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Para os amigos (especialmente os meus)

por Maria Joana Almeida, em 13.01.18

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Tinha pensado em fazer um texto sobre a eliminação de certos produtos alimentares em hospitais e escolas, assunto delicado para mim porque os doces têm uma dimensão de grande importância na minha vida, mas vou deixar para outro texto.

 

Hoje quero falar sobre amigos, os meus amigos, uma base de segurança tão, ou por vezes mais forte, do que a família.

Tenho amigos maravilhosos (todos irão dizer que isto é um cliché porque também têm) mas para mim, e como acontece com os filhos, os meus vão ser sempre os melhores.

 

 

Tenho amigos que tomavam conta de mim à noite quando íamos sair e me acompanhavam quer fisicamente ou por whatsapp até à porta da minha casa para me certificar que estava bem.

 

Tenho amigos que me pagaram todos os custos de um fim-de-semana fora, numa altura mais apertada de dinheiro, porque não havia opção de eu não ir com “o pessoal todo” para o festival de música.

 

Tenho amigos que se levantaram a meio da noite e foram ter comigo porque estava triste.

 

Tenho amigos que analisaram os meus namorados, ou possíveis namorados, para terem a certeza que eu não me iria magoar.

 

Tenho amigos que me oferecem canecas a dizer “wake up and make up” porque um dia viram a minha cara lavada de manhã e pensaram que eu estava doente.

 

Tenho amigos que me levaram de manhã ao hospital quando tive o maior susto da minha vida com os meus olhos.

 

Tenho amigos que vão à casa da outra margem buscar-me a correspondência.

 

Tenho amigos que no meu casamento me diziam, entre a convicção e o bom humor, que estavam ali para tudo: para me vestir, para me abraçar, para me levar à casa de banho para levantar o vestido, para me levar ao altar e para agarrar no carro se eu mudasse de ideias à última da hora e quisesse fugir. (Não quis, foi, para mim, o casamento mais bonito de sempre e um dos dias mais maravilhosos da minha vida)

 

Tenho amigos que se enfiaram num estúdio e preparam uma música, escrita inteiramente por eles (que permaneceu nos ouvidos de todos durante muitos e muitos meses após) e que ensaiaram uma dança que nos envolveu durante o casamento, num dos momentos altos daquele dia.

 

Tenho amigos que me fizeram um livro com fotos da minha despedida de solteira, completamente à minha medida, com as fotos e dedicatórias de amor, daquele amor que só os amigos, como estes, nos podem dar.

 

Tenho amigos que, mesmo com filhos, me atendem o telefone às altas horas da noite por estar a passar um mau bocado e dizem que vão apanhar um táxi para vir ter comigo.

 

Tenho amigos que sabem o que se passa comigo, mesmo sem eu falar, e ficam ali, só ali ao lado sem falar, só para me abraçar.

 

Tenho amigos que vibraram e choraram de felicidade quando souberam que estava grávida e que me encheram a casa com tudo o que possa precisar.

 

Tenho amigos que querem elaborar um plano de ajuda e vigilância para as noites que ficar sozinha com a bebé.

 

Tenho amigos que me disseram que se for preciso são eles a darem-me a mão no dia em que a Maria Luísa nascer.

 

Tenho amigos que torcem por mim e pelo Mário, sempre.

 

A família é a base incontornável da nossa vida, das mais importantes. Sou muito grata pela família que tenho e por tudo o que fazem, no que estiver ao seu alcance, para me fazer feliz. Os meus pais em especial.

Ter amigos que se igualam a uma família é uma dádiva. É um complemento. Não são de sangue, mas é como se fossem. São irmãos que nunca tive.

 

Alguns, há mais de 25 anos que crescemos e "vivemos" juntos.

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publicado às 18:21

“Gostei muito da tua postura”

por Maria Joana Almeida, em 05.01.18

 

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Encerradas as festividades é altura de retorno à rotina ou a diferentes rotinas.

 

Numa das idas à escola, onde lecciono, neste novo ano, uma professora que conheci recentemente numa reunião veio desejar um bom ano e verbalizou, apontando para mim: “Gostei de ti, gostei muito da tua postura na reunião, estiveste muito bem. Às vezes os outros professores esquecem-se do que é a Educação Especial.”

 

É sempre simpático receber um elogio, mas a parte que quero salientar e, para mim a mais importante, é a frase: “Às vezes os outros professores esquecem-se do que é a Educação Especial.”

 

Há 13 anos que vou a reuniões de conselhos de turma e, naturalmente, vamos evoluindo e percebendo dinâmicas, ganhando autoconfiança e ajustando o discurso e postura aos diferentes momentos. Já conseguimos antecipar comportamentos, atitudes e o nosso discurso fica mais fluído e assertivo.

