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Politicamente incorreto por favor.

por Maria Joana Almeida, em 15.11.17

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Não gosto do politicamente correto. As expressões desta “política correta” são provavelmente das poucas expressões que mais me incomodam e com as quais tenho extrema dificuldade em assimilar e acomodar, precisamente porque considero ser um desequilíbrio. Um desequilíbrio entre ação e pensamento. Somos politicamente corretos porque queremos pertencer a um determinado espaço dentro da sociedade, ou porque queremos assumir uma posição que pareça bem mesmo que não genuína, mesmo que não fazendo parte de nós. Ou porque simplesmente temos medo de represálias.

 

Existem atualmente e sempre existirão ações que pretendem não melindrar e entrar num círculo cómodo, diria, esterilizado. Comportar e guardar tudo em caixinhas que nos permitam viver e convencermo-nos de que é assim que deve ser. Porque de alguma forma esta forma de funcionar traz-nos uma capa protetora e passível de poder criticar os outros no alto dos nossos pensamentos “irrefutáveis” e ações “trabalhadas” e não sentidas.

 

O mundo da Educação também não escapa. Está igualmente inundado pelo politicamente correcto. Sindicatos que dizem o que os professores querem ouvir; professores que transitem uma mensagem que os pais anseiam escutar, mesmo que falsa, escolhendo todas as palavras e acabando por não transmitir a realidade; pais que se agarram a teorias de internet e repreendem tudo o que não compreendem ou não encaixe na poção mágica lida. O politicamente correto vagueia e inunda os discursos quer na educação, quer no mundo político, quer nas pequenas e grandes empresas. Aparece como uma tirania educada. É a ditadura dos ofendidos.

 

Um dos expoentes máximos desta “política” revela-se na forma como tratamos os deficientes físicos nas diversas dimensões da sua vida. Na escola escolhemos as palavras para não melindrar; munimo-nos de toda a condescendência para agir de uma forma que soa tanto a artificial quanto as nossas ações, lembrando-lhes sempre, desta maneira, das suas limitações.

 

No fundo não há nada mais constrangedor do que não ser genuíno e criar uma personagem. A Educação, especialmente no mundo da Educação Especial, precisa de humor, precisa de tratar as coisas pelos nomes, precisa de murros na mesa mesmo que o menino esteja numa cadeira de rodas, precisa de respeito e tratar o outro como capaz.

 

 Venha o politicamente incorreto para que possamos evoluir.

 

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publicado às 21:00

Diferentes currículos na mesma turma (estratégias)

por Maria Joana Almeida, em 30.10.17

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Todas as turmas têm, naturalmente, alunos em diferentes níveis de aprendizagem e sendo esta uma realidade o professor tem um enorme desafio pela frente. Um duplo desafio que se traduz em: cumprir o currículo e corresponder às necessidades de cada um. É, certamente, compreensível de que é um papel difícil para um professor sozinho em sala de aula porque embora considere que não podemos ser escravos do currículo, a verdade é que ainda é difícil retirar todo o seu peso.

 

A existência de alunos a “cumprir um programa” de 2ºano em turmas de 3ºano ou de 3ºano, em turmas de 4ºano e outras realidades são comuns em várias escolas. De forma a ser possível conseguir um trabalho com sucesso deixo algumas sugestões e estratégias que podem facilitar este processo:

 

 

- Realizar, juntamente com o aluno, um horário tendo em conta das dinâmicas da sala e que seja colocado num lugar sempre visível e de fácil acesso (dentro do dossier, colado na mesa). Esta estratégia permite ao aluno organizar mentalmente o seu dia e perceber cada “etapa”.

 

- Criar um caderno/dossier com trabalho individual, mais adpatado ao perfil de funcionalidade do aluno e que contenha todas as áreas trabalhadas na aula. O aluno deve poder escolher autonomamente a atividade que quer realizar das que estão contempladas no caderno/dossier e consoante o horário estipulado na sala de aula.

 

- Reforçar a necessidade do aluno terminar a atividade num determinado período de tempo para que não se prolongue para o dia seguinte e possa ser corrigida no momento da conclusão. O feedback  rápido é importante para organizar tanto o aluno como o professor.

 

- Para alunos com maior dificuldade de concentração e organização temporal,  recortar as atividades e apresentar os exercícios um por um permite estruturar o foco e um melhor desempenho.

 

- Existir o apoio de um professor sócio educativo ou professor de apoio que permita auxiliar o professor titular de turma em ajudar o aluno a consolidar conhecimentos.

