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Hoje é só isto.

por Maria Joana Almeida, em 20.06.17

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 http://leitor.expresso.pt/#library/expressodiario/19-06-2017/caderno-1/temas-principais/gnr-tentou--mas-nao-conseguiu--travar-marcelo

 

Os abraços não resolvem tudo. Tudo o que aconteceu e acontece não cabe num abraço. Mas como Chefe máximo de Estado as suas ações têm um impacto gigante. Passámos de alguém que não saía do pedestal ensinando-nos uma lição de distância e desprendimento para alguém que, exagerado ou não, tem-nos vindo a transmitir uma lição de proximidade.


Estar onde é preciso, ser inspirador é, também, o que um Presidente deve ser.

 

 

 

 

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publicado às 01:37

Não sei como estudar!

por Maria Joana Almeida, em 06.06.17

 

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O ritmo acelerado da escola, dos conteúdos e a falta de tempo útil para pensar numa organização dificulta o processo de estudo. É essencial quebrar o ciclo de ansiedade que se pode desdobrar em atribuições de culpas, baixas expetativas e insucessos.

 

O primeiro passo é parar. Parar para refletir sobre a nossa forma de atuar definindo prioridades nos conteúdos a estudar, como estudar e quando estudar. É fundamental estabelecer um plano e cumpri-lo. Ao estabelecermos um plano de estudo com objetivos conseguimos uma organização que nos faz poupar tempo para as nossas outras atividades. 

 

Desta forma é essencial:

 

Criar um compromisso com a agenda escolar. Este compromisso deve traduzir-se na elaboração de um esquema semanal de estudo com base nos momentos de avaliação (numa perspetiva contínua) onde definimos os momentos de estudo. Este horário deve acompanhar o aluno nos vários locais :escola e no espaço de estudo em casa e deve definir os tempos direcionados para a preparação dos momentos de avaliação e os momentos de tempos livres, juntamente com outras atividades.

 

O aluno terá de se responsabilizar por essa “agenda”. Sendo ele quem deve construir juntamente com ou pais ou tutor, os momentos destinados ao estudo.

 

A gestão de tempo é fundamental. Saber gerir o tempo de estudo criando horários plausíveis e intervalos é a chave para permitir um equilíbrio entre os momentos de maior disponibilidade mental e concentração com os momentos de descontração. É importante defini-los tendo em conta o perfil de funcionalidade do aluno no que diz respeito aos seus tempos de concentração. São preferíveis mais intervalos (curtos) do que a exigência de um tempo muito prolongado.

 

O aluno deverá, também, compreender a diferença entre intensidade de estudo e qualidade de estudo. O sucesso não está nas horas que se passa a estudar, mas na forma como estudamos e é isso que faz a diferença. Este é um dos principais desafios neste trabalho de planeamento e os pais ou tutor são os principais aliados nesta competência. Deverá existir um compromisso entre os conteúdos e as competências associadas à matéria da disciplina tentando um maior nível de objetividade. Para isso o aluno, juntamente com pais e auxílio do professor, devem selecionar os materiais necessários de apoio ao estudo permitindo assim ao aluno uma maior proximidade da matéria o que se traduz numa maior segurança e sentido de responsabilidade.

 

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publicado às 23:38

Breves considerações sobre avaliações pedagógicas

por Maria Joana Almeida, em 01.06.17

 

 

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A internet dispõe de inúmeras páginas com exemplos de avaliações pedagógicas bem como teses que demonstram quais os pontos essenciais e de que forma deve ser construída.

 

Na realização de uma Avaliação Pedagógica existem três pontos que considero fundamentais e que estão assentes na premissa de a tornar absolutamente individual. O objetivo será (sempre) realizar uma avaliação o mais completa e detalhada que nos permita obter uma imagem, o mais fidigna possível, do aluno. É muito fácil cairmos nas disposições gerais e nas áreas mais globais arriscando-nos a criar avaliações que poderiam tanto do Manuel como da Maria.