 

Assertividade é um aspeto fundamental, ao mesmo tempo que necessário por diversos motivos. É verdade que a Educação Especial encontra um espaço reduzido em muitas escolas o que se reflete em algumas reuniões de conselho de turma. Ainda existem alguma incogruências na definição do papel do professor de Educação Especial e na legislação que, por enquanto, continua em vigor e que é pública,  bem como temas e procedimentos que se misturam e que cabe também ao professor de Educação Especial ajudar a clarificar.

 

Existem professores fantásticos, genuinamente interessados no sucesso dos alunos que partilham e ouvem todos os intervenientes e onde encontramos no seu discurso soluções, atitudes construtivistas e honestidade intelectual para identificar pontos fortes e fragilidades como base para traçar um plano de sucesso.

Professores que não ficam presos num modus operandi e gostam de arriscar. Professores das várias áreas com uma sensibilidade que lhes permite bom senso e sensatez no seu funcionamento e que valorizam e compreendem o trabalho de todas as áreas. São aqueles professores que estão atentos e colocam questões relevantes no sentido de ajudar e aumentar as potencialidades dos alunos. Especialmente dos alunos que manifestam algum comprometimento e querem, por isso, trabalhar em conjunto com a Educação Especial olhando para esta área como uma mais valia e um instrumento valioso para continuar a construir ao invés de colocar entraves. Tenho tido a sorte de conhecer muitos professores assim ao longo do meu percurso e com os quais muito aprendi.

 

Quando gostam da minha postura o que me interessa essencialmente é que eu tenha conseguido passar uma mensagem, da melhor maneira possível, e esclarecer todas as dúvidas que me são possíveis de esclarecer levando todos a querer participar ativamente neste trabalho que não é, em nenhum momento, um trabalho isolado. E isso sim faz-me feliz.

 

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publicado às 22:32

Porque o afeto é revolucionário.

por Maria Joana Almeida, em 15.12.17

 

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(Vou chama-la de Alice. É um nome fictício, mas é uma pessoa real)

 

 

Alice está na casa dos 60, é cabo verdiana e é minha formanda no curso de alfabetização. Está a aprender a ler e a escrever, o seu grande sonho que ficou desde logo registado na primeira entrevista.

 

Alice iniciou esta formação há sensivelmente ano e meio. Não sabia pegar corretamente num lápis, não conhecia nenhuma letra, não tinha a competência óculo manual desenvolvida para passar para o caderno o que estava no quadro. Tinha a letra grande e tosca.

 

Alice acordava (e acorda) todos os dias às 04h da manhã para ir trabalhar, faz limpezas numa empresa. Às 09h30 em ponto está na formação para, como diz, “não perder o comboio”. Sai da formação às 12h30 e volta ao trabalho para regressar a casa pelas 20h. Não há uma queixa, não há uma palavra brusca. Há um constante sorriso e vontade de aprender.

 

Alice não ia às compras porque tinha medo de ser enganada, era ajudada pela irmã e pelos filhos. Não sabia lidar com o dinheiro. Quando recebia uma carta em casa, não sabia para quem era, não reconhecia nomes, tinha de pedir ajuda.

 

Passado sensivelmente um ano e meio Alice tem uma letra bonita, esforçada.  Lê, escreve, faz contas. Alice reconhece nomes nas cartas; sabe o valor do dinheiro, conhece todas as letras, compreendeu o mecanismo da leitura e até já lê casos especiais de leitura. Tem o seu ritmo, que é respeitado, e que a levou até aqui. Ao sonho.

 

Eu e Alice temos uma boa relação, que vai para além, como deve ir quando queremos criar o espaço para alcançar sonhos, da professora – aluna. Há um enorme respeito mútuo e um carinho muito grande.

 

Alice sabe que vou ser mãe de uma menina. Sabe que se vai chamar Maria Luísa. Um destes dia pediu-me para escrever o nome dela num papel. “Maria” sabia, mas Luísa estava na dúvida e não se queria enganar.

 

Esta semana ofereceu-me uma caixa de madeira, feita à mão, “de uma senhora muito habilidosa que faz. Ofereci uma à minha sobrinha e quero oferecer-lhe esta a si. À minha professora”.

 

 

E é isto, O afeto é de facto revolucionário.

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publicado às 20:51

Breve reflexão sobre T.P.C

por Maria Joana Almeida, em 29.11.17

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“Tempo perdido para casa”, a frase com a qual apelidávamos, carinhosamente, a sigla T.P.C no Secundário, já lá vão uns anos.

 

Uma recente discussão, numa formação que frequento atualmente sobre tutorias, veio relembrar-me este tema que reúne poucos e diferentes consensos.