 

- A utilização do trabalho autónomo não substitui ou elimina (bem pelo contrário) o trabalho que é realizado em conjunto com os outros colegas em sala de aula. O trabalho individual deverá ser utilizado como forma de adaptar os conteúdos ao perfil de funcionalidade do aluno.

 

- Colocar o aluno (ou alunos) no local de mais fácil acesso ao professor para ir monitorizando o trabalho e motivando o aluno.

 

-Valorizar sempre com palavras e atutudes positivas os sucessos do aluno porque como já tive oportunidade de escrever neste espaço: A verdade é que ganhamos muito mais do que podemos imaginar quando “perdemos” 10 minutos do nosso tempo à procurar do talento em vez das dificuldades, ao elogiar (com o equilíbrio necessário) em vez de criticar e ao fazer sentir que aquela pessoa é importante em vez de desistir.”

 

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publicado às 21:35

Hoje quero falar sobre a Fátima.

por Maria Joana Almeida, em 11.10.17

 

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É também o nome da minha mãe, mas hoje o texto é sobre outra Fátima. A que conheci em 2014.

 

A Fátima foi (é) a auxiliar de ação educativa numa sala de ensino estruturado para autismo onde trabalhei. Foi a minha primeira experiência como professora de educação especial neste contexto. Embora segura da minha capacidade adaptativa, as dúvidas e inseguranças eram, naturalmente, bastantes no início.

 

O apoio e a rede de segurança numa escola é fundamental para quem chega de novo e dá os primeiros passos numa nova realidade. Os anos vão trazendo conhecimento, resiliência e mais estabilidade, aquela que nos permite olhar para os novos desafios com mais certezas e menos inseguranças.

 

Os auxiliares de ação educativa, também conhecidos por assistentes operacionais (termo que não gosto) são pessoas fundamentais numa escola. A sua função pode ser a que permite, em muitos casos, estabelecer uma relação de maior proximidade entre escola, pais e alunos. São um elo de ligação e um braço direito incontornáveis e absolutamente indispensáveis. A prova disto é a instabilidade criada em muitas escolas quando há falta de auxiliares de ação educativa.

 

A Fátima é, de longe, a melhor auxiliar de ação educativa que conheci. Desempenha um papel que vai para além das suas funções porque a Fátima é mesmo assim: extremamente profissional, extremamente dedicada. A Fátima já conhecia estes adolescentes desde que frequentaram o 1ºciclo. Já havia iniciado o trabalho com eles. Sabia o que tinha de ser feito e não cruzava braços em momento algum. O respeito e admiração destes jovens pela Fátima era inabalável. Uma relação de confiança há muito tempo criada, principalmente porque eles sabiam o quanto a Fátima gostava deles e o quanto se preocupava com eles. Os encarregados de educação confiavam plenamente na Fátima. Professores iam e vinham, mas a Fátima ficava. Fica. E esta é uma segurança impagável para pais e familiares que inúmeras vezes têm de se deparar com dificuldades, inseguranças e decisões constantes.

 

Repito, a Fátima é (foi) muito mais do que se pode pedir de uma auxiliar de educação. É um ser humano extraordinário, dotada de grande sensibilidade, caráter e uma força da natureza. Correta, atenta, pronta para ouvir e aprender. Aquele braço direito que antes de falarmos ou pedirmos algo já tudo está a acontecer.

 

Foi, sem dúvida, pelas mãos  da Fátima que também muito aprendi sobre a relação e onde construi seguranças.

 

Obrigada

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publicado às 18:16

Cinco perguntas, cinco respostas com David Rodrigues

por Maria Joana Almeida, em 28.09.17

 

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O professor David Rodrigues dispensa apresentações. Já nos cruzámos várias vezes em conferências e colóquios onde as suas reflexões conseguem sempre levar para casa a vontade de fazer mais e melhor, aliás, a certeza de que podemos fazer mais e melhor.

 

Atual Conselheiro Nacional de Educação e Presidente da Associação Nacional de Docentes de Educação Especial entre outras atividades e projetos, David Rodrigues apresenta sempre uma atitude positiva perante as políticas educativas com uma visão clara e fundamentada do caminho que ainda existe para percorrer.

 

È uma honra poder assinalar a comemoração do segundo ano deste blog com uma reflexão de quem todos os dias pensa e trabalha, com grande sentido crítico, sobre e para a Educação Inclusiva.

 

 

 

 

1 – O professor David Rodrigues é, atualmente, uma referência a nível nacional e internacional no mundo da Educação, mais concretamente na Educação Especial. Que vivências o moveram para os importantes contributos que tem dado a esta área?