 

Quando entramos no campo das Necessidades Educativas Especiais e de forma a respeitar a lei em vigor é necessária a utilização da CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade) em que “(…)o objectivo geral da classificação é proporcionar uma linguagem unificada e padronizada assim como uma estrutura de trabalho para a descrição da saúde e de estados relacionados com a saúde. A classificação define os componentes da saúde e alguns componentes do bem-estar relacionados com a saúde (tais como educação e trabalho)” http://www.inr.pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf

No momento da avaliação através deste instrumento é, no meu entender, imprescindível uma descrição detalhada do comportamento da crianças em cada área referente a cada código.  A mera atribuição de códigos, como tenho vindo a referir em outros textos, desumaniza a avalição fechando alunos em números sem conteúdo.

 

Outro ponto a ter em atenção são os atos perlocutórios na avaliação. Observar e registar quais as reaçóes, expressões, verbalizações efetuadas pelo aluno avaliado. São estes detalhes que permitem compreender e espelhar de uma forma única aspectos importantes para uma posterior intervenção.

 

O terceiro ponto prende-se com a utilização não só de instrumentos formais, mas de exercícios, ou mesmo objetos familiares com relação afetiva para o aluno. Uma avaliação baseada apenas em documentos muito estruturados retira toda a espontaneidade e interesse de quem é avaliado o que torna a avaliação inócua.

 

A realização de uma anamnese – recolha de informação pessoal e escolar é, também, fundamental para poder compreender o background bem como algumas verbalizações e comportamentos observados. É através da recolha destes dados que se torna possível selecionar e construir instrumentos de avaliação mais adequados. Esta é, no entanto, uma metodologia ambígua. Existem professores apologistas de não conhecer a anamnese antes de avaliar uma criança com o argumento de que este conhecimento prévio vai “contaminar” as crenças em relação ao aluno no momento de avaliação e criar ideias preconcebidas, tornando assim a avaliação menos “natural”.

 

Refletindo sobre qual o procedimento mais correto, direi que não existe. Ambas metodologias são legítimas contendo argumentos pertinentes. Por um lado conhecer o passado pode ajudar na preparação de uma avaliação mais estruturada, por outro lado este conhecimento prévio retira alguma espontaneidade ao momento de avaliação.

 

Penso que são metodologias que podem coabitar e a escolha deve ser deixada ao critério de quem procede à avaliação. A premissa que deverá ser sempre essencial é a de encarar este momento de avaliação como um momento recíproco. Um momento onde devemos estabelecer uma relação de confiança, aquela que permite retirar alguma formalidade que (sim) pode contaminar todo o processo.

 

 

 

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publicado às 22:38

5 perguntas, 5 respostas com o Escultor Daniel Leite Mendes

por Maria Joana Almeida, em 24.05.17

 

 

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Conheci o escultor Daniel Leite Mendes recentemente. Não foi preciso muito de tempo de conversa para perceber a entrega que tem à vida, aos pequenos pormenores que observa e a leveza das palavras e dos gestos. Não sou a maior entendida em escultura, mas sei apreciar a beleza e a importância artística no nosso mundo e o quão fundamental é no desenvolvimento educacional. A expressão artística tem a capacidade de nos resgatar, de arranjar substitutos de vida e de nos permitir conhecer e dar a conhecer.

 

O Daniel é dotado de uma enorme sensibilidade estética e artística. Sonhador, terno, observador, intenso, pés na terra e alma enorme. Aprendeu com o pai a função de marceneiro, passou pela arquitetura, pelo desenho e descobriu a paixão na escultura. A sua primeira obra foi aos 21 anos anos, altura em que estava nos Açores. Passou de rostos, a linhas mais curvas, mais femininas, pueris mas intensas, são de pedra, mas são leves.

 

A sua próxima exposição será no Lx factory e deixo aqui uma breve entrevista.

 

 

 

1 - Daniel, entre as várias formas de expressão artística porquê a escultura em pedra? Que percurso ou vivências te levaram até aqui?

 

Apaixonei-me pela “personalidade” da pedra nos açores, onde comecei com curiosidade de a esculpir. A sua textura, volume, dureza... Ao trabalha-la gostei de sentir que ela, com os seus veios e características puramente naturais, ajudava-me na criação mostrando formas, “comunicando” no que se quer tornar. Fiquei encantado.

 

2 -  Deves ouvir muitas vezes esta pergunta, mas interessa-me o processo e não o como. A inspiração nasce de onde? A peça que idealizas ao inicio é a mesma que constróis no final?