 

Há quem, convictamente, coloque os trabalhos de casa na prateleira da aberração pela “violência para as crianças” que deixam de ter tempo em casa e obrigam os pais a delegar tempo para ajudar os filhos, ou a realizá-los em modo automático, sem reflexão em Centros de Estudo. Ouvi, inclusivamente, frases como; “Deve ser o Ministério da Educação a terminar com os trabalhos de casa”. Existe, por outro lado, outra perspetiva que defende a utilização dos T.P.C como uma absoluta necessidade de “reforçar os conteúdos dados em sala de aula”

 

Vejamos: Apelando à minha atitude, sempre muito pouco fundamentalista, não consigo, em primeiro lugar, entender esta perspetiva dos TPC como se de um saco se tratasse em que implica, sempre, exercícios já feitos na aula, leituras, e afins.

 

Não tenho absolutamente nada contra os TPC precisamente porque não os consigo conceber apenas num único estilo, formato e propósito.

 

Os TPC podem e devem ser variados num momento, ou em momentos específicos da semana. Podem sim, em muitos casos, servir como uma complemento de reforço e também como um momento de partilha de uma atividade a dois entre pares ou entre pais e filhos porque, na perspetiva que considero a mais correta, o trabalho de casa pode consistir em ver um filme; trazer algum objeto de casa, ler um pedaço de um livro. Não tem de ser apenas e sempre uma página, ou vários de exercícios formatados, todos os dias da semana. Nem muito menos tem de se tornar um bicho papão e fonte de stress para crianças e pais.

 

Encaro os TPC como uma atividade que pode, quando adequados, trazer benefícios a vários níveis que não se prendem apenas com o clássico “mais do mesmo”. A verdade é que a sigla TPC ganhou, ao longo dos anos um rótulo pesado, desmotivante, um pouco perpetuado por alguns professores ou escolas que, de antemão, colocavam (colocam) um peso muito formal e com uma componente “castigo” ainda que inconscientemente.

 

Uma das questões mais importantes a ter em consideração é perceber as possibilidades de tempo, disponibilidade dos alunos e respectivas famílias para assim conseguir adaptar o trabalho. Esta necessidade não se prende apenas com os trabalhos de casa mas com todo o trabalho desenvolvido. E é por esta razão, para mim das mais importantes, que a realização de TPC não se prende, nem se deve prender com diretrizes do Ministério da Educação. A escola tem de ter (é esse o objetivo futuro) flexibilidade curricular e mais autonomia que lhe permita uma organização mais individual e coerente com o meio onde está inserido podendo assim, cada professor, decidir o seu modus operandi, focado no aluno.

 

O Ministério da Educação tem outras responsabilidades que em nenhum momento deve passar, naturalmente, por este tipo de restrições.

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publicado às 19:59

Politicamente incorreto por favor.

por Maria Joana Almeida, em 15.11.17

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Não gosto do politicamente correto. As expressões desta “política correta” são provavelmente das poucas expressões que mais me incomodam e com as quais tenho extrema dificuldade em assimilar e acomodar, precisamente porque considero ser um desequilíbrio. Um desequilíbrio entre ação e pensamento. Somos politicamente corretos porque queremos pertencer a um determinado espaço dentro da sociedade, ou porque queremos assumir uma posição que pareça bem mesmo que não genuína, mesmo que não fazendo parte de nós. Ou porque simplesmente temos medo de represálias.

 

Existem atualmente e sempre existirão ações que pretendem não melindrar e entrar num círculo cómodo, diria, esterilizado. Comportar e guardar tudo em caixinhas que nos permitam viver e convencermo-nos de que é assim que deve ser. Porque de alguma forma esta forma de funcionar traz-nos uma capa protetora e passível de poder criticar os outros no alto dos nossos pensamentos “irrefutáveis” e ações “trabalhadas” e não sentidas.

 

O mundo da Educação também não escapa. Está igualmente inundado pelo politicamente correcto. Sindicatos que dizem o que os professores querem ouvir; professores que transitem uma mensagem que os pais anseiam escutar, mesmo que falsa, escolhendo todas as palavras e acabando por não transmitir a realidade; pais que se agarram a teorias de internet e repreendem tudo o que não compreendem ou não encaixe na poção mágica lida. O politicamente correto vagueia e inunda os discursos quer na educação, quer no mundo político, quer nas pequenas e grandes empresas. Aparece como uma tirania educada. É a ditadura dos ofendidos.

 

Um dos expoentes máximos desta “política” revela-se na forma como tratamos os deficientes físicos nas diversas dimensões da sua vida. Na escola escolhemos as palavras para não melindrar; munimo-nos de toda a condescendência para agir de uma forma que soa tanto a artificial quanto as nossas ações, lembrando-lhes sempre, desta maneira, das suas limitações.

 

No fundo não há nada mais constrangedor do que não ser genuíno e criar uma personagem. A Educação, especialmente no mundo da Educação Especial, precisa de humor, precisa de tratar as coisas pelos nomes, precisa de murros na mesa mesmo que o menino esteja numa cadeira de rodas, precisa de respeito e tratar o outro como capaz.

 

 Venha o politicamente incorreto para que possamos evoluir.