 

Deixe-me dizer que não tive nenhuma epifania… O meu interesse pelas pessoas com deficiência – sobretudo as mais jovens – foi-se cimentando ao longo da relação que estabeleci com elas.  Uma questão que me lembro sempre de ter estado presente nas minhas reflexões foi o esforço para me colocar no seu lugar. Como seria a minha vida se não andasse? Se não me fizesse ouvir? Se não visse?  Acho que este pensamento, digamos de empatia, sobre as pessoas com deficiência, levou-me rapidamente à defesa dos seus direitos e daqui à advocacia da sua inclusão.

 

 

2 – A área da Educação Especial tem vindo a sofrer evoluções ao longo dos tempos num percurso que se quer e se avizinha cada vez mais inclusivo na nossa sociedade atual. Como encara o modus operandi desta área nas escolas?

 

Esta evolução para escolas que tenham práticas efetivamente inclusivas é um caminho necessariamente longo e contraditório.  Não podemos esquecer que a escola – aquela instituição a que naturalmente chamamos “escola” – é fruto de uma construção de centenas de anos.  A escola construiu-se para transmitir, para receber o conhecimento ao mesmo tempo e no mesmo ritmo que os outros e também para selecionar os melhores.  Ora hoje as necessidades a que a escola tem de responder são completamente diferentes: a escola quer construir e criar conhecimento, quer personalizar os sistemas de aprendizagem e quer que todos tenham sucesso.  Como se vê é uma viragem de 180º na filosofia da escola.  Assim é natural que seja custosa e demorada. Parafraseando Gil Vicente: “todo o mundo” quer mudança mas “ninguém” quer mudar.  Quer dizer: a vontade de mudar é maior do que a operacionalização destas mudanças.

 

 

3 – Foi dado a conhecer recentemente a proposta de alteração ao Decreto-lei n.º 3/2008, de 7 de Janeiro. Um documento que está em discussão pública até 30 de Setembro e que vem recentrar o conceito Inclusão. Quais considera serem os pontos fortes desta nova perspetiva sobre a Educação Especial?

 

O ponto certamente mais forte tem a ver com o facto do projeto de diploma apontar para uma ideia claramente inclusiva. Deixa de se falar em categorização e em necessidades educativas especiais e considera-se que é responsabilidade de toda a escola educar todos os alunos recrutando os meios necessários para que todos aprendam. De certa forma há um inconformismo neste projeto com o insucesso e com o abandono escolar.  Recentemente num documento produzido pela UNESCO escreve-se “Todos os alunos contam e contam igualmente”.  É certamente essa a parte forte e inovadora deste documento.

 

 

4 – O Professor de Educação Especial é uma figura de referência dentro das escolas ainda que, em muitos casos, tenha uma multiplicidade de papéis onde se confundem as suas funções e o seu papel. No seu ponto de vista, qual deve ser o trabalho e principalmente o perfil de um professor de Educação Especial?

 

Precisamos de continuar a discutir o papel do Professor de Educação Especial numa escola inclusiva.  Será certamente um perfil multifacetado em que ao lado da intervenção direta se veja a consultoria, o apoio à diversificação de métodos, estratégias e avaliação do currículo, apoio às famílias, etc.   O professor de Educação Especial é um elemento fundamental para a promoção da inclusão porque permite articular o trabalho dos diferentes técnicos, dos diferentes professores e das famílias com a escola.  A Pró – Inclusão tem intenção de desenvolver em 2018 um trabalho sobre este assunto do perfil profissional.

 

 

5 – Abordando a Educação de uma forma geral e cruzando com estudos recentes que indicam, por exemplo, as grandes dificuldades na área da aprendizagem da leitura e da escrita no 1ºciclo; as famílias que não conseguem apoiar os seus filhos; a falta de recursos apontadas por muitas escolas e professores, que caminho tem a escola ainda que percorrer nas políticas educativas que permitam ultrapassar estas dificuldades?

 

A escola já andou muito caminho. O desafio de uma escola para todos é ciclópico.  Lembro-lhe que quando eu terminei o meu 4º ano só eu fui, entre todos os meus colegas fui, na altura, para o liceu.  Consistentemente temos tido melhorias no nosso sistema educativo o que é verificado não só pela nossa avaliação mas também por avaliações internacionais. O que nos falta?  Não lhe sei responder categoricamente a esta pergunta. Nuns lugares faltarão umas coisas e noutros outras.  O que sabemos hoje é que a organização e a cultura da escola têm uma enorme importância.  A formação e o apoio aos professores são também fatores determinantes e ainda que o desenvolvimento da sociedade tem efeitos claros na melhoria da escola.  Eu diria aos alunos, aos professores, às direções dos agrupamentos, às famílias, às autarquias que cada um de nós tem de fazer a sua parte. Com brio, com competência, com generosidade e espírito positivo.  As pessoas que só culpam os outros desistiram de se mudar e mudar a realidade em que vivem. Precisamos de contar com pessoas que assumam o risco de mudar e de inovar. A inclusão depende muito disto.

