. Sempre fui um busca-vida sem profissão estável e com muitas ganas de mudar. Os contos me deram essa possibilidade de estar em muitas partes, não só de forma fictícia, mesmo na realidade os contos me levam de um lugar a outro.

 

 

3- Olhando para o nosso sistema educativo e numa perspetiva de anos letivos, como vê a abordagem que é feita das histórias?

 

De forma geral vejo que a escola faz das histórias e contos “ferramentas didáticas” e esquece ou põe de lado a componente estética, literária, recreativa, lúdica, emocional e sensorial da leitura. Só se lê para aprender, para retirar ensinamentos e regras de conduta, e para cumprir com objetivos programáticos. Não há suficientes momentos de leitura livre. Isto esmaga o prazer leitor e em poucos anos forma ex-leitores aborrecidos com os livros. 

 

 

4- No momento de escolher uma história para contar, quais os principais requisitos que deveremos ter em consideração?

 

Gostar dela. Evitar o didatismo. Procurar os livros que além da beleza das ilustrações contem uma história que não seja óbvia.

 

 

5- O Rodolfo tem muita experiência em contar histórias em escolas. De que modo as histórias podem ajudar no percurso educativo e ser uma boa aliança com a escola?

 

Atualmente a leitura não é uma aliada da escola… é a sua escrava. Se queremos que a leitura seja uma aliada e uma fonte de aprendizagem e experiências temos que abrir o leque: mais livros, bibliotecas escolares com acervos atualizados, leituras que não estejam sempre sujeitas aos objetivos curriculares. Professores e professoras que gostem de ler e se preocupem por ler bem em voz alta, e que os que já o fazem parem de moralizar continuamente cada vez que lêem um livro as crianças. Ninguém merece que o estejam a educar todas as horas de todos os dias de toda a sua vida. É um martírio! Penso que para a escola seria bom liberar-se de tantas obrigações e ligaduras e dar mais espaço à espontaneidade e à alegria. Assim a relação com a leitura, vida das crianças e a saúde mental da sociedade melhoraria.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:07



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D