 

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publicado às 21:00

Diferentes currículos na mesma turma (estratégias)

por Maria Joana Almeida, em 30.10.17

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Todas as turmas têm, naturalmente, alunos em diferentes níveis de aprendizagem e sendo esta uma realidade o professor tem um enorme desafio pela frente. Um duplo desafio que se traduz em: cumprir o currículo e corresponder às necessidades de cada um. É, certamente, compreensível de que é um papel difícil para um professor sozinho em sala de aula porque embora considere que não podemos ser escravos do currículo, a verdade é que ainda é difícil retirar todo o seu peso.

 

A existência de alunos a “cumprir um programa” de 2ºano em turmas de 3ºano ou de 3ºano, em turmas de 4ºano e outras realidades são comuns em várias escolas. De forma a ser possível conseguir um trabalho com sucesso deixo algumas sugestões e estratégias que podem facilitar este processo:

 

 

- Realizar, juntamente com o aluno, um horário tendo em conta das dinâmicas da sala e que seja colocado num lugar sempre visível e de fácil acesso (dentro do dossier, colado na mesa). Esta estratégia permite ao aluno organizar mentalmente o seu dia e perceber cada “etapa”.

 

- Criar um caderno/dossier com trabalho individual, mais adpatado ao perfil de funcionalidade do aluno e que contenha todas as áreas trabalhadas na aula. O aluno deve poder escolher autonomamente a atividade que quer realizar das que estão contempladas no caderno/dossier e consoante o horário estipulado na sala de aula.

 

- Reforçar a necessidade do aluno terminar a atividade num determinado período de tempo para que não se prolongue para o dia seguinte e possa ser corrigida no momento da conclusão. O feedback  rápido é importante para organizar tanto o aluno como o professor.

 

- Para alunos com maior dificuldade de concentração e organização temporal,  recortar as atividades e apresentar os exercícios um por um permite estruturar o foco e um melhor desempenho.

 

- Existir o apoio de um professor sócio educativo ou professor de apoio que permita auxiliar o professor titular de turma em ajudar o aluno a consolidar conhecimentos.

 

- A utilização do trabalho autónomo não substitui ou elimina (bem pelo contrário) o trabalho que é realizado em conjunto com os outros colegas em sala de aula. O trabalho individual deverá ser utilizado como forma de adaptar os conteúdos ao perfil de funcionalidade do aluno.

 

- Colocar o aluno (ou alunos) no local de mais fácil acesso ao professor para ir monitorizando o trabalho e motivando o aluno.

 

-Valorizar sempre com palavras e atutudes positivas os sucessos do aluno porque como já tive oportunidade de escrever neste espaço: A verdade é que ganhamos muito mais do que podemos imaginar quando “perdemos” 10 minutos do nosso tempo à procurar do talento em vez das dificuldades, ao elogiar (com o equilíbrio necessário) em vez de criticar e ao fazer sentir que aquela pessoa é importante em vez de desistir.”

 

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publicado às 21:35

Hoje quero falar sobre a Fátima.

por Maria Joana Almeida, em 11.10.17

 

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É também o nome da minha mãe, mas hoje o texto é sobre outra Fátima. A que conheci em 2014.

 

A Fátima foi (é) a auxiliar de ação educativa numa sala de ensino estruturado para autismo onde trabalhei. Foi a minha primeira experiência como professora de educação especial neste contexto. Embora segura da minha capacidade adaptativa, as dúvidas e inseguranças eram, naturalmente, bastantes no início.

 

O apoio e a rede de segurança numa escola é fundamental para quem chega de novo e dá os primeiros passos numa nova realidade. Os anos vão trazendo conhecimento, resiliência e mais estabilidade, aquela que nos permite olhar para os novos desafios com mais certezas e menos inseguranças.

 

Os auxiliares de ação educativa, também conhecidos por assistentes operacionais (termo que não gosto) são pessoas fundamentais numa escola. A sua função pode ser a que permite, em muitos casos, estabelecer uma relação de maior proximidade entre escola, pais e alunos. São um elo de ligação e um braço direito incontornáveis e absolutamente indispensáveis. A prova disto é a instabilidade criada em muitas escolas quando há falta de auxiliares de ação educativa.

 

A Fátima é, de longe, a melhor auxiliar de ação educativa que conheci. Desempenha um papel que vai para além das suas funções porque a Fátima é mesmo assim: extremamente profissional, extremamente dedicada. A Fátima já conhecia estes adolescentes desde que frequentaram o 1ºciclo. Já havia iniciado o trabalho com eles. Sabia o que tinha de ser feito e não cruzava braços em momento algum. O respeito e admiração destes jovens pela Fátima era inabalável. Uma relação de confiança há muito tempo criada, principalmente porque eles sabiam o quanto a Fátima gostava deles e o quanto se preocupava com eles. Os encarregados de educação confiavam plenamente na Fátima. Professores iam e vinham, mas a Fátima ficava. Fica. E esta é uma segurança impagável para pais e familiares que inúmeras vezes têm de se deparar com dificuldades, inseguranças e decisões constantes.