 

 

 

 

Nota Biográfica: DAVID RODRIGUES é Presidente da Pró-Inclusão / Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, diretor da Revista “Educação Inclusiva” e membro do Centro de Investigação do IE/UL. Professor de Educação Especial doutorou-se em 1987 e obteve o título de agregado em 1999. Lecionou na Universidade de Lisboa e noutras universidades portuguesas (Porto, Lisboa, Açores e Coimbra) e estrangeiras (KU Leuven – Bélgica, VSU – EUA e UNICAMP - Brasil). Trabalhou em projetos internacionais para a UNESCO, UNICEF e Handicap Internacional e OCDE. É conferencista convidado em Espanha, Reino Unido, França, Brasil, Estados Unidos, Colômbia, Cabo Verde, México e EAU – Dubai. Publicou 30 livros e dezenas de artigos em revistas da especialidade. Recebeu em 2007 o Prémio de Investigação “União Latina” e em 2017 foi agraciado com o “Distinguished International Leader Award” pelo Council for Exceptional Children – DISES (EUA).É desde junho de 2015 Conselheiro Nacional de Educação.

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publicado às 18:00

De volta.

por Maria Joana Almeida, em 04.09.17

 

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De volta a mais um ano letivo e ao segundo ano da existência deste blog, são vários os temas que têm invadido os fóruns e redes sociais nos últimos dias com bastante potencial para serem lidos, revistos e esmiuçados. Desde a polémica instalada sobre os livros da Porto Editora passando pela publicação das listas de colocação de professores que conseguiu este ano ser mais atempada do que nos últimos anos.

 

Poderia querer pegar nestes temas mas não o farei. Já muito se escreveu e refletiu, entre vários argumentos, sobre discriminação de géneros e sobre colocações ou não de professores. Nada do que poderia escrever iria acrescentar algo de diferente à discussão.

 

Quero iniciar este ano letivo refletindo sobre um vídeo que vi recentemente intitulado “What if you treated teachers the same way we treated professional  athletes” (E se tratássemos os professores como tratamos atletas profissionais)

 

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 LInk do video: https://www.youtube.com/watch?v=IoUdnoLmQiM

 

 

Assemelhar professores a atletas é um lugar comum (sem deixar de ser verdadeiro) quer pela sua capacidade de adaptação, de persistência, de antecipação e de trabalho. São de facto, na sua maioria. O que este vídeo nos mostra de diferente é a visualização, humorada, de como seria uma escola se tratássemos os professores como se fossem (por exemplo) o Cristiano Ronaldo. Como se fossem os nossos ídolos.

 

Se pensarmos bem, fora estereótipos e preconceitos criados em torno da escola e professores, o trabalho realizado por um professor requer muito treino que se traduz em muito trabalho de investigação. Investigação sobre a sua profissão e investigação sobre os seus alunos  - quem são, como são, porque agem assim, o que posso fazer para corresponder aos seus perfis. Requer resiliência: o futuro é na maior partes das vezes incerto, saltar de escola em escola, adaptar-se de novo, lidar continuamente com a apelidos por vezes pouco abonatórios, ter de construir novos materiais e responder à mesmo burocracia que é todos os anos exigida, ter de engolir em seco provocações, manter a calma e discernimento suficiente para encontrar um equilíbrio. Requer força de vontade para que apesar de todos os contratempos, e às vezes vontade de desistir, não se encostar aos serviços mínimos e lidar ao mesmo tempo (muitas vezes) sem reconhecimento do seu trabalho.

 

Para mim, um professor é especialmente um ídolo e um exemplo a seguir, quando assume uma atitude ponderada mas firme, quando prepara os seus alunos não só com os conteúdos e conhecimentos da área que leciona mas para viver em comunidade sempre através da suas atitudes e não tanto pelas suas palavras. É ídolo quando (rebuscando um pouco dos temas atuais)  mostra que a todos é possível escolher e optar. Que existe liberdade e que o conhecimento traz-nos liberdade. Que homens e mulheres não se distinguem pelo género naquilo que podem escolher e alcançar. Que existe o bom e o lixo na nossa sociedade e que é importante que o saibamos distinguir. Que apesar das diversidades não pode ser opção não tentarmos. E que acima de tudo o sucesso requer treino, esforço, resiliência e força de vontade.