 

A inspiração nasce de algo no fundo muito pessoal que muitas vezes passa por algo que precisa ser trabalhado, cuidado, assumido, materializado, contemplado, venerado.

Depois no processo criativo, materializar a ideia, muitas vezes vai alterando pelo que referi na pergunta anterior, e com a viagem no “tema” flui sempre algo mais belo, libertador e mais de encontro ao que em verdade se constata que se desejava fazer. É lindo!

 

3 -  A família pode ser um facilitador ou uma barreira nas escolhas que fazemos para a nossa vida. Como foi a resposta da tua família ao caminho que escolheste?

 

Tenho uma gratidão enorme para com o meu pai que me encaminhou e passou a sua sabedoria de como trabalhar com as mãos e a madeira.

A Arte/Escultura a ideia não foi recebida de braços abertos no seio da família. Devido a demasiada humildade não aprovou muito bem a ideia de “artista”.

 

4 -  Tens exposto o teu trabalho em vários espaços onde a aceitação tem sido muito boa. Como vês o mundo da arte em Portugal?

 

Vejo que muitas pessoas apreciam arte mas poucos a adquirem.

Vejo também que quem adquire não abre muito “oportunidade” para novas pessoas com dom preferindo investir em artistas de renome.

 

5 -  Qual o impacto que esta expressão artística teve e tem na tua vida? De que forma te descobres com ela?

 

O mais precioso, perceber, sentir, porque o meu pai ficava tanto tempo a contemplar os móveis que fazia…  

Dá-me quietude. Quando crio simplesmente existe isso..é uma entrega ao momento que necessito para me encontrar e sentir que realmente estou a criar algo muito meu. O que me realiza enquanto ser humano. Aquilo que não encontro no dia a dia na sociedade.

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publicado às 00:56

5 perguntas, 5 respostas com Ana Gralheiro

por Maria Joana Almeida, em 10.05.17

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A Ana é assertiva, bem-humorada e pró ativa. Conheci-a como diretora na escola onde ainda leciono.

Partilhamos gostos semelhantes. Gostamos dos mesmos filmes e de linguagens artísticas idênticas que nos proporcionam conversas interessantes e uma boa empatia.

 

Como diretora a Ana sempre se mostrou presente, atenta, perspicaz e uma boa ouvinte. É carinhosa com a comunidade educativa e reconhece, com muito orgulho e de forma extremamente motivante, o bom trabalho desempenhado pelos membros da escola.

 

O papel de diretora é exigente e feito de escolhas e decisões por vezes difíceis onde existem equilíbrios que não são fáceis de encontrar. 

 

Obrigada Ana pelo teu testemunho.

 

 

 

1- Existem poucos espaços mais desafiantes do que o espaço escola, quer no papel de auxiliar de educação, professor ou diretor. Na tua opinião, e com a experiência que tens como directora de uma escola, quais os principais desafios deste cargo?

 

Acredito que é decidir o que é essencial ensinar aos alunos e garantir que as disciplinas elementares não sejam prejudicadas pela avalanche de conteúdos que são propostos atualmente. Hoje, a equipe docente se ocupa da Educação Ambiental, alimentar e comportamental e com programas de prevenção a aids, acidentes de trânsito e violência sexual. Todos muito importantes, mas que não são responsabilidade da escola. Ao tentar colocar tudo no mesmo pote, falta espaço para o básico. 

(António Nóvoa)


Os principais desafios a enfrentar prendem-se com as múltiplas exigências que recaem na figura no diretor, nomeadamente todos os normativos e burocracias emanados pelos diferentes organismos do MEC, autarquia, famílias…, nem sempre compatíveis entre eles e, muitas vezes contraditórios.

 

Tentar conciliar estas exigências com a missão da escola e o projeto educativo, nem sempre é uma tarefa fácil.

 

A escola é um local privilegiado de aprendizagens académicas, mas também de valores humanistas, democráticos e de cidadania responsável.

Professores felizes têm vontade de vir para a escola e de fazer o seu melhor. O mesmo se passa com os alunos e pessoal não docente.