 

Repito, a Fátima é (foi) muito mais do que se pode pedir de uma auxiliar de educação. É um ser humano extraordinário, dotada de grande sensibilidade, caráter e uma força da natureza. Correta, atenta, pronta para ouvir e aprender. Aquele braço direito que antes de falarmos ou pedirmos algo já tudo está a acontecer.

 

Foi, sem dúvida, pelas mãos  da Fátima que também muito aprendi sobre a relação e onde construi seguranças.

 

Obrigada

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publicado às 18:16

Cinco perguntas, cinco respostas com David Rodrigues

por Maria Joana Almeida, em 28.09.17

 

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O professor David Rodrigues dispensa apresentações. Já nos cruzámos várias vezes em conferências e colóquios onde as suas reflexões conseguem sempre levar para casa a vontade de fazer mais e melhor, aliás, a certeza de que podemos fazer mais e melhor.

 

Atual Conselheiro Nacional de Educação e Presidente da Associação Nacional de Docentes de Educação Especial entre outras atividades e projetos, David Rodrigues apresenta sempre uma atitude positiva perante as políticas educativas com uma visão clara e fundamentada do caminho que ainda existe para percorrer.

 

È uma honra poder assinalar a comemoração do segundo ano deste blog com uma reflexão de quem todos os dias pensa e trabalha, com grande sentido crítico, sobre e para a Educação Inclusiva.

 

 

 

 

1 – O professor David Rodrigues é, atualmente, uma referência a nível nacional e internacional no mundo da Educação, mais concretamente na Educação Especial. Que vivências o moveram para os importantes contributos que tem dado a esta área?

 

Deixe-me dizer que não tive nenhuma epifania… O meu interesse pelas pessoas com deficiência – sobretudo as mais jovens – foi-se cimentando ao longo da relação que estabeleci com elas.  Uma questão que me lembro sempre de ter estado presente nas minhas reflexões foi o esforço para me colocar no seu lugar. Como seria a minha vida se não andasse? Se não me fizesse ouvir? Se não visse?  Acho que este pensamento, digamos de empatia, sobre as pessoas com deficiência, levou-me rapidamente à defesa dos seus direitos e daqui à advocacia da sua inclusão.

 

 

2 – A área da Educação Especial tem vindo a sofrer evoluções ao longo dos tempos num percurso que se quer e se avizinha cada vez mais inclusivo na nossa sociedade atual. Como encara o modus operandi desta área nas escolas?

 

Esta evolução para escolas que tenham práticas efetivamente inclusivas é um caminho necessariamente longo e contraditório.  Não podemos esquecer que a escola – aquela instituição a que naturalmente chamamos “escola” – é fruto de uma construção de centenas de anos.  A escola construiu-se para transmitir, para receber o conhecimento ao mesmo tempo e no mesmo ritmo que os outros e também para selecionar os melhores.  Ora hoje as necessidades a que a escola tem de responder são completamente diferentes: a escola quer construir e criar conhecimento, quer personalizar os sistemas de aprendizagem e quer que todos tenham sucesso.  Como se vê é uma viragem de 180º na filosofia da escola.  Assim é natural que seja custosa e demorada. Parafraseando Gil Vicente: “todo o mundo” quer mudança mas “ninguém” quer mudar.  Quer dizer: a vontade de mudar é maior do que a operacionalização destas mudanças.

 

 

3 – Foi dado a conhecer recentemente a proposta de alteração ao Decreto-lei n.º 3/2008, de 7 de Janeiro. Um documento que está em discussão pública até 30 de Setembro e que vem recentrar o conceito Inclusão. Quais considera serem os pontos fortes desta nova perspetiva sobre a Educação Especial?

 

O ponto certamente mais forte tem a ver com o facto do projeto de diploma apontar para uma ideia claramente inclusiva. Deixa de se falar em categorização e em necessidades educativas especiais e considera-se que é responsabilidade de toda a escola educar todos os alunos recrutando os meios necessários para que todos aprendam. De certa forma há um inconformismo neste projeto com o insucesso e com o abandono escolar.  Recentemente num documento produzido pela UNESCO escreve-se “Todos os alunos contam e contam igualmente”.  É certamente essa a parte forte e inovadora deste documento.

 

 

4 – O Professor de Educação Especial é uma figura de referência dentro das escolas ainda que, em muitos casos, tenha uma multiplicidade de papéis onde se confundem as suas funções e o seu papel. No seu ponto de vista, qual deve ser o trabalho e principalmente o perfil de um professor de Educação Especial?