 

 

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publicado às 21:26

5 perguntas, 5 respostas com Isabel Mendes Lopes

por Maria Joana Almeida, em 27.07.17

 

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Antes de uma breve interrupção durante o mês de Agosto quis “fechar este ano letivo” com uma entrevista a uma amiga que muito admiro.

 

A Isabel é inteligente, atenta, terna, generosa, convicta. Possui uma visão do mundo e valores com os quais me identifico e que influenciam positivamente quem a rodeia. A calma e serenidade que transmite no seu discurso, muito assertivo e ao mesmo tempo consciente das limitações de muitas realidades, reflectem uma forte personalidade e um carisma contagiante

A Isabel assume atualmente diferentes papéis. Papéis exigentes que desafiam a realidade e são uma dificuldade sentida por muitos de nós, nesta sociedade.

 

Vale a pena ler e reler o seu testemunho inspirador.

 

 

 

1 - Isabel, és mãe de duas filhas, tens um emprego a tempo inteiro e fazes parte de um partido político (LIVRE) onde desempenhas um trabalho exigente e quase a tempo inteiro também. Esta é provavelmente uma pergunta que ouves muitas vezes, mas como geres esta organização?

 

É uma organização difícil. Mas tenho a sorte de estar integrada em boas equipas – tanto em casa como no LIVRE.

A minha família é essencial, principalmente no apoio às minhas filhas. Nas alturas mais exigentes sei que tudo é assegurado sem mim. E quando é preciso, elas vão comigo às reuniões ou atividades do LIVRE (onde gostam muito de ir e onde são muito acarinhadas).

O meu trabalho no LIVRE é exigente porque faço parte do Grupo de Contacto do LIVRE, que é a direção partidária e que gere o dia-a-dia do partido. É um órgão colegial de 15 pessoas, onde a decisão e as tarefas são partilhada por todos. Isto faz com que a responsabilidade não seja um peso incomportável porque é partilhada, e permitiu que assumisse um mandato de dois anos. Sei que se não puder estar presente, as coisas são asseguradas. Por outro lado, no LIVRE trabalhamos muito online, o que permite uma gestão mais flexível. Consigo participar em todas as reuniões online e os documentos são redigidos conjuntamente durante a reunião. Isto faz com que consiga acompanhar as atividades e participar nas decisões a partir de casa, quando é necessário.

Mas há dias que são uma loucura, claro: trato de assuntos pessoais e do LIVRE à hora de almoço e quando saio vou a correr a casa tratar de tudo e à noite tenho reuniões ou outros assuntos.

O nosso tempo deve ser despendido num equilíbrio entre o tempo para nós, o tempo para a família e amigos, o tempo para o trabalho, o tempo para o lazer e também o tempo para a comunidade. Este equilíbrio é difícil, porque o tempo é um recurso escasso. Mas cada vez mais acredito que temos de conseguir ter tempo para a comunidade.

 

 

 

2 - A nossa geração atual é marcada por um constante adiar da maternidade e paternidade por inúmeros motivos sendo o trabalho um dos principais. Como olhas para este paradigma instalado?

 

A nossa geração é muito diferente da anterior. Se por um lado há mais oportunidades - todo um mundo para explorar - há também restrições importantes que nos condicionam em muitas escolhas, onde se inclui a parentalidade.

Os problemas da precariedade, dos salários baixos, das longas horas de trabalho influenciam muito a decisão de ter filhos, de quando os ter ou de quantos filhos temos. A estes problemas se junta a falta de estrutura de apoio. Muitos avós trabalham e/ou vivem longe, os laços de comunidade e vizinhança são menos fortes. O que anteriormente funcionava como estrutura de apoio às famílias não conseguiu ser substituído por uma resposta eficaz da comunidade.

Para conseguirmos mudar este condicionalismo nas escolhas na parentalidade temos de conseguir regrar o mercado de trabalho.  Temos de incorporar que a parentalidade faz parte da nossa vida enquanto sociedade e que todos temos obrigação de a acomodar, fazendo valer os direitos das famílias (mulheres e homens) face ao trabalho. Temos de criar estruturas de apoio: não apenas berçários, creches, jardins de infância e escolas públicas acessíveis a todos mas também transportes, atividades, cultura próximos e que tornem o dia-a-dia das famílias mais fácil.

 

 

3 - Quais foram as motivações que te levaram a envolver no mundo político?