 

Mas, hoje em dia, deparamo-nos com perspetivas absurdas sobre as responsabilidades da escola (a escola passou a ser responsável por tudo…), principalmente por parte dos meios de comunicação social e de algumas famílias, que colocam em causa o que é veiculado em ambiente escolar.

Dou como exemplo o acesso às redes sociais e internet, de um modo geral, sem supervisão parental, que podem acarretar consequências terríveis e irreversíveis.Na perspetiva de muitos isso é responsabilidade da escola.

A crescente desresponsabilização dos pais em relação à educação dos filhos, é assustadora.

Educar exige muito trabalho, resiliência e tempo por parte das famílias…

 

"Imagine que a escola é um pote." "Porém as crianças precisam ter noções de meio ambiente, certo?", "E aulas de cidadania e higiene". "Alguém precisa preveni-los também contra a Sida, a violência sexual..."( o pote está mais do que cheio). Tudo isso é importante, mas não deve ser responsabilidade da escola". 

(António Nóvoa)


 

2 - A função de Diretora traz consigo muitas responsabilidades e uma articulação forte, quer com a comunidade educativa, quer com o Ministério da Educação. Como se conseguem gerir ambos?

 

Como diretora, professora e cidadã, sempre defendi que a escola deve ser uma instituição humanista, motivadora, reconhecedora, solidária, empática e integradora, de modo a envolver os profissionais de educação, alunos e famílias na promoção das aprendizagens e do sucesso educativo e pessoal.

É muito importante ouvir as pessoas, aferir as suas sensibilidades, projetos, receios… de modo a sentirem-se felizes no seu local de trabalho.

Assim, na operacionalização com a comunidade educativa, autarquia e MEC, o diretor nunca deve desviar o foco dos seus princípios de vida, centrados nos valores do humanismo democrático e e conciliá-los com os procedimentos exigidos.

 

Ser diretor é também correr riscos.

 

 

3 - Qual consideras ser o perfil e as competências necessárias para a função de diretora de uma escola?

 

- Pessoas que se esforçam por desenvolver boas relações humanas colocando ênfase nas acções de envolvimento, partilha e delegação de competências, pois só assim os profissionais de educação e alunos se sentirão apoiados e gostarão do trabalho que desenvolvem;

- Pessoas que promovem e valorizam a comunicação e alicerçam a sua conduta em valores como a autonomia, determinação, humanismo e justiça;

- Pessoas que promovam a criação de visões de futuro para as suas escolas, apontando caminhos para alcançar os objetivos de forma motivadora e inovadora.

- Promovam a elevação da qualidade das aprendizagens, orientadas para o sucesso académico, pessoal e profissional.

 

 

 

4 - Olhando e refletindo para o espaço escola, quais as principais mudanças que consideras fundamentais existirem?

 

A escola atual continua a ter muitas semelhanças com a do Séc. XIX, na medida em que se pressupõe que os professores são os detentores do conhecimento, espartilhado em disciplinas/ áreas curriculares, horários e que os alunos são os seres que devem aprender o que lhes é transmitido, nas horas estipuladas.

Este tipo de escola não valoriza as aprendizagens e competências que cada indivíduo já transporta previamente.

Nos dias que correm isto é inqualificável, até porque os alunos têm à sua disposição uma série variadíssima de informação através da internet.

 As escolas necessitam de turmas mais pequenas (20 alunos, no máximo) e formação prática dos docentes em área projeto/ ensino transdisciplinar e novas pedagogias, de modo a ser possível uma aprendizagem mais individualizada e uma consolidação de práticas inovadoras, projetadas no futuro.

 

 

 5 - Escrevi há pouco tempo um texto sobre liberdade. Um pouco sobre “as más e boas” liberdades. Como se consegue gerir, com alunos, dentro do espaço escola a liberdade e os seus, inevitáveis, limites?

 

Respondo cintando o meu pedagogo preferido:

 

(…)na escola (…) O que une é aquilo que integra cada indivíduo num espaço de cultura, em determinada comunidade: a Língua, as Artes Plásticas, a Música, a História etc. Já o que liberta é o que promove a aquisição do conhecimento, o despertar do espírito científico, a capacidade de julgamento próprio. Estão nessa categoria a Matemática, as Ciências, a Filosofia etc. Com base nesse princípio, podemos selecionar o que é mais importante e o que é acessório na Educação das crianças.