 

Precisamos de continuar a discutir o papel do Professor de Educação Especial numa escola inclusiva.  Será certamente um perfil multifacetado em que ao lado da intervenção direta se veja a consultoria, o apoio à diversificação de métodos, estratégias e avaliação do currículo, apoio às famílias, etc.   O professor de Educação Especial é um elemento fundamental para a promoção da inclusão porque permite articular o trabalho dos diferentes técnicos, dos diferentes professores e das famílias com a escola.  A Pró – Inclusão tem intenção de desenvolver em 2018 um trabalho sobre este assunto do perfil profissional.

 

 

5 – Abordando a Educação de uma forma geral e cruzando com estudos recentes que indicam, por exemplo, as grandes dificuldades na área da aprendizagem da leitura e da escrita no 1ºciclo; as famílias que não conseguem apoiar os seus filhos; a falta de recursos apontadas por muitas escolas e professores, que caminho tem a escola ainda que percorrer nas políticas educativas que permitam ultrapassar estas dificuldades?

 

A escola já andou muito caminho. O desafio de uma escola para todos é ciclópico.  Lembro-lhe que quando eu terminei o meu 4º ano só eu fui, entre todos os meus colegas fui, na altura, para o liceu.  Consistentemente temos tido melhorias no nosso sistema educativo o que é verificado não só pela nossa avaliação mas também por avaliações internacionais. O que nos falta?  Não lhe sei responder categoricamente a esta pergunta. Nuns lugares faltarão umas coisas e noutros outras.  O que sabemos hoje é que a organização e a cultura da escola têm uma enorme importância.  A formação e o apoio aos professores são também fatores determinantes e ainda que o desenvolvimento da sociedade tem efeitos claros na melhoria da escola.  Eu diria aos alunos, aos professores, às direções dos agrupamentos, às famílias, às autarquias que cada um de nós tem de fazer a sua parte. Com brio, com competência, com generosidade e espírito positivo.  As pessoas que só culpam os outros desistiram de se mudar e mudar a realidade em que vivem. Precisamos de contar com pessoas que assumam o risco de mudar e de inovar. A inclusão depende muito disto.

 

 

 

 

Nota Biográfica: DAVID RODRIGUES é Presidente da Pró-Inclusão / Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, diretor da Revista “Educação Inclusiva” e membro do Centro de Investigação do IE/UL. Professor de Educação Especial doutorou-se em 1987 e obteve o título de agregado em 1999. Lecionou na Universidade de Lisboa e noutras universidades portuguesas (Porto, Lisboa, Açores e Coimbra) e estrangeiras (KU Leuven – Bélgica, VSU – EUA e UNICAMP - Brasil). Trabalhou em projetos internacionais para a UNESCO, UNICEF e Handicap Internacional e OCDE. É conferencista convidado em Espanha, Reino Unido, França, Brasil, Estados Unidos, Colômbia, Cabo Verde, México e EAU – Dubai. Publicou 30 livros e dezenas de artigos em revistas da especialidade. Recebeu em 2007 o Prémio de Investigação “União Latina” e em 2017 foi agraciado com o “Distinguished International Leader Award” pelo Council for Exceptional Children – DISES (EUA).É desde junho de 2015 Conselheiro Nacional de Educação.

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publicado às 18:00

De volta.

por Maria Joana Almeida, em 04.09.17

 

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De volta a mais um ano letivo e ao segundo ano da existência deste blog, são vários os temas que têm invadido os fóruns e redes sociais nos últimos dias com bastante potencial para serem lidos, revistos e esmiuçados. Desde a polémica instalada sobre os livros da Porto Editora passando pela publicação das listas de colocação de professores que conseguiu este ano ser mais atempada do que nos últimos anos.

 

Poderia querer pegar nestes temas mas não o farei. Já muito se escreveu e refletiu, entre vários argumentos, sobre discriminação de géneros e sobre colocações ou não de professores. Nada do que poderia escrever iria acrescentar algo de diferente à discussão.

 

Quero iniciar este ano letivo refletindo sobre um vídeo que vi recentemente intitulado “What if you treated teachers the same way we treated professional  athletes” (E se tratássemos os professores como tratamos atletas profissionais)

 

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 LInk do video: https://www.youtube.com/watch?v=IoUdnoLmQiM

 

 

Assemelhar professores a atletas é um lugar comum (sem deixar de ser verdadeiro) quer pela sua capacidade de adaptação, de persistência, de antecipação e de trabalho. São de facto, na sua maioria. O que este vídeo nos mostra de diferente é a visualização, humorada, de como seria uma escola se tratássemos os professores como se fossem (por exemplo) o Cristiano Ronaldo. Como se fossem os nossos ídolos.