 

O meu passado é muito apolítico. Mas há uns anos – um pouco antes de 2011 – comecei a estar mais atenta e senti que temos de nos envolver. Se queremos que a política seja mais transparente e mais democrática, temos de nos envolver. Comecei então a acompanhar várias iniciativas que foram acontecendo.

O nascimento da minha primeira filha tornou ainda mais forte o meu sentimento de urgência em me envolver, em fazer. E coincidiu com a constituição do LIVRE, que acompanhei desde o início ainda sem conhecer ninguém e que foi um processo que me impressionou, pela transparência, envolvimento e organização que teve. Tive a oportunidade – como todos os que lá estavam – de participar na redação dos documentos fundadores, na definição da organização do partido e dos seus processos, na definição dos seus pilares e ideias-chave. Por me rever nestas ideias e também nos processos, fui-me envolvendo no LIVRE. E há dois anos candidatei-me e tornei-me dirigente.

No fundo, a motivação para me envolver é – como diz uma amiga, o mais velho cliché de todos – contribuir para tornar o mundo melhor. E gostava de o fazer não apenas através do meu trabalho direto mas também através do exemplo – o facto de ser mulher e mãe não pode ser condicionante da participação política.

 


4 - A “política” é frequentemente atacada com palavras duras e marcada por uma nuvem de desconfiança constante. Na tua perspetiva como a entendes e de que forma pode esta imagem ser mudada?

 

Política é a forma como nos organizamos enquanto sociedade e como lidamos uns com os outros - é o nós.

A “política” de que falas é a que é associada a interesses próprios, jogos de poder obscuros - é o eles.

Temos de tornar a política mais nossa. Não é apenas a imagem da política que deve ser mudada - é a própria política, que tem de ir perdendo aquelas aspas. E essa mudança faz-se com um maior envolvimento dos cidadãos: no acompanhamento dos assuntos, na participação das decisões, na pertença a partidos. E faz-se também com uma maior abertura dos partidos e das instituições, através de processos claros, transparentes e participados. 

 

5 - Como mãe e como política (se assim o podemos chamar) é inevitável perguntar como olhas para o estado da nossa Educação e quais consideras serem as transformações necessárias?

 

Podes-me chamar política, é preciso assumirmos aquilo que somos.

Os próximos anos trarão grandes revoluções à forma como vivemos, como trabalhamos e como nos organizamos. As tarefas serão progressivamente mais automatizadas, a inteligência artificial permitir-nos-á fazer coisas hoje inimagináveis, estaremos cada vez mais ligados digitalmente. Teremos desafios terríveis originados pelas alterações climáticas.

As crianças que estão agora no primeiro ano serão adultos em 2030 e serão ativas até 2060, 2070, 2080. O que devem aprender para estarem preparadas para enfrentar todas as mudanças deste século e para serem adultos felizes e realizados? Não sabemos bem que matérias serão necessárias mas há algumas características que serão essenciais e onde a escola deve ter um papel muito importante: Imaginação e criatividade. Espírito crítico e autonomia na procura de soluções. Conceitos fortes de comunidade, de democracia e de participação. Capacidade de construir relação. E para isso será necessário promover a curiosidade, dar ferramentas para potenciar a autonomia, dar ferramentas sociais e de trabalho em grupo e participação cívica, desdramatizar o erro e olhar para a realidade de forma multidisciplinar, mas integrada.

Há muitas alterações que me parecem necessárias na nossa Educação, para que se torne mais equitativa, mais justa, mais eficaz, mais abrangente. Mas destaco apenas uma medida que considero essencial para dar resposta a grande parte dos problemas e desafios: valorizar enormemente a profissão de professor. Temos de ter professores inspiradores, capazes de agarrar os alunos e que lhes passem a alegria de aprender. E para isso precisamos de professores muito bons e muito motivados. Ou seja, temos de ser muito exigentes com os professores mas também de lhes conseguir dar as condições que uma profissão tão nobre e necessária como esta necessita. Porque, novamente o cliché, os professores têm efetivamente a capacidade de mudar o mundo, criança a criança.

 

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publicado às 12:54

"O dia em que os lápis desistiram"

por Maria Joana Almeida, em 13.07.17

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Sou apaixonada por livros infanto-juvenis. Daqueles que quebram estereótipos, que trazem novas princesas e novos príncipes que não estão vestidos de cor de rosa nem azul, que erram, que cheiram mal, que quebram barreiras. Gosto dos livros que através de textos simples falam de coisas complexas.

 

A minha biblioteca já conta com muitos deles. São livros dos 0 aos 99 com ilustrações apelativas, com textos verdadeiros e sentidos. São verdadeiras oficinas de corações.