(António Nóvoa)

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publicado às 21:36

Isto da liberdade

por Maria Joana Almeida, em 03.05.17

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Não, não é um texto sobre o 25 de Abril. Primeiro porque já passou e depois porque não me reconheço com propriedade suficiente para escrever acerca deste dia. O meu entendimento vem de memórias de outros, das memórias da minha mãe, de livros que li e filmes que vi. Construi sentidos e imagens muito bonitas desse dia.

 

No entanto há cravos nas fotos porque foram tiradas no dia 25 de Abril e porque este é um texto sobre liberdade.

 

Quando era pequena ouvi vezes sem conta a frase “A nossa liberdade acaba quando a dos outros começa”. Soou durante muito tempo na minha cabeça até que fizesse sentido. Era demasiado abstrata para poder perceber o seu significado.

 

O conceito de liberdade é provavelmente dos mais difíceis de “ensinar”. Eu já cresci num tempo de liberdades óbvias, conquistadas. O meu mind set nunca conheceu outra forma de ser (sentir na pele é outra coisa). Por ser tão difícil de explicar e de uniformizar, dilui-se em várias conceções. Aqueles cujo a liberdade não se limita no outro: digo por ter a liberdade de o dizer, mesmo que tenha repercussões negativas no outro. Aqueles cuja a liberdade é condicionada pelo grau de confortabilidade do outro: sujeito-me sempre à liberdade do outro. Aqueles que escolhem a liberdade empática: saber escolher o que dizer e a maneira como dizer porque sei ler o outro e reconhecer quando é que a sua liberdade começa e a minha termina.

 

As liberdades esbarram em diferentes entendimentos, em diferentes formas de educação. Nunca será consensual, porque nenhum contexto é igual. Se passo nos corredores de uma escola há liberdades a serem usadas mesmo que a minha esteja a ser posta em causa. E já sem pensarmos, todos acabamos por compactuar com esta liberdade unilateral. Porque aceitamos que são os (uns) novos tempos. Tempos assim que trazem boas e más liberdades. E há liberdades que dão trabalho. (Até 25 de Abril de 1974 bem sabiam o trabalho que deu)

 

E ainda assim, pode a liberdade ter limites? Tem inevitavelmente.

 

Há liberdades sentadas à espera de poderem ser usadas; liberdades que estão bem seguras pela mão e liberdades a preto e branco - aquelas que já se desvaneceram. E nestas liberdades, está aquela (necessária) de escolher alertar para todas as liberdades, que vão para além das individuais. A de quem diz e faz e de quem ouve e sente.

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publicado às 10:28

Distâncias

por Maria Joana Almeida, em 26.04.17

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É um texto sobre amor. O amor também educa.

 

Gosto de miradouros. Gosto muito de miradouros. Aprecia-se a distância, à distância num lugar fixo, onde se pode sempre voltar, como um lugar reconfortante.

 

É um lugar de abraços. Abraçar pessoas, abraçar ideias, abraçar causas. É um lugar de despedidas e de reencontros. De resgates emocionais.

 

Lembro-me da imagem de muitos professores, do alto dos seus miradouros, já na reforma, que permanecem de olhos brilhantes quando recordam nomes, locais, abraços a pessoas, abraços a causas. Não só aqueles com e onde foram felizes, mas também os momentos de decisões difíceis, porque, numa analogia pueril ao filme Inside out, a tristeza é uma das chaves fundamentais para que possamos evoluir.

 

A distância permite o início do processo de relativização, aquele que cria uma certa nostalgia, que embala ideias e pensamentos. Ajuda a quebrar ciclos. Nos miradouros das nossas vidas permitem recomeços.

Enche-nos de mais bagagem ao mesmo tempo que limpa a mente separando e eliminando o que não interessa. Arruma a casa e reorganiza os nossos diferentes palcos: escola, trabalho, relações.

As distâncias são às vezes desejadas (as férias, uma interrupção) mas muitas vezes não são pedidas. Aparecem como a única hipótese para evitar um acumular de emoções que baralham a máquina e que nos conduzem aos "over" (estrangeirismos) do século XXI: overload, overthinking, overcoming burn out.