 

Se pensarmos bem, fora estereótipos e preconceitos criados em torno da escola e professores, o trabalho realizado por um professor requer muito treino que se traduz em muito trabalho de investigação. Investigação sobre a sua profissão e investigação sobre os seus alunos  - quem são, como são, porque agem assim, o que posso fazer para corresponder aos seus perfis. Requer resiliência: o futuro é na maior partes das vezes incerto, saltar de escola em escola, adaptar-se de novo, lidar continuamente com a apelidos por vezes pouco abonatórios, ter de construir novos materiais e responder à mesmo burocracia que é todos os anos exigida, ter de engolir em seco provocações, manter a calma e discernimento suficiente para encontrar um equilíbrio. Requer força de vontade para que apesar de todos os contratempos, e às vezes vontade de desistir, não se encostar aos serviços mínimos e lidar ao mesmo tempo (muitas vezes) sem reconhecimento do seu trabalho.

 

Para mim, um professor é especialmente um ídolo e um exemplo a seguir, quando assume uma atitude ponderada mas firme, quando prepara os seus alunos não só com os conteúdos e conhecimentos da área que leciona mas para viver em comunidade sempre através da suas atitudes e não tanto pelas suas palavras. É ídolo quando (rebuscando um pouco dos temas atuais)  mostra que a todos é possível escolher e optar. Que existe liberdade e que o conhecimento traz-nos liberdade. Que homens e mulheres não se distinguem pelo género naquilo que podem escolher e alcançar. Que existe o bom e o lixo na nossa sociedade e que é importante que o saibamos distinguir. Que apesar das diversidades não pode ser opção não tentarmos. E que acima de tudo o sucesso requer treino, esforço, resiliência e força de vontade.

 

 

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publicado às 21:26

5 perguntas, 5 respostas com Isabel Mendes Lopes

por Maria Joana Almeida, em 27.07.17

 

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Antes de uma breve interrupção durante o mês de Agosto quis “fechar este ano letivo” com uma entrevista a uma amiga que muito admiro.

 

A Isabel é inteligente, atenta, terna, generosa, convicta. Possui uma visão do mundo e valores com os quais me identifico e que influenciam positivamente quem a rodeia. A calma e serenidade que transmite no seu discurso, muito assertivo e ao mesmo tempo consciente das limitações de muitas realidades, reflectem uma forte personalidade e um carisma contagiante

A Isabel assume atualmente diferentes papéis. Papéis exigentes que desafiam a realidade e são uma dificuldade sentida por muitos de nós, nesta sociedade.

 

Vale a pena ler e reler o seu testemunho inspirador.

 

 

 

1 - Isabel, és mãe de duas filhas, tens um emprego a tempo inteiro e fazes parte de um partido político (LIVRE) onde desempenhas um trabalho exigente e quase a tempo inteiro também. Esta é provavelmente uma pergunta que ouves muitas vezes, mas como geres esta organização?

 

É uma organização difícil. Mas tenho a sorte de estar integrada em boas equipas – tanto em casa como no LIVRE.

A minha família é essencial, principalmente no apoio às minhas filhas. Nas alturas mais exigentes sei que tudo é assegurado sem mim. E quando é preciso, elas vão comigo às reuniões ou atividades do LIVRE (onde gostam muito de ir e onde são muito acarinhadas).

O meu trabalho no LIVRE é exigente porque faço parte do Grupo de Contacto do LIVRE, que é a direção partidária e que gere o dia-a-dia do partido. É um órgão colegial de 15 pessoas, onde a decisão e as tarefas são partilhada por todos. Isto faz com que a responsabilidade não seja um peso incomportável porque é partilhada, e permitiu que assumisse um mandato de dois anos. Sei que se não puder estar presente, as coisas são asseguradas. Por outro lado, no LIVRE trabalhamos muito online, o que permite uma gestão mais flexível. Consigo participar em todas as reuniões online e os documentos são redigidos conjuntamente durante a reunião. Isto faz com que consiga acompanhar as atividades e participar nas decisões a partir de casa, quando é necessário.

Mas há dias que são uma loucura, claro: trato de assuntos pessoais e do LIVRE à hora de almoço e quando saio vou a correr a casa tratar de tudo e à noite tenho reuniões ou outros assuntos.

O nosso tempo deve ser despendido num equilíbrio entre o tempo para nós, o tempo para a família e amigos, o tempo para o trabalho, o tempo para o lazer e também o tempo para a comunidade. Este equilíbrio é difícil, porque o tempo é um recurso escasso. Mas cada vez mais acredito que temos de conseguir ter tempo para a comunidade.

 

 

 

2 - A nossa geração atual é marcada por um constante adiar da maternidade e paternidade por inúmeros motivos sendo o trabalho um dos principais. Como olhas para este paradigma instalado?

 

A nossa geração é muito diferente da anterior. Se por um lado há mais oportunidades - todo um mundo para explorar - há também restrições importantes que nos condicionam em muitas escolhas, onde se inclui a parentalidade.

Os problemas da precariedade, dos salários baixos, das longas horas de trabalho influenciam muito a decisão de ter filhos, de quando os ter ou de quantos filhos temos. A estes problemas se junta a falta de estrutura de apoio. Muitos avós trabalham e/ou vivem longe, os laços de comunidade e vizinhança são menos fortes. O que anteriormente funcionava como estrutura de apoio às famílias não conseguiu ser substituído por uma resposta eficaz da comunidade.