 

Existem poderes especiais nesta literatura que não se esgotam nas idades “infanto-juvenis”. Poderes que nos transportam para uma dimensão mais pura, que nos permitem desatar os nós de muita formalidade e esquecer as nossas “bagagens”. Ler as histórias que habitam estes livros é como parar e respirar no cimo de uma montanha e reencontrar sentimentos perdidos. 

 

Há outro poder muito especial que reside nestes livros: a capacidade de resgatar o prazer pela leitura, porque neste mundo, dos bons livros infanto-juvenis, há lugar para tudo. Lugar para falar de coisas complicadas descomplicando, fazer rir, surpreender, reaprender. Ler pelo prazer de ler sem mais obrigações.

 

Enquanto professora de Educação Especial, muito ligada às competências da leitura a escrita, a utilização destes livros tem permitindo estabelecer uma ponte de comunicação com muitas crianças. Crianças e jovens que tinham desistido de ler, que recusavam à partida qualquer ato de leitura.  A leitura partilhada, agora eu, agora tu, vai dando lugar, ao longo das sessões, a uma só leitura, a leitura do outro lado que entusiasmado com a história e com as ilustrações distraí-se na viagem e quer ler tudo.

 

Há alturas em que os lápis desistem, mas sempre voltam. Assim é com a leitura.

 

 

Deixo alguns exemplos e excertos de livros infanto-juvenis (para todos).

 

 

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"Olá Duarte, DETESTO que me uses para desenhar o contorno das coisas....coisas que sao coloridas por outras cores, todas convencidas de que são mais brilhantes do que eu"

 

 

 

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"O Henrique adorava livros. Mas não exatamente como nós adoramos livros. Não era bem a mesma coisa"

 

 

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"Todos estavam bem como estavam. Todos menos o Sr.Tigre. Ele queria estar à vontade. Ele queria divertir-se. Ele queria ser...selvagem."

 

 

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"Primeiro fui ver o dicionário. Tinha de olhar para dentro do medo, descobrir como funcionava."

 

 

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"O amor é esperar por ti mesmo que já não venhas"

 

 

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"Era uma vez uma árvore..que amava um menino"

 

 

 

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"Espero..um bebé. Espero o amor..."

 

 

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"Matias tem uma oficina de corações. Num fogão de lenha aquece corações gelados e, com a agulha de prata, cose corações rasgados"

 

 

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 "No prédio do lado vive uma senhora que sabe tudo, MESMO TUDO. Diz segredos tão baixinho que parece impossível que se façam ouvir a tão grandes distâncias."

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publicado às 21:32

Hoje é só isto.

por Maria Joana Almeida, em 20.06.17

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 http://leitor.expresso.pt/#library/expressodiario/19-06-2017/caderno-1/temas-principais/gnr-tentou--mas-nao-conseguiu--travar-marcelo

 

Os abraços não resolvem tudo. Tudo o que aconteceu e acontece não cabe num abraço. Mas como Chefe máximo de Estado as suas ações têm um impacto gigante. Passámos de alguém que não saía do pedestal ensinando-nos uma lição de distância e desprendimento para alguém que, exagerado ou não, tem-nos vindo a transmitir uma lição de proximidade.


Estar onde é preciso, ser inspirador é, também, o que um Presidente deve ser.

 

 

 

 

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publicado às 01:37

Não sei como estudar!

por Maria Joana Almeida, em 06.06.17

 

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O ritmo acelerado da escola, dos conteúdos e a falta de tempo útil para pensar numa organização dificulta o processo de estudo. É essencial quebrar o ciclo de ansiedade que se pode desdobrar em atribuições de culpas, baixas expetativas e insucessos.

 

O primeiro passo é parar. Parar para refletir sobre a nossa forma de atuar definindo prioridades nos conteúdos a estudar, como estudar e quando estudar. É fundamental estabelecer um plano e cumpri-lo. Ao estabelecermos um plano de estudo com objetivos conseguimos uma organização que nos faz poupar tempo para as nossas outras atividades. 

 

Desta forma é essencial:

 

Criar um compromisso com a agenda escolar. Este compromisso deve traduzir-se na elaboração de um esquema semanal de estudo com base nos momentos de avaliação (numa perspetiva contínua) onde definimos os momentos de estudo. Este horário deve acompanhar o aluno nos vários locais :escola e no espaço de estudo em casa e deve definir os tempos direcionados para a preparação dos momentos de avaliação e os momentos de tempos livres, juntamente com outras atividades.

 

O aluno terá de se responsabilizar por essa “agenda”. Sendo ele quem deve construir juntamente com ou pais ou tutor, os momentos destinados ao estudo.