Deparei-me hoje com a frase de um filme After the reality -  "There's a loss of all that was, and then there´s a loss of all that wasn´t. It´s the "wasn't" that seems to drive folks a little nutty." (Há uma perda em tudo o que foi e uma perda em tudo o podia ter sido. E é “o que poderia ter sido" que nos desorienta.)

 

No miradouro a apreciar Lisboa os "over" dão lugar aos "under". Lisboa torna-se ainda mais bonita quando olhamos de outro ponto, do ponto onde não estamos e onde sonhamos com o que ainda pode ser.

 

 

Às vezes é preciso parar, contemplar, para continuar a ter caminho para andar.

 

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publicado às 14:21

Sobre Psicomotricidade com João Costa.

por Maria Joana Almeida, em 30.03.17

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Quando analisamos as áreas de leitura e escrita compreendemos que a Psicomotricidade é absolutamente indissociável do desenvolvimento destas competências. Embora seja uma área indispensável, não é uma das primeiras abordagens pensadas por pais e professores devido, ainda, ao pouco conhecimento do seu valor e contributo.

 

O João Costa, com o qual tenho o privilégio de também trabalhar atualmente, é Psicomotricista e trabalha há vários anos com crianças e jovens com diversos quadros clínicos. É diretor do Instituto de Terapias Expressivas em Lisboa e Professor Assistente Convidado pela Universidade de Évora, lecionando no Mestrado de Psicomotricidade Relacional.  Conhece a realidade de muitas escolas e apresenta uma abordagem relacional, com ao qual muito me identifico, no trabalho que desenvolve.

 

Na procura de mais respostas sobre esta área e de forma a dar a conhecer os seus principais objetivos, bem como o trabalho imprescindível que desempenha, decidi pedir ao João um contributo sobre a importância da Psicomotricidade no desenvolvimento da criança.

 

Obrigada João

 

 

1 – Quando abordamos o conceito Psicomotricidade percebemos que ainda é pouco claro para alguns professores e especialmente alguns pais. Como definirias esta área?

 

A Psicomotricidade é uma disciplina muito recente em Portugal. Daí ser pouco conhecida no ambiente escolar como recurso às aprendizagens, e também pouco difundida junto da comunidade em geral. Todavia, no seu país de origem, a Psicomotricidade é amplamente conhecida no meio escolar/educativo e em ambiente clínico.

Trata-se de uma área que poderíamos designar como híbrida, isto é, na sua construção temos influência da psicologia, psiquiatria, psicanálise, pedagogia , neurologia.

A Psicomotricidade pode ser encarada como uma forma de psicoterapia de mediação corporal, onde o corpo, o espaço, a expressão motora, o gesto, o movimento, a atitude tónica, são os suportes eleitos.

A comunicação infra-verbal, mimo gestual e verbal, são o elo das relações que se estabelecem e que passa pelo emocional e afetivo.

Se necessário em progressiva verbalização, desde as descrições das sensações, à conversa dos sentimentos e emoções das situações vivenciadas.

 

 

2 - Quando achas necessário, ou quais são os sinais de alarme, que no teu entender não devem ser ignorados pelos pais e que necessitam da intervenção de um psicomotricista?

 

Numa primeira abordagem quando os padrões do desenvolvimento são adquiridos tardiamente, quando os pais têm duvidas devem cedo procurar profissionais de forma a “encontrar” os casos precocemente para uma maior facilidade de remoção dos sintomas; quando é descrito “desencontros” nos ritmos circadianos - os meninos gostam de brincar durante a noite e dormem durante o dia; quando a comunicação não é concordante, quando não olham nem apontam o que querem. Quando no ambiente escolar não “sabem” respeitar as hierarquias….

 

 

3 - A Psicomotricidade tem um papel fundamental ao longo da nossa vida e o espaço do pré-escolar é um espaço por excelência para potenciar esta área. Quais são as atividades que achas fundamentais serem desenvolvidas?

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A fase pré-escolar é um espaço excelente e obrigatório “trabalhar” o pré-escolar, a simbolização para assim poder entrar no mundo académico que é dominado pelos símbolos e abstração. Para se adquirir de forma consistente esta etapa, devemos promover frequentemente os jogos de faz-de-conta, de construções de ideias, promover a criatividade, de promover a autoestima utilizando situações em que as ações sejam fáceis de fazer para que a criança se sinta confiante e segura, estas atividades são sempre acompanhadas com o substrato afetivo e emocional, para organizar as memórias afetivas. Assim temos o prazer de fazer. Ao “trabalharmos" estas áreas estamos a fomentar o pensamento simbólico.