Para conseguirmos mudar este condicionalismo nas escolhas na parentalidade temos de conseguir regrar o mercado de trabalho.  Temos de incorporar que a parentalidade faz parte da nossa vida enquanto sociedade e que todos temos obrigação de a acomodar, fazendo valer os direitos das famílias (mulheres e homens) face ao trabalho. Temos de criar estruturas de apoio: não apenas berçários, creches, jardins de infância e escolas públicas acessíveis a todos mas também transportes, atividades, cultura próximos e que tornem o dia-a-dia das famílias mais fácil.

 

 

3 - Quais foram as motivações que te levaram a envolver no mundo político?

 

O meu passado é muito apolítico. Mas há uns anos – um pouco antes de 2011 – comecei a estar mais atenta e senti que temos de nos envolver. Se queremos que a política seja mais transparente e mais democrática, temos de nos envolver. Comecei então a acompanhar várias iniciativas que foram acontecendo.

O nascimento da minha primeira filha tornou ainda mais forte o meu sentimento de urgência em me envolver, em fazer. E coincidiu com a constituição do LIVRE, que acompanhei desde o início ainda sem conhecer ninguém e que foi um processo que me impressionou, pela transparência, envolvimento e organização que teve. Tive a oportunidade – como todos os que lá estavam – de participar na redação dos documentos fundadores, na definição da organização do partido e dos seus processos, na definição dos seus pilares e ideias-chave. Por me rever nestas ideias e também nos processos, fui-me envolvendo no LIVRE. E há dois anos candidatei-me e tornei-me dirigente.

No fundo, a motivação para me envolver é – como diz uma amiga, o mais velho cliché de todos – contribuir para tornar o mundo melhor. E gostava de o fazer não apenas através do meu trabalho direto mas também através do exemplo – o facto de ser mulher e mãe não pode ser condicionante da participação política.

 


4 - A “política” é frequentemente atacada com palavras duras e marcada por uma nuvem de desconfiança constante. Na tua perspetiva como a entendes e de que forma pode esta imagem ser mudada?

 

Política é a forma como nos organizamos enquanto sociedade e como lidamos uns com os outros - é o nós.

A “política” de que falas é a que é associada a interesses próprios, jogos de poder obscuros - é o eles.

Temos de tornar a política mais nossa. Não é apenas a imagem da política que deve ser mudada - é a própria política, que tem de ir perdendo aquelas aspas. E essa mudança faz-se com um maior envolvimento dos cidadãos: no acompanhamento dos assuntos, na participação das decisões, na pertença a partidos. E faz-se também com uma maior abertura dos partidos e das instituições, através de processos claros, transparentes e participados. 

 

5 - Como mãe e como política (se assim o podemos chamar) é inevitável perguntar como olhas para o estado da nossa Educação e quais consideras serem as transformações necessárias?

 

Podes-me chamar política, é preciso assumirmos aquilo que somos.

Os próximos anos trarão grandes revoluções à forma como vivemos, como trabalhamos e como nos organizamos. As tarefas serão progressivamente mais automatizadas, a inteligência artificial permitir-nos-á fazer coisas hoje inimagináveis, estaremos cada vez mais ligados digitalmente. Teremos desafios terríveis originados pelas alterações climáticas.

As crianças que estão agora no primeiro ano serão adultos em 2030 e serão ativas até 2060, 2070, 2080. O que devem aprender para estarem preparadas para enfrentar todas as mudanças deste século e para serem adultos felizes e realizados? Não sabemos bem que matérias serão necessárias mas há algumas características que serão essenciais e onde a escola deve ter um papel muito importante: Imaginação e criatividade. Espírito crítico e autonomia na procura de soluções. Conceitos fortes de comunidade, de democracia e de participação. Capacidade de construir relação. E para isso será necessário promover a curiosidade, dar ferramentas para potenciar a autonomia, dar ferramentas sociais e de trabalho em grupo e participação cívica, desdramatizar o erro e olhar para a realidade de forma multidisciplinar, mas integrada.

Há muitas alterações que me parecem necessárias na nossa Educação, para que se torne mais equitativa, mais justa, mais eficaz, mais abrangente. Mas destaco apenas uma medida que considero essencial para dar resposta a grande parte dos problemas e desafios: valorizar enormemente a profissão de professor. Temos de ter professores inspiradores, capazes de agarrar os alunos e que lhes passem a alegria de aprender. E para isso precisamos de professores muito bons e muito motivados. Ou seja, temos de ser muito exigentes com os professores mas também de lhes conseguir dar as condições que uma profissão tão nobre e necessária como esta necessita. Porque, novamente o cliché, os professores têm efetivamente a capacidade de mudar o mundo, criança a criança.

 

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publicado às 12:54


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