 

A gestão de tempo é fundamental. Saber gerir o tempo de estudo criando horários plausíveis e intervalos é a chave para permitir um equilíbrio entre os momentos de maior disponibilidade mental e concentração com os momentos de descontração. É importante defini-los tendo em conta o perfil de funcionalidade do aluno no que diz respeito aos seus tempos de concentração. São preferíveis mais intervalos (curtos) do que a exigência de um tempo muito prolongado.

 

O aluno deverá, também, compreender a diferença entre intensidade de estudo e qualidade de estudo. O sucesso não está nas horas que se passa a estudar, mas na forma como estudamos e é isso que faz a diferença. Este é um dos principais desafios neste trabalho de planeamento e os pais ou tutor são os principais aliados nesta competência. Deverá existir um compromisso entre os conteúdos e as competências associadas à matéria da disciplina tentando um maior nível de objetividade. Para isso o aluno, juntamente com pais e auxílio do professor, devem selecionar os materiais necessários de apoio ao estudo permitindo assim ao aluno uma maior proximidade da matéria o que se traduz numa maior segurança e sentido de responsabilidade.

 

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publicado às 23:38

Breves considerações sobre avaliações pedagógicas

por Maria Joana Almeida, em 01.06.17

 

 

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A internet dispõe de inúmeras páginas com exemplos de avaliações pedagógicas bem como teses que demonstram quais os pontos essenciais e de que forma deve ser construída.

 

Na realização de uma Avaliação Pedagógica existem três pontos que considero fundamentais e que estão assentes na premissa de a tornar absolutamente individual. O objetivo será (sempre) realizar uma avaliação o mais completa e detalhada que nos permita obter uma imagem, o mais fidigna possível, do aluno. É muito fácil cairmos nas disposições gerais e nas áreas mais globais arriscando-nos a criar avaliações que poderiam tanto do Manuel como da Maria.

 

Quando entramos no campo das Necessidades Educativas Especiais e de forma a respeitar a lei em vigor é necessária a utilização da CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade) em que “(…)o objectivo geral da classificação é proporcionar uma linguagem unificada e padronizada assim como uma estrutura de trabalho para a descrição da saúde e de estados relacionados com a saúde. A classificação define os componentes da saúde e alguns componentes do bem-estar relacionados com a saúde (tais como educação e trabalho)” http://www.inr.pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf

No momento da avaliação através deste instrumento é, no meu entender, imprescindível uma descrição detalhada do comportamento da crianças em cada área referente a cada código.  A mera atribuição de códigos, como tenho vindo a referir em outros textos, desumaniza a avalição fechando alunos em números sem conteúdo.

 

Outro ponto a ter em atenção são os atos perlocutórios na avaliação. Observar e registar quais as reaçóes, expressões, verbalizações efetuadas pelo aluno avaliado. São estes detalhes que permitem compreender e espelhar de uma forma única aspectos importantes para uma posterior intervenção.

 

O terceiro ponto prende-se com a utilização não só de instrumentos formais, mas de exercícios, ou mesmo objetos familiares com relação afetiva para o aluno. Uma avaliação baseada apenas em documentos muito estruturados retira toda a espontaneidade e interesse de quem é avaliado o que torna a avaliação inócua.

 

A realização de uma anamnese – recolha de informação pessoal e escolar é, também, fundamental para poder compreender o background bem como algumas verbalizações e comportamentos observados. É através da recolha destes dados que se torna possível selecionar e construir instrumentos de avaliação mais adequados. Esta é, no entanto, uma metodologia ambígua. Existem professores apologistas de não conhecer a anamnese antes de avaliar uma criança com o argumento de que este conhecimento prévio vai “contaminar” as crenças em relação ao aluno no momento de avaliação e criar ideias preconcebidas, tornando assim a avaliação menos “natural”.

 

Refletindo sobre qual o procedimento mais correto, direi que não existe. Ambas metodologias são legítimas contendo argumentos pertinentes. Por um lado conhecer o passado pode ajudar na preparação de uma avaliação mais estruturada, por outro lado este conhecimento prévio retira alguma espontaneidade ao momento de avaliação.

 

Penso que são metodologias que podem coabitar e a escolha deve ser deixada ao critério de quem procede à avaliação. A premissa que deverá ser sempre essencial é a de encarar este momento de avaliação como um momento recíproco. Um momento onde devemos estabelecer uma relação de confiança, aquela que permite retirar alguma formalidade que (sim) pode contaminar todo o processo.

 

 

 

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publicado às 22:38


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