 

 

4 - De que forma é que a psicomotricidade pode estar relacionada com a dificuldade na aprendizagem da leitura e escrita?

 

O conhecimento adquire-se a partir da proxémia, do eu e do outro – noção do espaço, da distância, da proximidade, da leitura do tempo das expressões, da compreensão do corpo no espaço, da ordinalidade, o primeiro, o segundo…

Da segurança - a segurança potencia e disponibiliza para o conhecimento; o conhecimento aumenta a segurança

 

As crianças felizes aprendem melhor.

 

Por outro lado os sinais ou sintomas ligados à atenção e irrequietude, são motivos para uma intervenção pela psicomotricidade, porque aí o movimento é um instrumento de uso e não um problema. Henri Wallon dizia que a criança necessita de se movimentar para poder pensar.

Também as perturbações ligadas ao espetro do autismo, em muitos países, e eu concordo em absoluto, a psicomotricidade é a primeira indicação clínica pois para haver um curso do pensamento organizado é necessário um corpo coeso e bem habitado.

 

 

5 - Há muitos anos que trabalhas com crianças e jovens sendo o espaço escola um espaço que te é muito familiar. Qual a tua visão da escola atualmente e quais os seus principais desafios atuais?

 

As crianças têm evoluído muito, as tecnologias também muito, a velocidade de informação é vertiginosa, mas a escola enquanto instituição não tem acompanhado esse desenvolvimento. Aprendemos muitas coisas fora da escola. A escola não deve ser apenas um espaço para fazer aprendizagens académicas, isso é redutor, é do século passado. É necessário ligar as aprendizagens à antropologia, à evolução da espécie, ao sentido da vida e isso é um assunto que não passa apenas pelos professores e pais.

Há um desencontro estonteante do que se aprende e para que servem essas aprendizagens.

Por outro lado a escola não deve ser vista apenas pelos professores e alunos. Alunos que por vezes deixam de ser pessoas, e são vistos, simplesmente, como máquinas de aprender. São necessários outro tipo de profissionais para que nem os professores se sintam sozinhos e com sentimentos de incapacidade resolver todas as situações emergentes, nem as crianças obrigadas apenas a obedecer.

Por outro lado, os professores necessitam de facilitar as aprendizagens e não fazer delas um problema: é necessário mais tempo para a” ensinagem”, reflexão e aprendizagem.

 

Pretendemos uma escola inclusiva, muito bem, então comecemos pelos professores, que sejam incluídos na escola para criar uma escola segura, que os professores tenham segurança para poderem gostar e ter prazer de ensinar, e não ao contrário, criar instabilidade nos professores.

Vamos começar por aí

 

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publicado às 15:42

"Ler bem e bem escrever em casa e na escola"

por Maria Joana Almeida, em 10.03.17

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No passado dia 3 de março tive a oportunidade de dar um pequeno contributo sobre as competências de leitura e escrita num encontro intitulado “Ler bem e bem escrever em casa e na escola” na Biblioteca Municipal do Entroncamento.

 

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Link de acesso audio:

http://www.entroncamentoonline.pt/portal/artigo/joana-almeida-fala-sobre-%E2%80%9Cler-bem-e-bem-esc#.WL2PGwLJ72c.facebook

 

Sem me querer alongar sobre a exposição deixo três considerações que considero fundamentais:

 

 - Ler e escrever são ferramentas de liberdade e é função da escola, em conjunto com a família, permitir tornar-nos mais hábeis nestas competências. Aprender a ler e a escrever requer um ensino explícito e sistematizado existindo pré-competências que são essenciais neste processo: Criar uma ligação afectiva com a leitura; brincar com os sons para aprender a discrimina-los (consciência fonológica) e desenvolver a psicomotricidade (orientação espacial; jogo simbólico; organização perceptiva).

 

- Na entrada para o 1º ciclo é necessária uma leitura individual e flexibilidade por parte do professor de forma a perceber quais as representações sobre leitura e escrita dos seus alunos. É importante aferir os diferentes background para conseguir identificar e antecipar possíveis dificuldades de modo a planear um trabalho com sentido. O ênfase deverá ser formar bons leitores e escritores sendo esta a principal meta de aprendizagem.

 

- A escola tem um papel primordial de promover e nivelar as representações das crianças e de sinalizar, junto dos pais e intervenientes educativos, quais as dificuldades sentidas com o aluno de forma a encontrar a intervenção mais adequada a cada caso. Em complementaridade os pais podem, em casa, realizar atividades que promovam estas competências, nomeadamente: Ler com o seu filho todos os dias numa leitura partilhada; escrever as palavras novas que aprendeu; escrever juntamente textos criativos; fazer diferentes velocidades e tons de leitura; promover a memória fotográfica bem como promover diferentes vivências culturais (outras formas de linguagem).

 

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publicado às 09:43

Ainda não sou mãe, mas..

por Maria Joana Almeida, em 24.02.17

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Há experiências que me assustam, experiências fundamentalistas são as piores e experiências fundamentalistas com crianças são aterradoras.

 

Li há pouco tempo o seguinte artigo:

https://littlethings.com/free-range-kids/?utm_source=pulp&utm_medium=Facebook&utm_campaign=shocking

 

O título era revelador: “Mom Who Breastfeeds 5-Year-Old Son Raises Her Kids Without Any Discipline Or Rules” (Mãe que amamenta o seu filho de cinco anos sem quaisquer regras ou disciplina)

 

Primeiro pensamento: As reações contra o "sistema", seja o que queira isso dizer, levadas a um extremo raramente são positivas. Como dizia uma amiga minha: “fazer dos nossos filhos ratinhos de laboratório não”.

 

A internet está repleta de novas modas de parentalidade. Pessoas que descobriram a pólvora em pleno séc. XXI quando a pólvora há tanto tempo que foi descoberta (sim, há modelos de parentalidade e educação que apenas vestem uma nova roupagem, mais clean, mais cool). Cruzam estudos, cruzam ideias próprias e criam novos métodos de educação ajudando a criar negócios pouco sérios em que muitos se alimentam de alguns novos pais sedentos de filhos melhores e diferentes dos outros. 

 

Há efetivamente, não diria teorias, mas linhas de intervenção e educação que fazem todo o sentido, mas há premissas que são importantes reter: estas linhas orientadoras não são fundamentalistas, nem deverão ser. Estas devem ser adaptativas ao contexto em que se vive, à personalidade da criança, à realidade envolvente. Estou convicta que nada pode ser mais frustrante e sofredor do que ser criado numa redoma, numa qualquer redoma, que não tem laços com a realidade. Tornamo-nos assim uns ratos de laboratório, a habitar um mundo estranho. Ou nos assumimos como eremitas, ou então há aprendizagens que têm de ser feitas pelos nossos filhos para existir uma integração saudável e isso não quer dizer que não estejamos a desenvolver a parte artística ou intelectual, bem pelo contrário.

 

Temos também tendência (natural) de olhar para trás e facilmente verbalizar com um certo tom de desdém; “mas eu também fiz assim e não morri por isso ou não me tornei pior pessoa por isso”. Será verdade, como também é verdade, que a sociedade evolui para contextos que não são semelhantes a tempos passados ainda que hoje vivamos um revivalismo do tempo da avó.

 

Gostaria de não esgotar o argumento de que o bom senso deve imperar sempre - um pleonasmo assumido na vida. Penso que o comprometimento, em educar os nossos filhos, terá de ser sempre entre a nossa realidade e aquilo que lhes pretendemos dar, conscientes de que é uma realidade absolutamente individual e onde as crenças são em última instância legítimas, mas não podemos negar o nosso meio envolvente.

 

É importante perceber que há na nossa sociedade respostas diferentes (e ainda bem), caminhos diferentes que conseguem coabitar entre sim, de uma forma saudável, acima de tudo porque não são fundamentalistas. Estão abertas à diferença, à multiplicidade de papéis e não recusam ou negam a realidade.

 

Mais do que isso, ou para além disso, é puro egocentrismo.

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publicado às 12:14


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